Inflação muda destino de quem almoça fora

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Barracas populares são alternativas ao aumento dos preços
A crescente alta nos preços dos alimentos tem mudado o destino de muitos aracajuanos que diariamente almoçam fora de casa. Diante do aumento de produtos como feijão, milho, carne e arroz, os donos de restaurantes precisam reajustar o preço dos pratos, o que fez parte de sua clientela a procurar opções mais baratas na hora do almoço, como as barraquinhas de sanduíches e lanches mais baratos.

De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), comer fora ficou 15% mais caro depois da crise no setor de alimentos. Para fugir do preço mais alto que apontava na balança do restaurante, o auxiliar de escritório Jobson Cruz trocou a comida a quilo pelo salgado na barraca de dona Magda. “Hoje num restaurante você gasta mais ou come menos. Aqui eu satisfaço minha fome e ainda economizo bem mais”, disse.

Empresários diminuem margem de lucro para não perder clientela
Para sustentar a comercialização do salgado junto ao copo de suco por R$ 1, dona Magda tem algumas táticas. “O trigo também aumentou, por isso às vezes é preciso diminuir a quantidade de recheio, no caso dos que levam frango a gente põe um pouco de soja e assim vai”, revelou. Mas o segredo mesmo está na redução do lucro, segundo ela. “Tem que baixar o ganho senão espanta a freguesia toda”, falou.

Nos restaurantes

Em um movimentado restaurante localizado no centro de Aracaju, também foi preciso diminuir a lucratividade para congelar os preços e não perder para a concorrência. “Há um ano e meio atrás comprávamos carne a R$ 8 e hoje o mesmo produto só chega por R$ 12,50. Mas se passarmos este valor ao consumidor acabamos perdendo mais”, argumentou Patrícia Tereza, gerente do estabelecimento.

Comer fora está 15% mais caro, segundo Abrasel
A mesma alternativa não foi adotada em outro restaurante no conjunto Augusto Franco, cujo preço do quilo da comida subiu 30% em um ano. Cliente fiel do lugar, a estudante Renata Silva falou que prefere a refeição tradicional ao calórico lanche, mesmo com o valor mais alto. “Mas no final do mês não tem jeito, a solução é correr pra barraquinha do caldo de cana”, diverte-se.

Entenda a alta nos alimentos

Nos últimos três anos, o preço dos alimentos quase triplicaram no mundo inteiro e o Brasil começou a sentir a força desta alta em 2008. O aumento no consumo alimentício, os problemas climáticos nas regiões produtoras e os preços recordes do petróleo (que atinge diretamente as máquinas agrícolas) são alguns dos fatores que contribuíram para isso.

Por Glauco Vinícius e Ben-Hur Correia

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