Jovens quilombolas participam de intercâmbio em ecogastronomia

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Os participantes experimentaram receitas como brigadeiro de macaxeira, linguiça defumada de jaca, rapadura de goiaba, dentre outras (Fotos: Semear arquivo Semear Internacional)

Foi realizado em Sergipe esta semana, entre os dias 24 e 27, o “I Intercâmbio em Ecogastronomia Slow Food para os jovens dos projetos FIDA no Brasil”. O encontro voltado para jovens rurais reuniu a valorização da cultura quilombola ribeirinha do Baixo São Francisco, produtos e ingredientes da região nordeste e muita criatividade somada à vontade de aprender dos jovens do campo.

Nos primeiros dias, 24 e 25, os participantes conheceram a produção local de alimentos a base de pescados, mandioca e coco e fizeram vista de campo às comunidades como Resina, Saramém e Grejão dos Negros. A abertura foi na comunidade quilombola Santa Cruz, Brejo Grande, com acolhida festiva e degustação do que há de melhor na culinária ribeirinha.

Nos dois últimos dias, 26 e 27, o evento aconteceu na cozinha escola do Senac, com as orientações de chefs de cozinha que repassaram técnicas de manejo destes alimentos, bem como a substituição de ervas comuns na culinária por produtos da região Nordeste. Os jovens participantes conheceram as técnicas desenvolvidas pelo chef Timóteo Domingos, idealizador do Projeto Gastrotinga e autor do livro “O Chef do Sertão”, com receitas como coxinha de cacto, pizza de palma, bolo de casca de abóbora, doce de folha de umbuzeiro. Conheceram também a experiência partilhada pela chef Leila Carreiro, natural de Salvador, especialista na cozinha Patrimonial da Bahia, comandará uma oficina com receitas da cozinha regional, em especial do Recôncavo de matriz africana.

O evento foi construído em parceria entre o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Governo do Estado de Sergipe, Semear Internacional e Movimento Slow Food, com a proposta de trazer para os jovens rurais o conceito inovador da ecogastronomia. A realização tem caráter de capacitação e traz a abordagem de que o alimento deve ser “bom” em relação ao sabor, “limpo” no aspecto ecológico e de bem-estar e “justo” em respeito aos agricultores e seu conhecimento, à vida no campo e a acessibilidade para o consumidor.

Dos 25 jovens que participaram desta experiência 12 são de comunidades quilombolas de Brejo Grande, Ilha das Flores e Neópolis, atendidas pelo Projeto Dom Távora que é realizado numa parceria entre o Governo de Sergipe e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA). Os demais participantes são das comunidades rurais também atendidas por este órgão internacional nos estado da Paraíba (Projeto Procase); Piauí (Projeto Viva o Semiárido); Bahia (Projeto Pró Semiárido); e Ceará (Projeto Paulo Freire).

“Estamos em uma região muito rica, com mais de 40 comunidades quilombolas registradas e uma infinidade de alimentos que trazem muito desta metodologia aplicada pelo Slow Food. Estamos aqui para mostrar que o alimento é a expressão de uma cultura, de uma produção agrícola, da identidade de um povo”,disse a coordenadora do Slow Food Nordeste, Revecca Tapie.

A secretária Rose Rodrigues participou da abertura do evento. Ela disse estar muito satisfeita com a parceria com o FIDA porque tem dado muitos resultados e ajudado as comunidades rurais de Sergipe. “Vocês estão pisando no local que tem uma história de resistência territorial e cultural. Serve como exemplo para resistirmos ao modelo consumista que está ai. Uma comunidade que a ver com a proposta de se discutir segurança alimentar a partir daquilo que a natureza e seus territórios lhe oferecem”, acrescentou a secretária.

“O grande diferencial do FIDA é justamente apoiar e incentivar atividades que historicamente não vem sendo valorizadas como merecem, por outras instituições. O que o FIDA quer é justamente que momentos como este aqui possam ser disseminados e que o conhecimento aqui adquirido, seja repassado para o máximo de pessoas possível”, disse o oficial de programas do FIDA para o Brasil, Leonardo Bichara.

 Fonte: SEAGRI

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