“Impressões de Sergipe”, por Nena do Nascimento

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Amendoins fervidos na praia, artesanato colorido, mendigos pedindo no centro da cidade, e o chic Shopping Riomar – essas são minhas lembranças de Aracaju de minha infância. Hoje minhas impressões de Aracaju e Sergipe são mais profundas.

 

As cores eram vivas e claras na hora do pôr-do-sol quando eu desembarquei de avião e o táxi fez um tour pela Orla e por diversas partes da cidade. Havia pessoas passeando, correndo, fazendo exercício. Ainda tinha movimento no centro da cidade e uma mistura sons musicais entrava pela janela aberta do carro.  Foi um bom reencontro. 

 

A hospitalidade das pessoas daqui foi umas das primeiras coisas que eu notei. Ainda hoje eu encontro isso nas lojas, nos ônibus, nas praias, nas ruas da cidade e nas casas de pessoas. E como os sergipanos gostam de ter uma conversa! Essa atitude amigável dos sergipanos com os que não são daqui é um dos traços de Aracaju e Sergipe de que eu mais gosto. Faz a experiência de visitar aqui muito mais agradável.

 

Além de as pessoas serem amáveis, eu percebi imediatamente que hoje há menos pobreza – ou, pelo menos, menos mendigos nas ruas. A cidade também parece mais limpa e organizada. Afora isso, têm mais restaurantes interessantes e mais coisas para fazer como visitante. Saboreei comida japonesa, italiana, francesa, entre outras comidas – existe uma maior variedade de restaurantes. Contudo, gostei mais dos restaurantes com comida típica: a suculenta carne do sol, a macaxeira frita crocante, a romântica tapioca Romeu e Julieta, a deliciosa macaxeira ao forno e o caranguejo. Adoro caranguejo!

 

Outra coisa que observei é que parece que Aracaju está crescendo muito. Disso são amostras a ponte que está sendo construída e recentemente houve a inauguração de nova parte da Orla. Eu acho essa orla muito linda com as mudanças atuais, com mais espaço verde e mais áreas para esporte e lazer. Às vezes eu corro na Orla nos fins de tarde. Tem o vento do mar, a praia bem iluminada, pessoas jogando vôlei ou futebol. Quando as fontes já estão iluminadas, tudo fica maravilhoso!

                                                                                                     

Comparadas a Olinda e Salvador, também cidades muito lindas, eu acho muito legal que em Aracaju, mesmo nas praias onde tem muita gente, não existam pessoas incomodando turistas e sendo agressivas. Visitando essas outras cidades, às vezes eu tive mesmo vontade de voltar para Aracaju porque era um pouco irritante ter tantas pessoas perturbando a gente.

 

Eu também fui a Porto de Galinhas, em Pernambuco e, honestamente, ainda que a água de lá seja muito clara e linda, eu prefiro as praias de Aracaju! Lá tudo é muito apertado e cheio demais. Aqui, ao contrário, as praias são espaçosas, a água é sempre quente, tem boa comida e tudo está muito tranqüilo. É perfeito para as férias.

 

Nunca dancei tanto em minha vida! Não tinha idéia que pessoas poderiam festejar tanto –  graças em parte à Prefeitura que patrocina tantas ocasiões para se divertir. Parece que cada dia tem um novo outdoor anunciando um novo show, outra festa. Eu fui à Festa da Fantasia, por exemplo, e fiquei muito impressionada. Gostei do ambiente dos shows ao ar livre bem como o ambiente do lindo teatro Tobias Barreto. Na minha opinião, não faltam coisas para fazer à noite.

 

A primeira vez que eu fui ao sertão, logo me apaixonei – a paisagem de Sergipe é muita bonita. Não sei bem como explicar, mas as árvores, o mato, as colinas suaves, as cores, enfim, tudo é bem diferente do que eu conheço. Também achei o trabalho dos camponeses muito nobre. Como alguém que vem de um país com agricultura feito por grandes farms industriais e feias das corporações, é muito importante continuar essa tradição. Mesmo assim, a pobreza do interior é demais. Parece como dois mundos – o contraste entre os apartamentos azulejados de Aracaju com os barracões de taipa no interior.

 

Agora, é obvio que eu gosto de Aracaju e Sergipe. Então como visitante, quero dar algumas dicas, que em minha opinião, pode fazer essa cidade mesmo mais legal.

 

Primeiro, eu sempre estou surpresa com o fato de não ter mais gente nos fins de tarde na Orla caminhando, correndo, praticando esportes. É um lugar tão agradável de Aracaju, e seria mais agradável com mais pessoas curtindo. Também é difícil demais cruzar a rua de um lado ao outro da Orla. Não é agradável para pedestres.

 

Uma coisa que não consigo entender é porque existem tantos esgotos sem cobertura nas áreas mais bonitas de Aracaju. Em certas horas do dia torna-se muito desagradável o cheiro que vem dos canais abertos e da beira do rio Sergipe. Com todas essas mudanças na Orla e na ponte, por quê não existe dinheiro para cobrir esses esgotos?

 

Hoje eu sei que os sergipanos gostam de se divertir, mas eu gostaria de ter conhecido mais a cultura e a historia de Sergipe. Não quero fazer comparações, mas quando eu fui a Salvador eram tantas esculturas, museus, e memoriais que, quase sem se dar conta, a gente aprende muito da historia e da cultura daquela cidade. Considerando que Sergipe tem muita historia interessante e cidades como Laranjeiras e São Cristóvão que são lindas e cheias de historia, seria muito interessante de ver mais disso por aqui.

 

O quê mais? Desculpe-me o leitor, mas não consigo entender porque os sergipanos jogam tanto lixo nas ruas. Por onde passo eu vejo pessoas jogando coisas dos carros, dos ônibus, na praia, no centro etc. É impressionante! Isso não dá uma boa impressão para as pessoas que visitam Sergipe.

 

Em suma, eu adoro Aracaju e Sergipe e espero poder voltar com mais freqüência por aqui. Especialmente por que, depois desses três meses, já me sinto um pouco sergipana.

 

(*) Nena do Nascimento é estudante americana de Desenvolvimento Internacional na Universidade McGill, em Montreal, no Canadá.

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