O preço da farinha aumentou em Aracaju em 165,99%

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(Foto: Arquivo Portal Infonet)

Em maio, houve predomínio de retração nos preços dos produtos alimentícios essenciais e 12 das 18 capitais onde  Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) realiza, mensalmente, a Pesquisa Nacional da Cesta Básica apresentaram este comportamento. A predominância de reduções nos preços da cesta não ocorria desde novembro do ano passado. As maiores retrações foram apuradas em Manaus (-4,91%), Salvador (-3,76%), e Belo Horizonte (-3,00%). Altas ocorreram em seis capitais, as mais significativas registradas em Campo Grande (3,59%), Porto Alegre (3,49%) e Goiânia (3,43%).

Apesar de o preço da cesta paulistana ter diminuído (-0,65%) no ultimo mês, São Paulo continuou a ser a capital onde se apurou o maior valor para o conjunto de produtos essenciais (R$ 342,05). Na sequência aparece Vitória (R$ 325,87), Porto Alegre (R$ 323,17) e Manaus (R$ 322,98). Os menores valores médios foram observados em Aracaju (R$ 240,72), Salvador (R$ 257,98) e Campo Grande (R$ 281,40).

Com base no custo apurado para a cesta de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser capaz de suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em maio deste ano, o menor salário pago deveria ser de R$ 2.873,56, ou seja, 4,24 vezes o mínimo em vigor, de R$ 678,00. Em abril, o mínimo necessário era maior, equivalendo a R$ 2.892,47 ou 4,27 vezes o piso vigente. Em maio de 2012, o valor necessário para atender às despesas de uma família chegava a R$ 2.383,28, o que representava 3,83 vezes o mínimo de então (R$ 622,00).

Variações acumuladas

No acumulado dos primeiros cinco meses de 2013, as 18 capitais apresentaram alta nos preços da cesta básica. As maiores elevações situaram-se em João Pessoa (20,49%), Aracaju (17,97%) e Natal (17,53%). Os menores aumentos foram verificados em Florianópolis (5,69%), Belo Horizonte (8,22%) e Porto Alegre (9,78%).

Em doze meses – entre junho de 2012 e maio último – período em que o DIEESE divulgava a estimativa de preços da cesta básica em 17 capitais, sem os dados de Campo Grande – MS, os aumentos do custo da cesta básica, embora em desaceleração, ainda matêm-se acima de 10% em todas as regiões. As maiores variações ocorreram em: Fortaleza (26,85%), João Pessoa (26,84%) e Rio de Janeiro (23,39%). As menores taxas foram verificadas em Salvador (13,03%), Curitiba (16,68%) e Manaus (18,37%).

Cesta x salário mínimo

Devido à predominância de recuo nos preços, em maio, para comprar os gêneros alimentícios essenciais, o trabalhador remunerado pelo salário mínimo precisou realizar, na média das 18 capitais pesquisadas, jornada de 97 horas e 17 minutos, tempo inferior às 98 horas e 05 minutos exigido em abril. Em relação a maio de 2012, a jornada comprometida foi maior, pois naquele mês eram necessárias 88 horas e 21 minutos.

Quando se compara o custo da cesta com o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em maio, 48,07% de seus vencimentos para comprar os mesmos produtos que em março demandavam 48,46%. Em maio de 2012, o comprometimento do salário mínimo líquido com a compra da cesta equivalia a 43,65%.

