Cresce número de empresas fechadas

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George Trindade: atualização de cadastro (Foto: Cássia Santana/Portal Infonet)

O número de empresas extintas em Sergipe é crescente. Neste ano, a quantidade de encerramento de atividades empresariais, até o mês de setembro, aumentou em torno de 95%, se comparado com o mesmo período do ano passado. Mas a Junta Comercial de Sergipe (Jucese) não associa, unicamente, este comportamento do mercado à crise que o país está enfrentando.

Conforme os dados da Junta Comercial, neste ano, até o final do mês de setembro, 2.788 empresas foram extintas em Sergipe, um número 95% superior ao verificado no mesmo período do ano passado quando 1.430 empresas foram extintas no estado. O número de empresas fechadas neste ano já supera em mais de 43% da totalidade de extinções ocorridas no exercício de 2014. Durante todo o ano passado foram 1.949 empresas extintas, segundo a Junta Comercial.

Em compensação, aumentou, não no mesmo patamar, o número de novos empreendimentos que surgiram no mercado neste ano. O número de empresas constituídas cresceu cerca de 1,4% até o mês de setembro, se comparado com o mesmo período de 2014. No ano passado, neste período foram constituídas 3.076 novas empresas e, neste ano, o número de novos empreendimentos chegou a 3.117 até o mês de setembro. Durante o exercício de 2014, foram constituídas 4.122 novas empresas.

Desburocratização

O comportamento do mercado em Sergipe não está associado à crise que o Brasil enfrenta. É o que valia o presidente da Jucese, George da Trindade Gois. Ele reconhece que a crise trouxe algum efeito, mas observa que o encerramento das atividades empresariais no estado está diretamente vinculado ao processo de desburocratização para extinção de empresas criado pelo governo, com o vigor da lei complementar 147/2014. “Esta lei complementar simplificou o processo para extinção e baixa de empresas no Brasil”, revelou.

O presidente da Junta Comercial explica que, para dar baixa à atividade, havia a obrigatoriedade da apresentar certidões negativas de débitos, o que contribuía para onerar ainda mais o empresariado. “Então, o empresário encerrava a atividade de fato, mas deixava a empresa em aberto e agora está apenas regularizando a situação, apenas para atualizar o cadastro”, diz. “O número de novas empresas abertas continua na mesma média. Se fosse só a questão da crise, o número de empresas abertas estaria despencando”, analisa.

A classe empresarial reconhece as dificuldades, mas não vê que a crise foi fator único determinante para o fechamento destas empresas. “Há um acumulado de queda de vendas em torno de 37% a 40%, a crise existe, mas não foi fator determinante. Quem já estava com dificuldade, a situação se agravou. Mas Sergipe está um pouco melhor que a situação do Brasil e está entre os três melhores do Nordeste”, observa o empresário Breno Barreto, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).

Para o presidente da Federação dos Empregados no Comércio e Serviços de Sergipe (Fecomse), Ronildo Almeida, a crise não passa de falácia. “Fala-se em fechamento de uma loja de rede e de duas farmácias também de rede, mas ninguém observa que uma outra rede de farmácia abriu cerca de seis lojas e a grande loja de departamento já vem passado por processo de fechamento há muito tempo”, enaltece Ronildo Almeida.

Segundo Ronildo Almeida, o número de demissões no comércio foi maior no ano de 2013, quando o Brasil ainda não vivenciava esta crise. “Em 2013, foram quase 9 mil demissões, caiu para mais de 7 mil em 2014 e, em 2015 será ainda menor, não se chegará a 7 mil”, contabiliza o sindicalista.

Por Cássia Santana

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