Estudo da UFS mostra impacto do auxílio emergencial na economia em SE

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(Foto: Marcello Casal Jr/EBC)

O Laboratório de Economia Aplicada e Desenvolvimento Regional (Leader) da Universidade Federal de Sergipe (UFS) divulgou, na manhã desta segunda-feira, 3, uma nova simulação dos efeitos da pandemia da covid-19 na economia sergipana em abril. A análise realizada no âmbito do projeto EpiSergipe estima que o pagamento da primeira parcela do auxílio emergencial do Governo Federal amenizou o impacto no mês analisado de R$ 648,5 para R$ 398,3 milhões.

O coordenador do Leader, professor Luiz Carlos Ribeiro, afirma que, além do auxílio emergencial, a simulação leva em conta a retirada de trabalhadores informais, a queda do emprego formal observada no estado, e a média do índice de isolamento social.

Sem considerar a política compensatória, a estimativa é de um custo de R$ 648,5 milhões em abril, o que representaria 2,4% do PIB (Produto Interno Burto) de Sergipe. Com o pagamento da primeira parcela do auxílio, por sua vez, o impacto é minimizado para R$ 398,3 milhões, o que significaria 1,5% do PIB. Nisso, a redução é de 38,7%.

“A principal explicação para essa redução é que o auxílio emergencial garante um consumo mínimo ou de subsistência para as famílias mais pobres e trabalhadores informais o que, por sua vez, estimula a economia,” ressalta o pesquisador da UFS.

Distribuição do auxílio

Dados do Ministério da Cidadania mostram que 731.721 pessoas (31,7%) foram beneficiadas com a primeira parcela do auxílio em Sergipe. Mais da metade desses beneficiários (52,4%) já recebiam o Bolsa Família. Outros 28,1% fizeram o cadastro pelo aplicativo da Caixa, e 19,5% foram novos beneficiários oriundos do CadÚnico.

A análise do Laboratório de Economia Aplicada e Desenvolvimento Regional da UFS ainda aponta que, entre os municípios, Canhoba e Gracho Cardoso apresentaram as maiores parcelas da população beneficiada, com 47,8% e 47,1%, respectivamente. Por outro lado, Aracaju e Laranjeiras tiveram as menores parcelas, com 22,2% e 28,2%.

“Em termos do valor distribuído por município, a região metropolitana de Aracaju, constituída por Aracaju, Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão, respondeu por 33,63% do total do auxílio. Percebe-se que as microrregiões de Estância, Tobias Barreto e Itabaiana também se destacam,” sinaliza Luiz Ribeiro.

Efeitos setoriais

A simulação indica também os setores em que o auxílio mais atenua o impacto na economia sergipana. São eles: atividades imobiliárias, serviços às famílias, alojamento e alimentação, e comércio. Já entre as atividades industriais, alimentos e bebidas.

“De forma geral, percebe-se que a política compensatória atenua o impacto em todos os setores. Os serviços, por serem atividades mais demandadas pelas famílias em geral, têm uma redução relativamente maior do impacto,” complementa o professor.

Além de Luiz Carlos Ribeiro, o estudo foi elaborado pelos professores do Leader no Departamento de Economia da UFS, José Ricardo de Santana, José Roberto Lima Andrade, Fábio Rodrigues de Moura, Fernanda Esperidião e Marco Antônio Jorge.

Projeto EpiSergipe

Universidade Federal de Sergipe firmou uma parceria com o Governo de Sergipe para o desenvolvimento de um projeto que visa acompanhar o grau de contaminação e os impactos do coronarívurs em Sergipe. O investimento será de R$ 4.160.000,00.

Subdividido em três vertentes, o projeto terá duração de um ano e consiste em monitorar o nível de infecção por covid-19, identificando-se a prevalência em quinze municípios, estimar os impactos socioeconômicos da pandemia no estado e acompanhar os impactos sociais da pandemia em populações mais vulneráveis.

 

Fonte: UFS

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