Pequena produção de agrícolas causa aumento na cesta básica no Estado

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Economista Luiz Moura
Dos 12 elementos existentes na cesta básica nordestina, Sergipe é produtor de nove alimentos. Este pode ser um forte argumento para questionar o porquê da cesta no Estado ser uma das mais caras do Nordeste.

De acordo com o economista e coordenador do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em Sergipe, Luis Moura, a maioria dos produtos da cesta de Sergipe, no caso dos encontrados nas redes de supermercados, vem de fora do Estado. Os produtores sergipanos não têm condições de oferecer a quantidade e o tempo necessário que os supermercados exigem.

“Eles não teriam capacidade em um momento de disponibilizar seis toneladas de tomate
para a mesma semana, com a eficiência de prazo e com a regularidade que o supermercado exige”, analisa Luis Moura, ao acrescentar que esses mesmos produtos são vendidos no município de atuação ou nas feiras livres.

Produtos como tomates são trazidos de Pernambuco e o feijão vem do Paraná. E de acordo com Luiz Moura, este é um dos motivos para que não se perceba diferença nos preços. “Outro ponto que facilita esta equiparação de preços são redes de supermercados de atuação nacional operando. Como exemplo, podemos citar supermercados de uma mesma rede em Aracaju e Salvador que conseguem fazer o que chamamos de preço de monopólio. Que é uma política de preços nacional e não específica para cada Estado”, diz o economista.

Monopólio

Em se tratando de monopólio, o economista analisa questões referentes à concorrência imperfeita nas últimas décadas no Estado e principalmente na capital sergipana. “A situação já foi pior. Já tivemos um monopólio de supermercados que encaminhou a cesta para a mais cara do Nordeste. Depois da quebra e com a atuação de mais três redes, essa situação melhorou. Algumas vezes Sergipe fica com a mais cara por causa do abastecimento de um ou outro produto, mas não acontece com a freqüência que existia antes. Eram quase todos os meses do ano. Neste ano, aconteceu duas vezes”, explica.

Com a queda do monopólio a diferença de valores nas cestas do país modificou. Antes havia uma diferença de R$ 10 entre as cestas do Nordeste, com a mudança o preço caiu para uma variação de dois reais, “mostrando que a prática que havia era extremamente danosa para o consumidor sergipano”.

Para Luis Moura, a estratégia ideal para o consumidor é comprar produtos da agricultura nas feiras livres, pois, em sua grande maioria, são abastecidas pelos produtores sergipanos e têm uma estrutura melhor que a do supermercado. “Todo bairro tem uma. O problema é que o supermercado oferece condições que os feirantes não oferecem como a carta de crédito, pagamento a prazo, o sujeito opta comprar o quilo do tomate a R$ 1,38 do que pagar R$ 0,80 na feira livre”, exemplifica.

Pesquisa

Cesta básica encarecida pela baixa produção agrícola
A Pesquisa em Locais de Compra foi iniciada no estado de Sergipe em setembro de 1995 e foram entrevistados 1200 trabalhadores. Nela, foi perguntado aos entrevistados onde compravam os produtos e a grande maioria respondeu em supermercado. Poucos eram os produtos comprados nas feiras livres. “Há uma preferência do consumidor ao supermercado pelas comodidades. Eu recomendo que as pessoas procurem as feiras livres no caso dos produtos agrícolas, para ter uma economia significativa ao longo do mês”, conta.

Ele revela que o principal motivo da pesquisa que o Dieese faz em 16 capitais nacionais não é medir o custo de vida, mas denunciar que o salário mínimo constitucional nunca foi cumprido. “Será lançanda em breve uma pesquisa mensal das tarifas públicas ou das tarifas regulamentadas (energia, telefonia, água, transporte e energia), que são os preços administrados pelo governo. A idéia é denunciar que elas são caras para a grande maioria do consumidor. Que juntamente com a da cesta básica dará quase que 90% da cesta de consumo de uma família que ganha até dois salários mínimos”, explica.

Ainda de acordo com o Dieese, a participação do gasto na cesta no valor total em que o trabalhador ganha o salário mínimo tem caído. E explica que a agricultura tem contribuído positivamente para estabilização da inflação. “Há cinco anos que o preço da carne de primeira em Aracaju é de uma média de R$ 8,50, quando há promoção fica em uma média R$ 6,80. Já o quilo do feijão fica numa média de R$ 2”, diz.

Luiz Moura informa que o salário mínimo está tendo aumentos reais. E comenta que as pessoas podem não sentir a estabilização, porque ganham pouco. “Muitos podem pensar que o Dieese possa estar mentindo quando divulga os valores, porque eles não sentem essa diferença de 0,5%. Mas de fato tem tido uma estabilidade dos preços e a dona-de-casa que faz regularmente o supermercado, que leva a lista e faz o planejamento da compra sabe que quando é anunciada a queda do preço, realmente existiu. Ela acompanha o hábito de consumo da família e sabe a quantidade que compra”, explica o economista.

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