Dieese: “Se endividar no Brasil custa muito caro”

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Dirigente do Dieese alerta para riscos do juros abusivos (Foto: Portal Infonet)

Em momento pós-anúncio de crise econômica mundial, brasileiros enfrentam verdadeiros vilões que induzem a redução de gastos e a administração coerente de recursos. Conforme dados divulgados pelo Banco Central na última semana, os juros médios cobrados pelos bancos nas operações com cheque especial chegaram concluíram o ano de 2015 em 287% ao ano, o maior desde abril de 1995, quando registrou 288% ao ano.

Além dos juros referentes ao cheque especial, usuários de cartão de crédito rotativo também devem ficar atentos aos encargos financeiros abusivos (431,4%). Segundo o dirigente do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese-SE), Luiz Moura, embora o uso de créditos seja uma prática natural do capitalismo, útil para os que não dispõem de todo o dinheiro para aquisição de um bem, os cuidados devem ser intensificados.

“O problema é o juro”

“O problema tem a ver com o juro. Quem se endivida a juros elevados como esses está entrando numa ciranda financeira que, dentro de um limite, não há condições de pagar. Se torna um inadimplente, não necessariamente por questões de desonestidade, e sim porque não há condições de pagamento dentro dessa proposta de juros. Daí a indagação sobre o motivo pelo qual as pessoas se endividam tanto”, questionou  Luiz Moura.

Muitas pessoas imaginam que conseguirão cumprir os compromissos financeiros assumidos pela necessidade, segundo Moura,

Dívidas nos cartões podem refinanciar dívidas de 15 a 16%

mas numa situação de doença ou desemprego, por exemplo, ele se vê obrigado a priorizar determinados pagamentos em detrimento de outros. “No caso dessas duas modalidades principais de endividamento brasileiro. Os juros são extorsivos. Quem tinha uma dívida de mil reais em janeiro de 2015, no cheque especial, ao final de dezembro estará devendo R$ 3.870, mesmo que não tenha usado o crédito. Ou seja, quatro vezes mais o valor inicial”, esclareceu.

O dirigente do Dieese também orienta usuários de cartões de crédito para o não pagamento do valor mínimo das faturas. “Quem paga o mínimo, refinancia o cartão a juros de 15 ou 16% ao mês. Quem deve mil reais no cartão e não pagou no mesmo período antes citado, em dezembro estará devendo R$ 5.314, mais de cinco vezes o valor que devia inicialmente. O motivo pelo qual os juros são tão altos é a inadimplência, segundo bancários, cujo setor da economia é o de maior lucratividade. A inadimplência, por sua vez, existe em função dos juros abusivos. Em suma, quem paga a conta é o devedor”, acrescentou Moura.

Driblando o endividamento

Relevante é aos olhos do dirigente do Dieese o entendimento de que em outros países os juros cobrados para cartões de crédito giram em torno de 5% ou 10% ao ano, enquanto que no Brasil esses mesmos percentuais são cobrados ao mês. “Diante da diferença de taxas de juros civilizadas para outras extorsivas, como é o caso das nossas, o recomendável é ter todo cuidado com endividamento. Não faça dívidas, mas se houver necessidade, nunca no rotativo ou pagamento do valor mínimo. Se não há controle de gastos, é preferível sair sem o cartão e eliminar possibilidade de uso do cheque especial”, advertiu.

O juro para aquisição de veículos fechou o ano em 26,2%. Para aquisição de bens, 93% ao ano. Parcelamento do cartão de crédito 136,2% de juros. Crédito de renegociado 46,2%. Consignado, no qual não há inadimplência em função do desconto no salário, o juro chegou a 28,8%, considerado extremamente elevado. Para crédito pessoal não consignado, 117,6%. De qualquer sorte, se endividar no Brasil custa muito caro”, concluiu o dirigente do Dieese.

Por Nubia Santana

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