
A autonomia econômica das mulheres tem sido o eixo central das transformações promovidas pelo Projeto Rede Solidária de Mulheres de Sergipe, iniciativa realizada pela Associação de Catadoras de Mangaba e Indiaroba (Ascamai), em parceria com a Petrobras e com o apoio da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e do Movimento de Catadoras de Mangaba (MCM). Presente em diferentes territórios do estado, o projeto vem consolidando um modelo de desenvolvimento que alia formação, inclusão produtiva, valorização dos saberes tradicionais e fortalecimento do trabalho coletivo feminino.
Ao investir diretamente na qualificação profissional e no fortalecimento de associações de mulheres, a Rede Solidária amplia as possibilidades de inserção no mercado de trabalho, promove geração de renda sustentável e contribui para romper ciclos históricos de vulnerabilidade social.
Segundo a coordenadora geral do projeto, Mirsa Barreto, a Rede atua de forma estruturante, respeitando os contextos locais e reconhecendo o conhecimento construído pelas próprias mulheres ao longo de suas trajetórias. “O projeto atua com base na qualificação, no fortalecimento das associações e na valorização do conhecimento tradicional. A partir disso, conseguimos construir caminhos reais para o empreendedorismo social e para a inclusão produtiva das mulheres”, afirma.
Formação que gera autonomia
As ações desenvolvidas pela Rede incluem cursos profissionalizantes, oficinas técnicas e formações complementares, que têm permitido às participantes ampliarem competências, diversificar atividades produtivas e conquistar maior autonomia financeira.
Um exemplo dessa transformação é a trajetória de Alicia Salvador, Catadora de Mangaba do povoado Pontal, em Indiaroba, inicialmente dedicada apenas à coleta do fruto, Alicia passou a atuar no beneficiamento e na comercialização após participar das formações do projeto e hoje, integra a equipe técnica da Rede, atuando diretamente nas compras e na comercialização dos produtos.
“As atividades fortaleceram ainda mais o que o projeto se propôs desde o início, que é apoiar e fomentar a autonomia de nós, mulheres, e valorizar o conhecimento tradicional das nossas comunidades”, destaca Alicia, que atualmente cursa Pedagogia.
No município de Japaratuba, a história de Jaqueline Moura, do povoado Porteiras, evidencia o impacto do projeto na vida de mulheres que antes estavam restritas ao trabalho doméstico. Jaqueline tornou-se presidente da Associação das Catadoras de Mangaba, passando a gerar renda por meio da comercialização de produtos destinados à alimentação escolar.
“Fiz coisas que nunca imaginei que poderia fazer para conquistar nossa independência. Enfrentamos dificuldades, mas a força vinha do trabalho coletivo e daquilo que construímos juntas”, relata.
Educação, protagonismo e liderança feminina
No povoado Manoel Dias, em Estância, Katiane de Jesus, conhecida como Katinha, retomou os estudos após ingressar nas formações da Rede. Hoje, atua na elaboração de projetos voltados ao fortalecimento da associação da qual faz parte, buscando inclusive emendas parlamentares para fomentar a geração de renda no território.
“O projeto nos faz enxergar o valor do nosso trabalho e amplia as possibilidades de acesso ao conhecimento e ao mercado. Isso é fundamental para reduzir desigualdades e promover o reconhecimento do papel das mulheres na economia local”, afirma Katiane.
Em Carmópolis, a artesã Rosa Maria vivenciou um processo de crescimento profissional que a levou da condição de aluna à de instrutora de costura. Após participar das oficinas, especializou-se na área e passou a formar novas turmas de mulheres.
“Antes fui aluna, hoje sou professora. Ensinar mulheres que nunca haviam costurado e vê-las criando suas próprias peças é uma experiência transformadora. Esses cursos representam oportunidade de reinvenção e conquista de independência”, ressalta.
Também no município, Joelma Siqueira encontrou novas possibilidades a partir das oficinas oferecidas pela Rede. Com experiência na área de alimentação, ela se desafiou nos cursos de costura e customização, ampliando suas perspectivas profissionais. “Eu não sabia nem ligar as máquinas, mas aprendi e me apaixonei. Hoje, quero repassar o que aprendi e transformar isso em uma nova fonte de renda”, conta.
Impacto social, sustentabilidade e fortalecimento das mulheres
Para Mirsa Barreto, as histórias das participantes traduzem o verdadeiro alcance do projeto, que vai além da formação técnica e promove mudanças estruturais na vida das mulheres e de suas comunidades.
“A Rede é formada por mulheres que acreditam umas nas outras. O que vemos é um movimento real de transformação, com resultados concretos. Elas saem da vulnerabilidade para ocupar espaços de liderança, decisão e geração de renda”, conclui.
Com o apoio da Petrobras, a Rede Solidária de Mulheres de Sergipe segue fortalecendo o protagonismo feminino, estimulando a autonomia econômica e reafirmando o papel estratégico das mulheres no desenvolvimento sustentável e na construção de territórios mais justos e igualitários.
Fonte: Assessoria de comunicação
