Economista avalia que preços dos alimentos irão subir após a crise

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Luiz Moura destaca que devido à crise provocada pela Covid-19 a produção mundial ficou quase estagnada ao mesmo tempo em que o consumo interno no Brasil diminuiu (Foto: Pixabay)

O mercado financeiro divulgou nesta segunda-feira, 27, um aumento de 1,32% na saca de 60 kg do café tipo robusta, elevando o preço de comercialização do produto para R$ 334,62. Apesar desse aumento, o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Luiz Moura, acredita que essa tendência de aumento dos produtos alimentícios virá com força maior somente após a crise provocada pelo novo coronavírus (Covid-19).

Ainda segundo Luiz Moura, a causa desse reajuste se deve ao comportamento do dólar. “Vamos supor que 1kg de café custe US$ 1 (um dólar). Como o dólar aumenta constantemente, então, é natural que o valor do produto também aumente”, destaca o economista. “Essa relação vale não só para o café, mas também para os demais produtos que o Brasil exporta, como a carne, a soja, o milho, etc. Todos eles sofrem com a variação cambial [as constantes mudanças na cotação da moeda americana]”, destaca.

Luiz Moura, economista do Dieese (Foto: arquivo/ Portal Infonet)

Apesar desse sutil aumento, Luiz Moura destaca que devido à crise provocada pela Covid-19, a produção mundial ficou quase estagnada ao mesmo tempo em que o consumo interno no Brasil diminuiu.  “Como a economia global está paralisada, nós não estamos importando tanto assim, além de haver um recuo do mercado brasileiro. Nós, por exemplo, dobramos a importação de carne para a China, mas o consumo desse produto caiu entre 12% e 13% no país”, resume.

Diante desse cenário, Luiz Moura acredita que após a retomada do consumo, os valores dos produtos serão atualizados. “Se aumentar agora muitas pessoas não terão condições de comprar. Mas isso não significa dizer que não terá aumento. O preço das carnes, do café, soja, trigo e outras commodities irão aumentar assim que houver um maior consumo, principalmente no mercado interno”, avalia.

por João Paulo Schneider e Verlane Estácio

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