“Se gasta muito mais com carro-pipa do que com abastecimento de água”

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Manoel de Rosinha
Todos anos as manchetes da imprensa brasileira são sempre as mesmas neste período do ano quando se referem ao sertão nordestino: cidades nordestinas decretam estado de emergência por causa da seca. Em Sergipe não é o contrário. Cidades como Porto da Folha, Poço Redondo, Canindé do São Francisco, entre outras, estão sempre na lista de municípios que sofrem com a estiagem. Acompanhado deste problema surgiu uma ‘indústria’ que se apropria do sofrimento do sertanejo e de recursos públicos. Agora em 2007, cinco municípios do semi-árido sergipano já decretaram estado de emergência: Poço Redondo, Porto da Folha, Monte Alegre, Nossa Senhora da Glória e Feira Nova. Um dos que sofrem com mais uma estiagem é o prefeito de Porto da Folha, Manoel de Rosinha (PT) que falou em entrevista ao Portal Infonet sobre as soluções para esse problema e afirma que a ‘indústria’ continua e o cidadão do sertão sergipano continua se humilhando atrás de alternativas.

Portal Infonet – O que acontece prefeito, já que todo ano é a mesma coisa: cidades do sertão sergipano enfrentam seca?
Manoel de Rosinha – Imagino que com o governo Marcelo Déda será resolvido o problema em parte do sertão devido ao início da duplicação da adutora do Alto Sertão. O andamento desta obra está bem avançado espera-se que no próximo ano não tenhamos novamente de vir pedir ao governo, pedir a Secretaria de Inclusão Social, humilhar-se para pedir novos carros-pipa para abastecer as terras do pobres produtores.

Infonet – A adutora resolve o problema da seca?
MR – A adutora vai resolver 80% a 90% do problema da seca no alto sertão. Porto da Folha, Canindé, Poço Redondo, Monte Alegre, [Nossa Senhora da] Glória, enfim, toda aquela região. Por quê? Hoje já existe uma adutora só que a capacidade dela está superada, então não tem como você fazer abastecimento com água encanada, ela não vai dar suporte. Vai enterrar os canos e a água, que é o produto principal, não chega. Então com essa duplicação vai ter a adutora servindo a Porto da Folha, Poço Redondo e Monte Alegre, com essas três regiões resolvesse muito bem a situação de seca da região do sertão.

Infonet – Acabou essa história de ‘indústria da seca’?
MR – Ela não acabou, ela continua. Até não se resolver essa situação, para mim ela continua. Se gasta muito mais com carro-pipa do que com abastecimento de água direto do rio São Francisco para as comunidades rurais. O que não pode é todos os anos estar batendo nessa mesma tecla da seca, da seca, da seca e a seca e amém e todos os anos produtor se humilhando, prefeito se humilhando, trabalhador se humilhando. A Defesa Civil foi ver a situação em Porto da Folha esperamos que libere os carros-pipa a partir da próxima semana. Não é possível continuarmos nessa situação por mais tempo, mais anos.

Infonet – Será que este governo mudará esta situação?
MR – Quando o sertanejo votou em Marcelo Déda foi confiando que as comunidades rurais seriam abastecidas que não seria mais essa humilhação que vem se passando até hoje, mas com a adutora espera-se que realmente resolva essa situação.

Infonet – O senhor disse que com a construção da adutora o problema da seca no alto sertão será resolvido em 80% a 90% e o restante o que pode ser feito?
MR – O restante são localidades muitas vezes mais afastada que não pega linha da adutora, imagino que o governo deva fazer algo para que essa água chegue até lá e dê a sustentação a essas comunidades. Já que esse projeto do Governo Federal, do Governo do Estado é ‘água em todas as casas’, como dizia o governo passado, que mentiu, enganou e nunca fez, esperamos que o atual não seja também e não faça as enganações que o outro que fez, coisa que não acredito.

Infonet – O governo anterior enganou o povo sertanejo?
MR –
Ele mentiu a vida inteira dizendo ‘água em toda casa’ colocou os tubos e a água nunca chegou. O principal nunca chegou, que é água, enterrou alguns tubos, mas á água não chegava.

Por Paulo Rolemberg

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