Professores da UFS tiram dúvidas e falam sobre Energia Nuclear

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Professores do Departamento de Física da UFS que visitaram as usinas de Angra (RJ). Da esquerda para a direita: Susana de Souza Lalic, Ana Figueiredo Maia, Marcelo Macêdo e Divanizia Nascimento 
A possível vinda de uma Central Nuclear para Sergipe tem mexido com os ânimos de muita gente. Políticos e economista querem trazê-la pensando no desenvolvimento do Estado; ambientalistas são contra em defesa do meio ambiente; a sociedade tem se manifestado contraria com base no medo de um possível acidente como foi o de Chernobil e a comunidade científica estuda a possibilidade de implantar um Centro de  Informação e Divulgação da Energia Nuclear na Universidade Federal de Sergipe. O primeiro passo para a implantação do Centro foi dado por professores do Departamento de Física da UFS que estiveram no final do mês de junho em visita à Central Nuclear de Angra (RJ). O projeto, que contará com apoio da Eletronuclear, deverá englobar diversas áreas do conhecimento a fim de desenvolverem pesquisas sobre a energia nuclear, e principalmente, informar a população sobre o que é e quais os benefícios reais dessa fonte energética tida hoje como a principal saída para o desenvolvimento do país. Para falar do Centro e desfazer algumas das principais dúvidas e mitos sobre a energia nuclear o Portal Infonet conversou com os professores Marcelo Macêdo e Susana de Souza Lalic.

 

 

Fotos: Divulgação Eletronuclear
Portal Infonet – Qual foi o objetivo da visita à central nuclear de Angra?

 

Marcelo Macêdo – Tanto a UFS quanto a Eletronuclar tem interesse de fazer um termo de cooperação que irá permitir que todas as áreas possam fazer projetos de pesquisa de interesse da Eletronuclear. Projetos de pesquisa básica, científica e também projetos de divulgação da energia nuclear, isso inclui diversas áreas. É interesse nosso e nós queremos implementar um Centro de Informação e Divulgação da Energia Nuclear aqui na universidade. Esse é um projeto que vai ser submetido à Eletronuclear estamos ainda em negociação.

 

Infonet – A implantação desse centro seria já prevendo a vinda da usina para o Estado?

 

Marcelo – Não necessariamente. Para nós da universidade quando a gente pensa num projeto desse nível não é pensando que a usina vai vir para o Estado. É certo que vem para o Nordeste. Então nós só estamos dando os primeiros passos que independente que seja aqui ou em outro Estado, nós queremos ter aqui no nordeste um Centro de divulgação da energia nuclear, essa é a idéia. E, se não vier para Sergipe, eu já digo, o Estado vai estar a perder e muito.

 

Infonet – Por quê?

 

Marcelo – Porque o impacto social que uma usina desta provoca na região é muito grande. E para um Estado pequeno como o nosso, o impacto econômico seria enorme. Primeiro por sermos um Estado pequeno não consumiríamos toda a energia produzida e passaríamos a exportar para outros Estados. Além de que, geraria cerca de 500 a 1000 empregos diretos, em épocas de manutenção esse número passaria a 1500.

 

Infonet – E Sergipe teria mão-de-obra qualificada para trabalhar numa usina nuclear?

 

Marcelo – Não. Em nenhum lugar do mundo tem. Isso se forma. Quando estive em Angra eu indaguei o diretor de operações e comercialização de Angra 1 e 2 sobre a possibilidade do Brasil encabeçar o processo de implantação de usinas nucleares nos países vizinhos que estão em crise de energia. Ele respondeu que era impossível porque não existe pessoas qualificadas para operar essas usinas. Aqui no Brasil a cada usina implementada fora de Angra tem que ter a formação desse pessoal. Como tem que ter um tempo até a usina ser aprovada e outro para ser construída este será o tempo necessário para qualificar essas pessoas. O Brasil tem capacidade de formar todos os técnicos e pessoas necessária para operar uma usina nuclear.

 

Infonet – Quais as chances reais desse central nuclear vir para Sergipe?

