Povoado de Santa Rosa do Ermírio tem uma hora de água por semana

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Povoado de Santa Rosa do Ermírio tem uma hora de água por semana

 

População coloca manguerias ligadas á torneira da praça central para conseguir água
A população do povoado de Santa Rosa do Ermírio, perto da divisa entre Bahia e Sergipe, vive uma das situações mais difíceis no Semi-Árido. A água encanada só chega nas casas durante uma hora por semana, às vezes falta durante duas semanas. Para conseguir água as pessoas arranjaram uma solução criativa, colocando mangueiras na torneira da praça central, que vão para todas as ruas do pequeno lugar.

 

“Quando chega água na torneira da praça é sinal de que a caixa está enchendo. Só que nós temos que dividir água com Pedro Alexandre (povoado da Bahia), Monte Alegre e o povoado de Salgadinho. Então a água não dura nem dois dias” explica o vereador da região, José de Oliveira. “Nós sofremos com o verão, por causa da estiagem, e com o inverno porque ninguém consegue entrar no povoado”, explica o vereador. O acesso ao local se dá por uma estrada de barro de 18km.

 

A dona de casa Maria dos Santos, 68, diz que quando chega água mal dá pra encher um balde, e logo depois falta novamente. “Eu não pago mais a conta de água. Como é que eu vou pagar por uma coisa que eu não tenho?” questiona a moradora. Dona Maria mora

Várias mangueiras saem da praça e são emendadas pro todas as ruas do povoado
em frente à praça principal da cidade, e se considera uma privilegiada, porque ainda aproveita um pouco da água da torneira da praça.

 

Fuga por trabalho

 

Na casa de Dona Maria moram quatro pessoas: ela, dois netos e o esposo. Os seis filhos da sertaneja foram trabalhar na engenharia civil, caminho que a maioria dos homens do povoado está seguindo para fugir da seca. Por ano 300 homens saem do povoado de Santa Rosa para trabalhar na construção de barragens hidrelétricas por todo o país. O neto que ainda mora com Dona Maria também já está pronto para sair do local.

Veja o depoimento de Dona Maria


 

“O meu filho mais novo disse que está voltando agora. Passou um ano e meio fora e disse que vem me ver, mas que depois vai pra trabalhar no Mato Grosso. Só que pra lá eu não deixo ele ir

não”, diz Dona Maria, assustada com as notícias de que os homens sertanejos que chegam no Centro-Oeste pegam muitas doenças.

 

 

No assentamento ‘Flor da Serra’, que fica no pé da Serra da Guia, à 18km da sede do povoado, doze homens estão com viagem marcada para trabalhar no Mato Grosso. O assentamento é composto por 50 famílias, que sobrevivem da venda do leite, mas a seca desse ano levou alguns moradores a optarem por outras fontes de renda. O êxodo rural, conseqüência direta da seca, é um dos problemas enfrentados no povoado, que não consegue estabelecer um mercado de trabalho local.

 

Legislativo

 

O deputado estadual Francisco Gualberto, líder do Governo na Assembléia Legislativa, assegurou que o problema de abastecimento no interior será resolvido. Em depoimento essa semana na Assembléia, o deputado admitiu que a Deso enfrenta problemas c

A caixa dӇgua do povoado abastece as localidades vizinhas, como pedro Alexandre na Bahia
om abastecimento em vários pontos do estado, mas vem constantemente buscando resolver as questões.

 

“É verdade também que várias estações de captação de água e de tratamento estão com seus equipamentos sucateados. A herança maldita que recebemos não foi pequena Os problemas que o Governo Estadual encontra, principalmente na questão do abastecimento de água, ainda demandam algum tempo para que sejam totalmente solucionados. Principalmente porque requerem investimentos mais significativos”, disse Gualberto.

Por Ben-Hur Correia e Raquel Almeida

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