
São preocupantes as novas modalidades de financiamento para aquisição da casa própria anunciadas pelo Governo Federal. Na ótica do economista Luiz Moura, técnico do Departamento Intersindical de Estatística e de Estudos Socioeconômicos (Dieese), o futuro mutuário deve ficar atento a três pontos fundamentais, que podem trazer muitas dores de cabeça no futuro: o valor a ser financiado, os prazos e também as prestações.
Para Luiz Moura, o modelo atual, que está em vigor, traz uma noção sobre as prestações. “Começa com prestação elevada, mas ao final há redução. Há amortização do valor financiado”, explica o economista. Mas no novo modelo, recentemente anunciado pelo Governo Federal, que deve ser aplicado pelas agências da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, há um rol de incertezas, na ótica de Luiz Moura. “Cria-se uma ilusão de que, no início, se reduz 30% na prestação, mas cria-se incertezas quanto ao futuro”, observa.
Tudo vai depender, conforme Luiz Moura, da inflação do período. “Você compra pela inflação do período. E se seu salário não for corrigido? Os servidores estão há muito tempo sem reajuste”, comenta. A maior preocupação está nos prazos de financiamento. São muito longos, na ótica de Luiz Moura. “O fato de ter período longo [para o financiamento], acaba criando incertezas. Quem garante que a inflação do ano que vem vai ser igual à inflação desse ano?”, questiona.
Luiz Moura lembra que no passado ocorreram financiamentos de imóveis e muita gente encontrou dificuldade para quitar a dívida em função dos elevados índices inflacionários. “Ninguém quer inflação alta, mas em um prazo de 30 anos isso pode acontecer e acabar inviabilizando que o mutuário tenha condições de honrar essas prestações”, comenta. “No passado, isso aconteceu e muito imóveis foram tomados pela Caixa porque a correção monetária, e nem foi a inflação, inviabilizou o pagamento das prestações”, observou.
Nova modalidade
Em nota enviada à imprensa, a Caixa Econômica Federal informou que a linha de financiamento terá correção com base no IPCA, o índice oficial que mede a inflação, e terá juros mais baixos que aqueles ofertados pelo mercado, enquanto o modelo do Banco do Brasil atrela juros mais baixos e prazos menores de financiamento.
Na nota, a Caixa informa que a nova modalidade pode ser mais vantajosa para aqueles que apresentarem maior volume de dinheiro como entrada.
por Cassia Santana
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