Governadores do NE insistem em partilha dos royalties do pré-sal

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(Foto: Agência Brasil)
Encerrando o seminário ‘Pré-sal e o futuro do Brasil’, em Brasília, os governadores Jaques Wagner (Bahia), Eduardo Campos (Pernambuco) e Paulo Hartung (Espírito Santo) defenderam suas teses acerca da divisão dos royalties provenientes do petróleo da camada pré-sal. Os nordestinos querem que os recursos sejam repartidos de forma equilibrada entre os Estados, enquanto o capixaba discorda.

 

O Espírito Santo, junto a São Paulo e Rio de Janeiro, abriga os maiores blocos na camada.

 

O governador baiano acredita que privilegiar os estados produtores não é justo, tendo em vista a hipótese de danos ambientais e sociais que a exploração petrolífera pode causar às unidades federativas que não integram a chamada província do pré-sal. “Acredito que essa repartição dos royalties deva ocorrer apenas em 2011, mas já me posiciono favorável à divisão equilibrada entre todos os estados brasileiros”, afirmou.

 

Pré-sal deve combater desigualdade regional, acredita governador

 

Fazendo coro com Jaques, o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, foi além e ergueu a bandeira do fim das desigualdades regionais para justificar a sua opinião sobre o assunto. “Um país que estará entre os 10 maiores produtores de petróleo do mundo não pode continuar com essas disparidades”, disse

 

Utilizando um vídeo de curta duração, Campos apresentou duas cidades do interior do Rio Grande do Norte, que são praticamente vizinhas em termos de geografia, mas separadas pelo nível de desenvolvimento. Enquanto Guamaré recebe R$ 2 milhões da Petrobras referentes aos royalties, o município de Pedro Avelino, que não recebe o recurso, pena com baixíssimos índices de desenvolvimento humano.

 

Hartung diz que cidades capixabas precisam tanto quanto às nordestinas

 

Alfinetando o pernambucano, o governador Paulo Hartung disse que não iria utilizar de nenhuma tecnologia para comover a platéia, mas que iria traçar um histórico da economia capixaba para mostrar que o estado também tem necessidades urgentes. “Passamos 300 anos servindo apenas para guardar as riquezas de Minas Gerais, o que levou varias cidades do Espírito Santo a ter índices sociais semelhantes aos do Nordeste”, falou.            

 

Hartung disse que não quer que a riqueza do pré-sal fique estacionada nos três estados produtores, mas que eles devem sim ter privilégios na divisão, pois caso exista danos ambientais e sociais, como citou o governador da Bahia, mesmo atingindo outros estados, será o Espírito Santo o mais atingido.

 

No meio do debate, o governador pernambucano lembrou que existe a possibilidade de incidência de petróleo na camada pré-sal entre a Bahia e o Rio Grande do Norte. “Sei que quando a área for estudada e se confirme que há óleo nos nossos limites geográficos, Espirito Santo, São Paulo e Rio vão me cobrar coerência”, disse.

 

A posição de Déda

 

Ao contrário dos companheiros da região Nordeste, o governador Marcelo Déda (Sergipe), conforme reportagem publicada no Portal Infonet em 02/09/2009, defende que os royalties fiquem apenas nos estados produtores, sendo que os demais estados serão beneficiados com o Fundo Social do Pré-sal, cujos recursos serão oriundos da participação da União na exploração.   

 

Por Glauco Vinícius (enviado pelo Portal Infonet à Brasília, a convite da Petrobras)

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