Perspectivas econômicas para 2013

(Foto: Arquivo Portal Infonet)

(1)   Saumíneo  da Silva Nascimento

Apresentarei adiante algumas opiniões sobre as perspectivas econômicas para o ano de 2013 numa lógica de como economista contribuir para um planejamento da realidade a ser enfrentada.

A minha primeira abordagem será sobre a visão da ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO (OMC) em relação ao futuro econômico mundial.

A OMC entende que ocontexto econômico que estamos operando continuará a ser difícil para o crescimento do comércio global. A instituição fez mais recentemente uma revisão para baixo da previsão de crescimento do comércio mundial. A avaliação é de que a desaceleração do comércio mundial tem sido acompanhada por uma acentuada desaceleração das importações de países desenvolvidos e uma fraqueza correspondente nas exportações de economias em desenvolvimento, conforme observado no primeiro semestre de 2012.

A OMC teme pelo aumento das tentativas de pressões protecionistas que possam afetar o sistema multilateral de comércio, mas confia que o sistema multilateral de comércio resistirá mesmo diante de contínuas dificuldades econômicas e com a recuperação ainda longe da vista. O que a OMC aponta é que 2013 não será igual a 2012 no que diz respeito à realização de negócios no âmbito da entidade.

Nota-se que na OMC o tom é de cautela, mas também de realismo e determinação, pois os países membros continuam comprometidos a alcançar melhorias nas relações comerciais.

A OMC sinaliza algumas oportunidades em outras áreas que têm mostrado sinais encorajadores de progresso,  compras governamentais é um deles. Em março de 2012, a parte deste acordo aprovou os resultados da renegociação do Acordo sobre Contratos Públicos. Os resultados acordados implica uma expansão significativa de compromissos de acesso ao mercado, com os consequentes ganhos substanciais em oportunidades de acesso ao mercado para as empresas. Interesse em questões de compras governamentais vem crescendo e não podemos ignorar os importantes benefícios que este acordo pode trazer.

Os membros também estão trabalhando em uma expansão do acordo [Tecnologia da Informação]. A eliminação das tarifas no setor de TI tem desempenhado um papel fundamental no fomento à inovação e acesso a tecnologias acessíveis.

Além disso, como produtos de TI muitas vezes são insumos para a produção, a sua abertura comercial contribui para o funcionamento de outros setores da economia com repercussões significativas sobre o desempenho dos países na economia global.

Uma outra visão que apresentarei sobre 2013 é a da COMISSÃO ECONÔMICA PARA A AMÉRICA LATINA E CARIBE (CEPAL), que julga que a América Latina e o Caribe experimentarão em 2013 uma aceleração do crescimento econômico, mesmo com a persistência de uma crise mundial, que aponta continuidade de dificuldades na Europa e Estados Unidos.

A previsão da CEPAL é de que em 2013 a economia da região cresça 3,8%, impulsionado principalmente pela recuperação das economias da Argentina e Brasil e ainda, a manutenção do dinamismo da demanda interna em vários países da região. A manutenção de referido dinamismo, conforme a CEPAL é por conta da melhoria de indicadores de trabalho, aumento do crédito bancário ao setor privado e estabilidade dos preços de algumas matérias-primas.

Registre-se que as perspectivas econômicas da América Latina e Caribe continuam dependendo em parte, da evolução da economia mundial.

E o cenário aponta que o baixo crescimento europeu se prolongue no decorrer de 2013, com recessão em alguns países e com outros conseguindo acordos que permita superar gradualmente os desequilíbrios financeiros, fiscais e de competitividade atualmente existentes. De outro lado, nos Estados Unidos, as probabilidades de um acordo na área fiscal, envolvendo a China, poderá contribuir para maiores taxas de crescimento em 2013.

Uma terceira visão que aponto é do FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL – FMI, para a entidade mais recentemente, ocorreu um pequeno alivio na crise da União Européia e isto poderá repercutir melhoras para 2013, porém as perspectivas dão sinais de que a economia mundial continua vulnerável. Na zona do euro, a atividade econômica continua fraca, ainda existem grandes desafios de implementação de alterações nas políticas públicas, face condições financeiras frágeis e elevados custos de financiamento da periferia. Há também, na visão do FMI, impasse político para lidar com grandes desequilíbrios fiscais nos Estados Unidos e no Japão e isto, altera a confiança empresarial para novos investimentos. O lado bom é que o FMI entende que as economias emergentes, continuaram a ser o motor do crescimento global.

Então o FMI define perspectiva para um fraco crescimento e com a existências de riscos de contágio da crise. Entende o órgão que ocorrerá uma modesta reaceleração da atividade econômica mundial.

