O Sistema Bancário Brasileiro

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O Banco Central do Brasil divulgou no dia 20 de setembro de 2011, o Relatório de Estabilidade Financeira do 1º semestre de 2011 e dele irei abordar alguns pontos que caracterizam o sistema bancário brasileiro.

O ponto mais relevante da análise inicial do sistema bancário brasileiro é a sua capacidade de solvência que permanece robusta, conforme  testes de estresse que foram realizados.

Registre-se neste cenário de robustez do sistema, as medidas macroprudenciais que foram implementadas desde dezembro de 2010, que visavam adequar o ritmo de evolução do crédito, foram eficazes e evitaram alongamentos excessivos em determinadas operações comerciais. Mas mesmo assim, ou seja, com um ritmo inferior no avanço do crédito, os bancos conseguiram crescer nos resultados, graças ao acompanhamento mais determinístico das operações, evitando-se crescimento da inadimplência.  Porém, o sistema bancário entende que existem desafios constantes a serem superados, especialmente com um cenário internacional incerto.

O sistema bancário brasileiro fechou um 1º semestre de 2011 com elevada liquidez, pois apresentou um estoque superior a R$ 400 bilhões em recolhimento de compulsório, o que permite ajustes caso haja necessidade de melhoria de liquidez no sistema. Tem-se também um elevado volume de captações no mercado doméstico que é suficiente para financiar as operações demandadas.

Também julgo importante apresentar como está a caracterização do Sistema Financeiro Nacional, fins entendimento da sua funcionalidade e importância nas relações comerciais. No primeiro semestre de 2011 ocorrem poucas mudanças na estrutura das instituições financeiras,  o que ocorreu foi a mudança de 03 bancos de investimentos e arrendamento mercantil para bancos múltiplos, a entrada de um novo banco comercial e a intervenção em um Banco Múltiplo, ou seja, uma ampliação do espectro de atuação bancária.

Do ponto de vista da evolução quantitativa dos Bancos, o Brasil possui 180 bancos, sendo a maioria bancos múltiplos que são 139, o que representa 77,22% dos bancos que atuam no Brasil, também temos 20 bancos comerciais, 04 bancos de desenvolvimento, 14 bancos de investimento, 02 bancos de câmbio e, 01 caixa econômica, registrando-se que apenas 10 bancos são públicos, sendo 05 federais e 05 estaduais. Destaque-se que as unidades federativas que não possuem bancos estaduais têm buscando atuar através das agências de fomento que evoluíram de 12 em 2008 para 16 no fim do primeiro semestre de 2011. Como o sistema financeiro possui 2.273 instituições, os bancos em termos quantitativos representam 7,92% do Sistema Financeiro Nacional e, quem possui maior representação, são cooperativas de crédito que representam 59,30% do sistema.

Outro quantitativo importante para uma maior visualização da atuação dos Bancos e conhecer o número de agências bancárias, o Brasil passou de 18.087 agências em 2006 para 19.981 agências no primeiro semestre de 2011, uma evolução de 10,47%.  Mas a distribui das agências bancárias por região evoluiu de forma bastante diferenciada. O maior crescimento no quantitativo ocorreu na Região Centro-Oeste que passou de 494 agências em 2006 para 1.530 agências em 2011, crescimento de 209,71%; depois vem a Região Nordeste com um crescimento de 93,32%, evoluindo de 1.483 agências em 2006 para 2.867 agências em 2011; o Sul apresentou um crescimento leve de 5,40%, passando de 3.611 agências para 3.806 agências; por outro lado,  ocorreu redução nas Regiões Norte e Sudeste; na Região Nordeste o decréscimo foi de 34,57%, caindo de 1.293 agências em 2006 para 846 agências em 2011 e na Região Sudeste, a redução foi menor de 2,45%, saindo de 11.206 agências em 2006 para 10.932 agências em 2011.  Mas ainda assim, a Região Sudeste possui mais da metade das agências bancárias do país (54,71%),  seguida do Sul com 19,05%; depois o Nordeste com 14,35%; o Centro-Oeste com 7,66% e por último o Norte com apenas 4,23% das agências bancárias brasileiras. Esta referida distribuição, na minha visão possui correlação positiva com a dinâmica econômica das referidas Regiões Brasileiras.

Outro quesito de análise do Sistema Financeira Nacional é a participação estrangeira no mercado bancário brasileiro. De acordo com o Relatório do Banco Central, houve ingresso de duas instituições controladas pelo grupo Wetern Union; um banco comercial e uma corretora de câmbio.

Em conclusão, um passo importante a ser dado pelos bancos é a evolução da difusão de conhecimentos sobre finanças para a população em geral, pois muitas pessoas estão acessando crédito pela primeira vez e necessitam de noções de educação financeira.

*Saumíneo da Silva Nascimento – Economista e Presidente do Banco do Estado de Sergipe

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