Cartilha defende reforma tributária com fim de impostos

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(Foto: Arquivo Portal Infonet)

O fim dos impostos sobre os alimentos é um dos pontos defendidos pela cartilha Uma Reforma Tributária para Melhorar a Vida do Trabalhador, lançada hoje,25. O material será distribuído pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região aos trabalhadores da categoria.

Segundo o economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro João Sicsú, um dos responsáveis pela elaboração da cartilha, é importante apresentar essas propostas para que a sociedade entenda a necessidade de fazer uma revisão do sistema tributário. “A sociedade não tem consciência da necessidade da reforma tributária. A sociedade imagina que todos pagam altos impostos e que é injusto pagar imposto. Na verdade, não é injusto pagar imposto. O que é injusto é distribuir mal a carga tributária”, disse Sicsú.

Sobre a proposta de não taxar alimentos, o economista lembrou que é uma prática amplamente adotada no mundo. “A Inglaterra é a meca do capitalismo e lá não existe nenhum imposto sobre alimentos. Nos Estados Unidos, a maioria dos seus estados não cobra nenhum imposto sobre alimentos”, exemplificou.

De acordo com Sicsú, mudanças como essa ajudariam a corrigir as distorções do sistema tributário brasileiro. “O diagnóstico é que existe uma regressividade da carga tributária brasileira, o que significa  que os trabalhadores pobres e a classe média pagam muitos tributos em relação à sua capacidade contributiva. E os ricos, milionários e até bilionários brasileiros pagam absolutamente nada em relação à sua capacidade de contribuição.”

Além da redução dos impostos sobre consumo, como o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS), o economista defende a criação de novas taxações sobre patrimônio e renda. Um deles seria o imposto sobre grandes fortunas, já previsto na Constituição. “É o imposto que se paga pela enorme propriedade e riqueza que se tem. Atualmente, na França chama-se Imposto de Solidariedade sobre a Fortuna. Então, é essa solidariedade que os ricos e bilionários precisariam ter no Brasil também”, enfatizou Sicsú.

Outro exemplo de tributação progressiva seria a cobrança dos proprietários de jatos executivos, helicópteros e lanchas de um tributo semelhante ao que existe para os automóveis. ”Esse tipo de tributação ajudaria a financiar os estados, que perderiam arrecadação, caso houvesse redução do ICMS. Por exemplo, o IPVA [Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores] sobre jatinhos, iates e helicópteros é estadual. Só que não é cobrado porque os ricos e milionários conseguiram derrubar esse imposto no STF [Supremo Tribunal Federal]", explicou o professor.

Ele defende a divisão dos novos tributos entre os governos federal, estaduais e municipais, para evitar perda de arrecadação das diferentes esferas de governo. “Podemos fazer uma reforma em que tenhamos impostos sobre grandes fortunas, sobre heranças e doações, e esses impostos novos poderiam financiar os estados, e não só o governo federal.”

Fonte: Agência Brasil

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