Apontarei adiante alguns cenários construídos pela FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE BANCOS – FEBRABAN.

Para a entidade,  as previsões são de manutenção de ritmo importante de expansão para o crédito e ele deve crescer mais em 2013 do que em 2012, sobretudo nas linhas com recursos livres dos bancos e de acordo com a FEBRABAN, o desempenho, possivelmente, reflete a melhora esperada para a inadimplência.

Os principais sinais apontados pela FEBRABAN são: a taxa Selic continuará estabilizada (7,25% – atual taxa); o crédito manterá o ritmo de crescimento e crescerá mais em 2013 e haverá melhora na inadimplência.

As previsões para o crescimento da economia brasileira sinalizam que fecharemos 2012 com um crescimento de 1,1% e em 2013 a expectativa é de alcançarmos 3,5%, isto porque a recuperação esperada para a economia interna em 2013 é geral, com destaque nos setores agropecuário e industrial.

Com relação a inflação oficial (IPCA), a  expectativa é fecharmos
2012 com 5,6% e para 2013 a perspectiva é atingirmos 5,4%.

O cenário da FEBRABAN para a Taxa de Câmbio esperada subiu para R$
2,08 em 2012 e R$ 2,09 em 2013, com ajuste ao patamar atual. O câmbio real médio mais desvalorizado e os últimos dados do setor externo favorecem as previsões de menor déficit em conta corrente em 2012 e 2013. Ainda se espera que mais de 100% do déficit de 2012 seja financiado por investimentos diretos. Para 2013, investimento direto deverá financiar mais de 90% do déficit em conta corrente, também com melhora ante a pesquisa de outubro.

A FEBRABAN também entende que as últimas ações do governo no âmbito fiscal levaram a novo recuo na previsão de superávit primário, para 2,5% em 2012 e 2013, de 2,6% e 2,7% do PIB na pesquisa anterior, respectivamente.
Essas ações também elevaram as previsões do déficit nominal para 2,3% em
2012 e 1,9% em 2013.

Um dos itens que mais interessa para a FEBRABAN é o crescimento esperado para o crédito. Este indicador aponta que a expansão prevista é de 16,1% para 2012 e de 16,2% para 2013. Já a  inadimplência esperada para 2012 é de 5,9% e , para 2013 a previsão é de 5,3%, com recuo importante ante o ano de 2012. Esse comportamento da inadimplência esperado deve contribuir de maneira mais efetiva para a recuperação do crédito no próximo ano.

Finalmente apontarei alguns sinais para a economia em 2013, com base em estudos do ESCRITÓRIO TÉCNICO DE ESTUDOS ECONÔMICOS DO NORDESTE – ETENE DO BANCO DO NORDESTE.

Os estudos dos ETENE apontam para um crescimento de 3,45% na economia brasileira e de 4,64% para a economia do  Nordeste.
Especificamente para o setor comercial a perspectiva é mais positiva, a tendência é a de que o comércio varejista brasileiro cresça 10%.

Além disso, dados de consultorias especializadas e analisadas pelo ETENE sinalizam que teremos  duplicação do crescimento do consumo brasileiro até 2020, e Nordeste será a região de maior crescimento.

De acordo com o ETENE,  o acirramento da concorrência no comércio externo ameaça setores industriais tradicionais do País que não possuem competitividade para manter seus níveis de exportações  ou manter posições no mercado interno. A pauta de exportações do Nordeste é e deverá continuar concentrada em /commodities/, sendo combustíveis minerais, petroquímicos básicos, açúcar e pasta química de madeira os principais produtos. Para o Nordeste, portanto, as expectativas apontam para que o ritmo de crescimento das importações continue muito superior ao das exportações e que a corrente de comércio cresça à taxa maior que a do Brasil.

O estudos do ETENE apontam que o mercado interno é o grande propulsor da atividade turística no País. As perspectivas para o setor são favoráveis, principalmente , pela ascensão de 40,3 milhões de brasileiros à classe C no período de 2005 a 2011 e pela realização da Copa do Mundo de Futebol FIFA em 2014, em 12 cidades-sede do evento e a realização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro em 2016. No Nordeste, quatro cidades foram contempladas para sediar os jogos:

Fortaleza, Natal, Recife e Salvador e a previsão é que setor na Região cresça a ritmo superior ao do previsto para o  Brasil  (em torno de 5,3%).

Pelo que foi exposto e com base em cenários das instituições pesquisadas, teremos um ano de 2013 difícil, porém melhor que o ano anterior.

(1)     Economista e Secretário de Desenvolvimento Econômico, da
Ciência e Tecnologia do Estado de Sergipe

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