Imprevisível, mercado de renda variável é opção ousada para investir

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Imprevisível, mercado de renda variável é opção ousada para investir (Foto: Pixabay)

Os investimentos em renda variável são menos tangíveis que os outros. Ousar e aplicar dinheiro neste modelo pode ser bastante arriscado, tendo em vista a imprevisibilidade do mercado financeiro. Em compensação, os rendimentos podem ser bem maiores do que quando se investe em renda fixa.

O assessor de investimentos e economista Rafael Saldanha detalhou que as modalidades são mercado de ações, mercados futuros, fundos de índice e ofertas públicas. “Aqui não há contratação de taxa, como na renda fixa. O Ibovespa, por exemplo, que é o índice de ações e a média do mercado de ações, subiu em 2016 40%, em 2017 20%, em 2018 subiu em algo perto de 15%. Entretanto pode fechar o ano com rentabilidade negativa. Anteriormente, fechava negativo em meados de 2011. É um mercado mais agressivo, porque você pode até perder com eles. Em um ano você pode ganhar até 40% e em outro perder 10%”, alertou.

Mercado de ações

Rafael detalha as opções de investimentos em renda variável (Foto: Portal Infonet)

O economista explicou que, neste tipo de investimento, as empresas se lançam no mercado de ações para lucrar e utilizar o dinheiro das vendas de ações para investimento próprio. Nestes casos, o risco de crédito é praticamente zero.

Segundo ele, o investidor pode lucrar tanto na distribuição de lucros quanto na valorização da ação. “Quando se compra ações, se adquire parte de uma empresa, então a pessoa se torna sócia. As empresas querem se capitalizar, adquirir recursos para investir em expansão, tecnologia, projetos, contratações, marketing e etc, aí elas se lançam na bolsa e convidam novos sócios. A pessoa pode ganhar dinheiro através dos dividendos, ou seja, distribuição dos lucros, e também do ganho de capital, que é o quanto a ação valoriza. Ou seja, se comprei a ação a R$5, ela subiu para R$10, então ganhei 100% por ação. Quando falamos em ações, as pessoas associam mais ao ganho de capital do que aos dividendos. O Ibovespa é o termômetro do mercado, é o balanço de todo o comportamento.

Mercados futuros

Conhecido principalmente por mercado de ‘trade’, esta operação permite que o investidor aplique mais dinheiro do que realmente possui em conta. Rafael comentou que os lucros são obtidos através da variação do mercado, via especulação.

“A operação funciona no modo que chamamos de ‘alavancado’, onde o investidor não precisa de dinheiro muito alto na conta. Ele pode ter R$1 mil, operar com R$100 mil e ganhar a variação do dólar e do índice Ibovespa. O mercado futuro é operação do valor futuro do dólar, e quando o câmbio mexe a paridade do real com o dólar ou do real com o índice Ibovespa , com soja, com milho, petróleo ou outras mercadorias. Se o dólar, por exemplo, sair de R3,80 para R$3,85, o aplicador ganha cinco centavos por dólar. Mas a operação alavancada não precisa ter dinheiro para ‘comprar’ R$100 mil dólares, posso ter R$1 mil, R$2 mil em conta. Quando fecho o ganho, ele é muito alto. Mesmo com pouco dinheiro em conta, o investidor pode arriscar para ganhar ou perder muito. Se tenho R$1 mil em conta e opero com R$100 mil, se ganho 1%, para mim, que só tenho R$1 mil em conta, é um ganho de 100% do capital total.

Saldanha explicou que o processo de ‘alavancamento’ do valor acontece já durante a abertura de conta nas corretoras. “Eles exigem uma margem e permitem ordens de compra e venda. A margem do mercado futuro, para o mercado de dólar, é de R$80 por contrato. Então, se opera US$10 mil, com a cotação do dólar a R$3,80, a pessoa opera R$38 mil. O ganho vem em cima da variação, e não do que tem em conta. Esse é um mecanismo automático das corretoras. Hoje se fala muito de gente que vive de trade, há muitos cursos sobre bolsa. Eu gosto de fazer, é bem legal, dá para tirar um bom dinheiro, mas é difícil conseguir uma consistência por conta do emocional. A pessoa opera um valor bem maior do que tem, então há uma técnica. 90% do que se precisa é emocional, conseguir se controlar”, comentou.

Fundo de Índice (ETF)

O Fundo de Índice de ETF [Exchange Traded Funds] é um tipo de aplicação que visa replicar o desempenho e o índice de bolsas. O economista Rafael Saldanha explicou que é um tipo de gestora que compra ações que irão repetir o movimento dos índices. “Se o Ibovespa subir 1%, o ETF Bova11, que replica o Ibovespa sobre 1%. Tem o SP500, que replica a bolsa dos Estados Unidos. A ideia é replicar o desempenho de índices de ações”.

Ofertas Públicas

Os investimentos em ofertas públicas podem acontecer em dois momentos: no mercado primário, quando uma empresa de capital fechado se lança no mercado para se capitalizar; e no mercado secundário, quando as ações são negociados entre os investidores. “Se a empresa quer, por exemplo, se capitalizar para aumentar suas unidades no país, ela lança as ações na bolsa, convidando novos sócios. Geralmente, nesta fase, há um bom desempenho. O outro tipo, o mercado secundário, o negócio é feito de investidor para investidor, então se alguém compra uma ação hoje e vende amanhã, o dinheiro não vai mais para a empresa, e sim para o vendedor”, explicou.

Por Victor Siqueira

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