Estudo pretende viabilizar criação de ostras no Nordeste

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(Foto: Ascom Sebrae)

Um estudo pioneiro desenvolvido pelo Sebrae pretende avaliar a viabilidade de três sistemas de cultivo de ostras em Sergipe. A meta é identificar qual modelo se adapta melhor às condições naturais da região e disseminá-lo junto aos produtores locais e dos estados de Alagoas, Rio Grande do Norte, Maranhão, Paraíba e Bahia

A pesquisa, que faz parte das ações do Projeto estruturante AquiNordeste, terá duração de 18 meses e está sendo realizada no estuário Piauí- Piautinga, localizado no povoado Pontal, município de Indiaroba. No local foram montadas as estruturas que abrigarão as 36 mil sementes de ostras utilizadas durante o experimento. Todo o trabalho está sendo acompanhado por técnicos especializados e implantado por representantes da empresa catarinense Marine Equipment, uma das maiores especialistas no setor da aquicultura no país.

Os testes pretendem analisar o crescimento e reprodução das ostras mediante a utilização dos sistemas tradicional, em que as sementes são colocadas em estruturas semelhantes a travesseiros, o flutuante, de origem canadense, e o BST, que é bastante aplicado na Austrália.

“O que estamos buscando com o experimento é poder indicar aos empreendedores que desejarem investir na atividade qual o melhor sistema de cultivo para essa região. A proposta é ampliar as chances de sucesso do investimento em ostras no estado, já que possuímos uma riqueza imensa de estuários que ainda não é explorada”, explica a analista do Sebrae em Sergipe e Coordenadora Regional do Aquinordeste do AquiNordeste, Maria Lúcia Alves.

Para identificar a viabilidade dos sistemas, os técnicos levarão em conta aspectos como mortalidade das espécies, índices de salinidade e nutrientes presentes na água e temperatura do estuário. Após a definição do modelo, os responsáveis pelo projeto pretendem também confeccionar estruturas com materiais economicamente mais viáveis, como canos PVC e bambu, para facilitar a utilização por parte dos produtores.

Ciclo de crescimento

Uma outra meta do projeto é  futuramente promover melhorias no sistema escolhido como mais viável, buscando inclusive reduzir o ciclo de crescimento das ostras, que atualmente dura em média doze meses. Isso ajudaria a reduzir os custos da atividade e a trazer maiores ganhos econômicos para os produtores.

Além das equipes do Sebrae e da Marine, um grupo de estudantes do curso de Engenharia de Pesca da Universidade Federal de Sergipe também acompanhará as atividades. Toda a estrutura utilizada durante os testes será doada aos produtores do Povoado Pontal ao final do projeto, por meio de um termo de comodato.

A criação de ostras no Brasil tem se consolidado como uma atividade bastante viável. Cerca de 95% da produção nacional tem origem no estado de Santa Catarina, onde quase todo o molusco é vendido em restaurantes. A espécie apresenta um baixo teor de gordura, contém Ômega 3 e é uma excelente fonte de proteína.

Além de ser uma atividade de baixo custo, a ostreicultura também traz benefícios ao meio ambiente, já que a espécie é um filtro natural. Cada ostra tem a capacidade de filtrar até cinco litros de água por hora.

Em Sergipe, a demanda pelo produto é bastante superior à oferta, o que tem contribuído para elevar o seu preço. Os criadores do Povoado Pontal chegam a comercializar as ostras nos restaurantes de Mangue Seco a R$ 5 a unidade. A expectativa do grupo é que o projeto os ajude a dinamizar ainda mais a atividade.

“A criação de ostras pode se consolidar como um modelo de negócio bastante viável aqui na região. Hoje os trabalhadores que atuam na piscicultura estão sofrendo com a baixa rentabilidade do negócio, já que a produção de peixes tem diminuído muito nos últimos anos no Pontal. A nossa esperança é trabalhar em conjunto com essas pessoas e transformarmos a ostreicultura em uma grande fonte de geração de renda”, destaca o produtor Tarsis Éder.

Fonte: Ascom Sebrae

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