Economista fala sobre aumento de impostos

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Milton fala sobre fim da CPMF
A partir de 2008, os brasileiros não mais pagarão a CPMF, taxa cobrada pelos bancos sob toda e qualquer movimentação financeira. Em contrapartida, algumas taxas sofreram aumento, a exemplo do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e da CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) e o Governo Federal prometeu conter os gastos para os próximos anos. Em entrevista ao Portal Infonet, o economista Nilton Pedro fala sobre o fim da taxa, suas conseqüências, a atitude do governo e ainda adverte: “Fazer empréstimo no Brasil é um péssimo negócio”.

Portal Infonet – A CPMF é uma taxa bastante conhecida pelos brasileiros, mas muitos deles não sabem o que significa. Como o senhor analisa tal desconhecimento?
Nilton Pedro – A Contribuição Provisória sobre movimentação financeira (CPMF) foi uma taxa criada em 1996, mas só entrou em vigor um ano mais tarde. Ela representa (representava) 0,38% de toda movimentação financeira que o brasileiro faz como, por exemplo, saques, transferências, débito automático e emissão de cheques. O desconhecimento do público é real devido à falta de informação por parte da empresa, mas o cliente também tem uma grande parcela de culpa nisso tudo, Ao tirar um extrato bancário, percebe-se que uma parte do dinheiro foi retirada e lá consta uma sigla desconhecida. A obrigação do cliente é saber o que é aquela taxa, porque está sendo cobrada e o seu intervalo de cobrança. Muitos consumidores reclamam e, na maioria dos casos, nem sabe de que estão reclamando.

Infonet– O fim da CPMF agradou aos brasileiros?
NP – As pessoas ficaram eufóricas com o fim da taxa e acharam que esse fim seria bastante lucrativo. Mas o governo já anunciou novos aumentos em outras taxas bancárias e contenção nos gastos para os próximos anos.

Infonet – Quais foram esse aumentos?
NP – O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) aumentou em 0,38%, mesmo valor da CPMF. Além disso, houve um aumento de 6% na Taxa de Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), taxa paga pelas empresas ao setor financeiro. Isso, claro, supre uma parte da perda da CPMF. Mesmo assim, esse aumento ainda não cobre o faturamento de R$ 40 bilhões conseguidos com a CPMF. Com esse aumento nas taxas e a redução que o governo vai fazer nos futuros investimentos, os bancos recolherão R$ 10 bilhões, 25% do que era recolhido até o fim da taxa.

Infonet – Qual é a situação do setor financeiro no Brasil?
NP
Sem dúvida, os bancos ganham muito no nosso país. O Brasil é um dos países que mais cobram juros nas transações financeiras e é também um país que não decreta falência individual, fazendo com que as pessoas comprem e se endividem cada vez mais.

Infonet– Por que não se decreta falência individual no Brasil?
NP – A princípio, porque os bancos querem ganhar cada vez mais. A falência individual é a perda dos bens pessoais devido ao não pagamento de dívidas. Aqui há o conhecido “depois de cinco anos, eu saio do SPC” e nada mais é feito. Nos Estados Unidos isso não acontece porque o governo toma mesmo os bens das pessoas, como pode ser visto nos filmes.

Infonet– Em geral, o brasileiro acumula muitas dívidas?
NP
– Sim, mas o índice diminuiu nos últimos anos. A grande maioria dos prejuízos vem com as facilidades de pagamento, parcelas em até 12 vezes, que gera acúmulo de dívidas porque a pessoa sempre vai querer comprar a mais do que pode porque a loja está facilitando. No mesmo ritmo, e acredito que ainda pior, está o endividamento com empréstimos bancários. Agora sim, com o fim da CPMF e o aumento das taxas que falei, vão pesar no bolso dessas pessoas. Banco cobra juros altíssimos em empréstimos financeiros.

Infonet– Então empréstimo não é um bom negócio?
NP
Geralmente digo que empréstimo bancário só deve ser feito em caso de extrema urgência como, por exemplo, morte de um familiar ou algo do gênero. Fora isso, jamais faça um empréstimo porque é um péssimo negócio. Melhor juntar dinheiro e pagar grande parte à vista. Se tiver que parcelar, o ideal é o mínimo de prestações possíveis.

Infonet– Pode-se dizer que o fim da CPMF não trouxe benefícios para o brasileiro?
NP
– Talvez porque trouxe um bem que irá comprometer o desenvolvimento econômico do país. O governo não quer e não vai fazer grandes investimentos. Veremos os resultados daqui a alguns anos.

Por Jéssica Vieira e Raquel Almeida

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