Concentração de renda em Sergipe

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Indiretamente, a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE, recentemente divulgada, confirma o quanto é forte a concentração de renda em Sergipe. O Estado que possui o maior PIB per capita do Nordeste, com R$ 1.810 mensais (segundo pesquisa do próprio IBGE em 2000), tem uma das piores rendas médias do País e da própria região. A POF identificou que a família sergipana tem uma renda média mensal de míseros R$ 1.009,62, bem abaixo da média nacional, que é de R$ 1.789,66. A diferença entre PIB per capita e rendimento mostra que o Estado como um todo é mais rico do que seus cidadãos: quando se divide a riqueza bruta de Sergipe pelo número de habitantes aparece um valor individual médio bem superior à média do rendimento real de cada família sergipana, agora identificado pela POF/IBGE. Isso evidencia o que todo mundo sabe mas que muitas vezes não se consegue provar: a alta concentração de renda. Na média nordestina, pelo menos, Sergipe é um Estado que tem economia bastante pujante, o que significa dizer que muita gente por aqui (diga-se, os mais ricos) está ganhando muito dinheiro. Mas essa riqueza não chega às mãos da grande maioria da população, pelo que se percebe na recente pesquisa. O pior é que a despesa média mensal de cada família sergipana supera o próprio rendimento: enquanto ganha mensalmente R$ 1.009,69, cada família sergipana gasta em média R$ 1.152,72 – a família brasileira gasta, em média, R$ 1.778,03 e a nordestina, R$ 1.134,44. No Distrito Federal, onde se ganha mais e se gasta mais, o gasto médio mensal por família é de R$ 3.195,21. Ou seja, a conta no final do mês não fecha para a família sergipana.

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