Salário mínimo aumenta, mas não ameniza dificuldades do trabalhador

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Novo valor totaliza 1.100 reais (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O novo valor do salário mínimo já está em vigor. A quantia que totalizava R$ 1.045 em 2020, neste ano de 2021, somará R$ 1.100. Para o trabalhador, a nova quantia representa uma ajuda de custo, mas não ameniza as dificuldades econômicas do dia a dia.

Economista Fernando Carvalho (Foto: Arquivo Pessoal de Fernando Carvalho)

De acordo com o economista Fernando Carvalho, a alteração no valor do salário mínimo se configura como uma correção ao índice de inflação apurado no ano passado com o intuito de fazer com que o trabalhador não perca o poder de compra. “O que houve aí foi um aumento um pouco acima da inflação, contudo, não houve uma valorização do salário mínimo”, pontua. “Mas mesmo que o aumento seja apenas de R$ 55, isso já se converte em uma ajuda nos custos básicos de uma pessoa que se sustenta através do salário mínimo”, completa.

Ainda segundo o economista, com o aumento do salário mínimo, há aumento também das contas públicas, como a aposentadoria, pensão e outros benefícios. “Considerando que o salário mínimo é um piso, uma base do que o trabalhador recebe, um efeito cascata acontece e os valores de benefícios e salários podem aumentar também”, explica.

O Senado Federal informou que o reajuste não teve aumento real devido à inflação, mas está acima dos 1.088 reais previstos pelo Poder Executivo. O aumento também se deu porque o governo considerou a alta dos preços dos alimentos e da bandeira tarifária da energia elétrica.

Salário Mínimo Ideal

O economista Fernando Carvalho comenta que existem pesquisas realizadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para saber qual seria o valor ideal de um salário mínimo. “O valor ideal para uma família com quatro pessoas, considerando dois adultos e duas crianças, seria em torno de R$ 4.890 reais. Já para um adulto que vive sozinho o valor seria por volta de R$ 1.222 declara. No entanto, mesmo com 1.222 por pessoa, seria uma remuneração para necessidades básicas”, pontua o economista.

Com água, energia, combustível, alimentação, planos de saúde e outros custos básicos de vida para se viver bem, Fernando Carvalho ressalta a dificuldade que muitos trabalhadores enfrentam ao tentar se manter apenas com um salário mínimo. “Quem vive de salário mínimo vive no aperto. Então, essa correção de inflação veio em bom momento, porque ela faz com que os trabalhadores não percam o poder de compra nesse momento em que vivemos uma crise sanitária”, destaca.

 

Por Isabella Vieira e Verlane Estácio

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