Comportamento dos preços

Em maio, os preços da cesta básica foram influenciados principalmente pela queda em produtos como tomate, óleo de soja, café em pó, carne bovina e açúcar. No mês, o tomate, produto cujo preço vinha aumentando desde o começo do ano, ficou mais barato em 14 cidades. As maiores retrações ocorreram em Natal (-32,60%), Aracaju, (-29,20%), Belo Horizonte (-26,45) e Recife (-22,69%). As altas foram localizadas em quatro cidades: Fortaleza (12,09%), Goiânia (11,74%), Porto Alegre (9,94%) e Campo Grande (0,82%). Embora com variações menores do que em abril, na comparação anual, os preços do tomate aumentaram em 16 capitais. As altas mais expressivas ocorreram no Rio de Janeiro (147,69%), Florianópolis (116,95%) e Curitiba (111,11%). Os menores aumentos foram apurados em Natal (21,39%), Manaus (29,46%) e Recife (37,65%). Salvador (-10,94%) foi a única cidade na qual os preços do tomate diminuíram em relação ao ano passado.
Seguindo o comportamento apresentado no mês passado, o óleo de soja ficou ainda mais barato em 15 cidades. Os destaques de queda ficaram por conta de Aracaju (-24,36%), Salvador (-12,17%) e Belo Horizonte (-10,15%). As altas foram apuradas em três cidades: Florianópolis (8,33%), Campo Grande (7,54%) e Brasília (1,89%). Na comparação anual os preços do produto diminuíram em 12 capitais, com as quedas situando-se entre -25,08% em Aracaju e -0,28% em Belém.  A principal alta ocorreu em Manaus (17,65%).

O café ficou mais barato no mês de maio, com os recuos apurados em 13 cidades. Os mais intensos foram verificados em Salvador (-13,77%), Fortaleza (-4,28%) e Recife (-3,81%). As altas ocorreram em cinco cidades, a mais significativa em Campo Grande (9,57%). Nas outras quatro capitais, as elevações no preço do café em pó foram moderadas: Belo Horizonte (0,84%), Brasília (0,78%), Rio de Janeiro (0,77%) e Belém (0,41%). A produção do café tem ciclo normal de dois anos, um com safra muito boa, seguido por outro, de baixa, quando os volumes diminuem, Este ano, apesar de ser de baixa, a produção deve ser expressiva o que pode influenciar os preços no varejo, da mesma forma que as recorrentes quedas de preço do produto no mercado internacional. Na comparação anual, os preços do café aumentaram, na comparação anual, em 14 cidades, sendo os avanços mais significativos em Vitória (18,30%), Fortaleza (10,71%) e Rio de Janeiro (7,22%). As quedas foram apuradas em Goiana (-6,16%), Salvador (-2,92%) e Brasília (-1,09%).

O preço da carne bovina, produto de maior peso na composição do valor da cesta básica, apresentou predominância de queda, diminuindo em 11 das 18 capitais pesquisadas. As maiores retrações ocorreram em: Salvador (-11,45%), Florianópolis (-2,78%) e Fortaleza (-2,73%). Os aumentos ocorreram em sete localidades, com destaque para Aracaju (4,80%), Goiânia (3,27%) e Manaus (1,93%). Os preços da carne podem refletir as sucessivas quedas verificadas no atacado, e também a diminuição das exportações no mês. Na comparação anual, houve recuo em seis localidades e altas em onze, sendo as mais expressivas: Florianópolis (13,65%), Goiânia (7,43%) e Aracaju (6,85%).

O açúcar barateou em 11 das 18 capitais pesquisadas. As retrações mais expressivas registraram-se em Aracaju (-18,72%), Recife (-8,04%) e Salvador (-7,14%). Houve aumento em seis cidades, com destaque para: Campo Grande (13,24%), Brasília (4,68%) e Curitiba (2,75%). Em Natal, foi registrada estabilidade. Os preços do produto no varejo podem refletir os bons resultados esperados na produção de açúcar, decorrentes da boa safra da cana, que tem ocasionado queda no valor das sacas do produto nacionalmente. Os resultados anuais também refletem essa conjuntura, com os preços do açúcar no varejo recuando em 15 das 17 capitais com informação disponível. As maiores retrações foram apuradas em: Aracaju (-31,25%), Manaus (-17,39%) e Belo Horizonte (-16,05%).

