Acordo coletivo: sindicato dos Bancários visa apoio das redes sociais

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Coletiva online de Sindicato com imprensa ocorreu na manhã desta terça, 19

As inovações tecnológicas e usabilidade das redes sociais são algumas das inovações usadas pelo Sindicato dos Bancários de Sergipe (SSEB/SE) na campanha salarial da categoria deste ano. Além da busca pela expertise na área tecnológica, o sindicato vem mobilizando os bancários e a sociedade para a campanha eletrônica, que visa a manutenção dos direitos da classe e também a defesa das empresas públicas.

A presidente do SEEB/SE, Ivânia Pereira, ressalta que os sindicatos de bancários de todo o país estão se reinventando e adaptaram a forma de mobilizar a categoria. “Os Sindicatos estão investindo na comunicação digital e estamos conscientizando a categoria que podemos pressionar os bancos mesmo não estando nas ruas. Uma das nossas medidas é que mais funcionários criem o twitter e assim possamos mobilizar virtualmente nos momentos de nossas assembleias e reuniões com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban)”, explica ela, acrescentando que na reunião de ontem ficaram entre as 10 mais no trending topics.

O diretor do DIEESE, Luiz Moura, ressalta que apesar do momento atípico, ele acredita que a tecnologia possa ser um facilitador na ampliação da presença nas assembleias. “Temos uma média de 3 mil bancários no Estado e em geral 100 deles participavam presencialmente das assembleias, pelas dificuldades do cotidiano e vida de cada um. Com a tecnologia e um celular podemos chegar a 100% de participação nas assembleias e acabar com o discurso patronal de que a representatividade dos bancários foi pequena”, diz.

Pauta

A pauta de reivindicações dos bancários foi entregue à Fenaban no dia 24 de julho, com o pedido de reajuste da inflação mais 5% de aumento real em todas as cláusulas econômicas, defesa da manutenção dos empregos, defesa de uma única mesa de negociação com os bancos — públicos e privados — e contra a retirada de direitos de quem trabalha de casa, entre outras reivindicações.

Ivânia informa que além do pedido de reajuste salarial de 5% acima da inflação, ganha força em 2020, em razão da pandemia do novo coronavírus, a negociação em torno das regras do home office. “Estamos debatendo o teletrabalho também nas mesas de negociações. Fizemos uma comissão e um acordo especifico somente para debater a questão da pandemia no início do ano, mas agora queremos incorporar ao acordo coletivo de trabalho o que foi definido para a pandemia. A OMS já deixou claro que as medidas protetivas devem permanecer até 2021”, diz.

O Sindicato ressalta a importância da pauta do home office como medida de segurança para os bancários, lembrando os altos índices de contaminação e mortes dos funcionários por Covid-19. “Os bancos não estão mais informando ao sindicato o número de contaminação dos bancários, mas sei que os dados são altíssimos. Teve agência que quase todos os funcionários foram contaminados, seja em bancos públicos e privados. Não sei se perceberam, mas tiveram agências que foram fechadas por um dia para fazer desinfecção”, conta Ivânia Pereira, acrescentando que entraram com ação no Ministério do Trabalho para que esses dados sejam informados também ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Redução de lucro x provisão de dívidas

O Sindicato ressalta que o balanço apresentado pelos quatro maiores bancos do país de que houve uma queda de 28% no lucro, para negar alguns tópicos do acordo coletivo da categoria não justifica. De acordo com Luiz Moura, mesmo com esta queda estes bancos tiveram um lucro de R$ 28 bilhões. “O lucro caiu porque fizeram a provisão para devedores duvidosos. No final quem paga esse provisionado é a sociedade e o próprio bancário, mas no momento esta redução vai impactar na PLR dos bancários. Quando você olha a inflação não deveria ser um problema para os bancos. A inflação será em média 2,6%. A receita dos bancos com tarifas de serviços cobre mais de 60% do pagamento dos bancários somando as suas PLRs”, contabiliza.

Aplicativo do sindicato também divulga notícias da classe

A categoria reforça que as negociações também reforçam a continuidade dos serviços bancários com mais segurança para os funcionários e clientes. “Muitos bancários foram contaminados e muitos outros morreram vítimas da Covid-19. Sabemos da importância do pagamento do auxílio emergencial para que famílias tenham um mínimo de dignidade. E ressaltamos que os bancários vêm se empenhando para garantir o pagamento dos 560 mil sergipanos. Mas os bancos não querer redistribuir parte de seus lucros, não somos intransigentes”, ressalta Luiz Moura.

Aplicativo

O Sindicato aproveitou a coletiva para fazer o lançamento do aplicativo do SEEB/SE. Ele está disponível nas lojas App Store (IOS) e Google Play (Android). Além de informativos específicos para a categoria, que terá acesso mediante a senha, o app também disponibilizará notícias da classe para a sociedade em geral.

 

por Raquel Almeida

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