O domingo é sagrado – Ronildo Almeida

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Nos últimos dez anos, especialmente após a entrada no varejo de empresas estrangeiras, os trabalhadores do comércio vêm sofrendo as investidas dos patrões – sempre em busca de maiores lucros – no que diz respeito ao trabalho aos domingos e feriados. Liminares são conseguidas, todo e qualquer artifício é válido.

Exceto as grandes empresas e alguns lojistas de shopping center, a ninguém mais interessa a abertura do comércio aos domingos e feriados: para o pequeno empresário, esse expediente representa uma concorrência desleal, vez que os custos operacionais daí decorrentes não são compatíveis com o desempenho das vendas.

Para os trabalhadores, o domingo é o dia em que é possível uma convivência mais estreita entre os membros da família, em que se tornam concretos os gestos de afetos, a freqüência aos cultos religiosos, a praia, a refeição com todos juntos, ou até mesmo o momento de relax diante da televisão. Some-se a esses, o fato de que é no domingo que as mulheres colocam em dia as tarefas domésticas, enquanto os homens realizam pequenos reparos e aqueles que estudam, encontram folga para também organizar suas tarefas e outros afazeres escolares.

Alegar que o funcionamento do comércio aos domingos é uma questão de modernidade, de evolução, até pode ser, desde que não seja à custa do sacrifício do trabalhador. Aliás, empresas como o G. Barbosa/sucessores chilenos e Paes Mendonça/Bompreço/Wall Mart (americanos), sempre atuaram sem o trabalho aos domingos e feriados, e há muito ocupam posições de destaque no ranking nacional das rede de supermercados.

Como poder ser possível a jornada em domingos e feriados se os patrões são intransigentes quanto a negociação de salários, condições de trabalho e garantias?

Autor: Ronildo Almeida (Presidente do Associação dos Comerciários)

Debate: Comércio deve abrir aos domingos e feriados?

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