O preço do arroz, mantendo o comportamento iniciado em março, também contribuiu para moderar custo da cesta básica na maioria das capitais pesquisadas. Em maio, foram apuradas oito reduções, sendo as mais significativas em Salvador (-13,31%), Belém (-4,26%) e Belo Horizonte (-3,95%). Em Porto Alegre, Fortaleza e São Paulo os preços não variaram. Elevações foram apuradas em sete capitais, com destaque para Campo Grande (7,62%), Aracaju (6,46%) e Natal (3,69%). No entanto, esse comportamento mais moderado não resultou em redução quando comparados com maio de 2012, com registro de alta acima de 10% em todas as capitais. Os destaques são: Belém (40,63%), João Pessoa (29,97%) e Porto Alegre (27,43%).

Entre os produtos com predomínio de alta no mês, o leite in natura foi o destaque, ficando ainda mais caro em 17 capitais. As maiores elevações ocorreram em Salvador (11,52%), Porto Alegre (6,12%) e Natal (5,10%). A única queda foi apurada em Aracaju (-1,14%). Os preços no varejo estão influenciados pela alta ao produtor, devido a queda de oferta de leite e a maior demanda das empresas de laticínios. Em relação ao ano passado, o aumento ficou mais intenso, verificando-se em todas as capitais. Destaque para: Salvador (42,18%), Fortaleza (25,46%) e João Pessoa (24,89%).

O feijão também ficou mais caro, com aumento em 16 capitais. As maiores elevações ocorreram em Aracaju (15,10%), Belém (14,13%) e Natal (11,41%). As altas menos significativas aconteceram no Rio de Janeiro (0,51%), Brasília (0,98%) e Fortaleza (1,36%). Recuos foram registrados em Vitória (-2,96%) e Florianópolis (-0,78%). Na comparação anual, houve aumento nas 17 capitais, com as variações mais expressivas em Salvador (40,09%), Aracaju (37,35%) e Brasília (32,46%). As menores elevações foram apuradas em Belém (4,65%), Fortaleza (10,39%) e Florianópolis (10,58%). Os preços no varejo ainda são influenciados pela oferta restrita de feijão e por estoques baixos do produto. Em algumas regiões, ainda se colhe parte da segunda safra, sendo possível que ocorram reduções nos preços nos próximos meses. Não são esperadas, porém, grandes quedas, pois a estimativa de oferta total do produto vem apontando sucessivas baixas.

O preço da farinha subiu em 11 capitais, de forma maismoderada que nos meses anteriores. Os destaques são para: Goiânia (5,28%), Campo Grande (4,14%) – cidades onde é pesquisada a farinha de trigo – e Belém (3,97%), caso em que é acompanhado o preço da farinha de mandioca. Houve queda em sete cidades, com destaque para Salvador, (-22,20%), Recife
(-6,23%) e Fortaleza (-5,48%). Essa redução pode estar relacionada à colheita da raiz de mandioca, que permitiu o aumento do processamento e da oferta de farinha.

Na comparação anual, no entanto, os preços da farinha aumentaram em todas as 17 capitais. Os maiores aumentos foram para a farinha de mandioca, como ocorreu em Manaus (171,68%), Aracaju (165,99%) e Belém (154,05%). As menores elevações deram-se em Florianópolis (12,35%), Brasília (16,87%) e Belo Horizonte (20,37%), todas regiões onde é acompanhado preço da farinha de trigo.

O preço do pão francês ficou mais caro em 11 capitais. As maiores altas ocorreram em Salvador (3,78%), Natal (3,55%) e Aracaju (3,13%). As retrações foram apuradas em sete cidades: Goiânia (-3,39%), Recife (-2,00%), e Fortaleza (-0,29%). Na comparação anual, o pão francês ficou mais caro em 16 localidades, sendo os maiores aumentos identificados em: Salvador (32,22%), Brasília (19,19%) e São Paulo (19,15%).

Fonte: Ascom Dieese

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