 

Marcelo – Nós não sabemos coisas a mais do que vocês já sabem. O que sabemos é que Sergipe tem condições favoráveis para recebê-la. A primeira delas é a linha de transmissão de Xingo, que já existem e não teria custo nenhum para instalar novas. A energia das usinas serão simplesmente conectadas nessas linhas. O segundo fator, é que as usinas precisam de refrigeração com água do mar ou do rio, por isso existe essa combinação com o São Francisco. Fora isso é questão política que nós não sabemos de nada.

 

Susana de Souza Lalic – Todo mundo fica com medo de abarcar essa idéia e assumir que precisa de energia. E a nuclear é a resposta do momento. Mesmo que as outras sejam boas ainda não vão ser suficientes para resolver o problema que a gente tem hoje.

 

Imagens da Central Nuclear de Angra  
Infonet – Porque você diz que a nuclear é a resposta do momento?

 

Susana – Porque é o que a gente tem que vai produzir energia com qualidade e quantidade suficiente e que não vai produzir poluição como uma termoelétrica, por exemplo. Primeiro, se a gente fizer com gás a gente já tem problema com gás, imagine no futuro. O carvão provoca uma poluição gravíssima, a China é um dos maiores poluidores por conta das termoelétricas. Rios, a gente não têm mais em condições. A eólica não gera energia suficiente. Imagine que a gente teria que ter um monte daqueles ventiladores enormes, o que geraria um outro tipo de poluição. A solar ainda é muito cara e não dá conta de produzir energia para uma grande industria, mesmo em casa ainda é só para aquecimento de água. A resposta de energia para o mundo é a nuclear.

 

Saiba como funciona uma usina nuclear
Infonet – A energia nuclear é, como dizem, a mais limpa?

 

Suzana – A solar seria a mais limpa. Mas o custo para gerar ainda é muito, muito alto. A nuclear realmente é muito limpa. As pessoas às vezes se assustam por causa de Chernobil. Mas o acidente ocorreu por um descuidado completo.

 

Ouça explicação dos professores sobre a tragédia de Chernobil e o destino do lixo nuclear

 

 

Infonet – É verdade que o tempo de vida útil é muito curto para o grande prejuízo que pode causar ao meio ambiente?

 

Susana – É em média 40 anos, mas já estão tentando dobrar para 80. Imagine o mundo daqui a 80 anos, como vai estar? Pense oitenta anos antes. Você acha que é um tempo de vida curto para a questão energética?

 

Marcelo – Isso é um questão também da evolução da tecnologia. A gente fala que pode estender para oitenta anos , mas isso não significa que daqui a 80 anos ela vai parar. De repente se verifica que a maior parte da estrutura está boa e compensaria fazer uma reciclada e mantê-la em funcionamento.

 

Ouça opinião dos professores sobre o pânico das pessoas quando o assunto é usina nuclear 

 

 

Infonet – O que fazer para desconstruir os mitos e os preconceitos da população?

 

Marcelo – Fazendo isso que estamos fazendo agora. Mostrando exatamente os procedimentos que existem. As pessoas são qualificadas. Os profissionais que trabalham com isso não são aventureiros. Existe um monitoramento periódico da usina por comissões internas e externas. Se todas as correntes apontarem para Sergipe e a comunidade disser não, será um equívoco muito grande que vai ser cometido.

 

Susana – As pessoas com mais educação aprovam a usina. O povo sem educação e sem conhecimento reprovam pelo medo e pelos preconceitos. E isso tudo pode afastar a usina de vir para Sergipe, por exemplo. O que pode acontecer é o governo com medo de ser tachado pela vinda da usina, dizer que não quer. Mas como tem que ter uma usina no Nordeste, um outro Estado, o governo de Alagoas por exemplo, um pouco mais esperto, pode dizer que quer a usina, e eles vão ter todos os benefícios, porque além de energia a usina gera impostos para o Estado. Vamos pensar, caso tenha um explosão você acha que os problemas vão ficar só lá?. Então, a gente além de não ficar com os benefícios vai ficar com os prejuízos.

 
Confira a opinião do professor Marcelo Macêdo sobre falta de energia e apagão

 

Quem quiser tirar dúvidas com os professores podem enviar um email para energianuclear@fisica.ufs.br

Acesse o site da Eletronuclear para mais informações sobre Energia Nuclear

 

Por Carla Sousa

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