“Ser herdeiro é uma coisa ser gestor é outra”, diz professor

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Eduardo Fausto
Como fazer a transição sem colocar em risco a estrutura familiar e o patrimônio? Como resolver esse conflito de gerações nos negócios? Estes pontos serão discutidos na palestra “Sucessão Familiar”, do professor doutor Eduardo Fausto, que ocorrerá no seminário “Novos Rumos do Varejo & Sucessão Familiar” promovido pela Associação dos Comerciantes de Material de Construção-Acomac-SE, que acontecerá nesta sexta, 7, às 19h, no auditório do Centro de Convenções de Sergipe, dentro da programação do  Salão Imobiliário de Sergipe.

Fausto, que também lançará o livro “Estilos Gerenciais e o Impacto das Organizações”, recebeu o Portal Infonet para revelar as indagações – que se transformou em objeto de sua tese de doutorado, sobre a questão da família e a sucessão familiar. “Criar um empreendimento é uma arte e prosseguir um empreendimento depende das novas gerações”, diz. O professor frisa que seu estudo visa fazer um link de compreensão entre o sucedido e o sucessor.

Portal Infonet – O que fazer quando na transição dentro da sucessão familiar, o sucedido morre antes de passar a responsabilidade ao sucessor?
Eduardo Fausto – Morrer é uma fatalidade. Ninguém pode nem deve preparar um único sucessor. Um empreendimento respeita as pessoas, mas não pode está concentrado numa uma única pessoa. O sucedido deve visualizar o sucessor, mas não deve descartar outras possibilidades… a família tem a obrigação de ser responsável pela gestão e administrar o seu patrimônio, não é um estranho que vai cuidar. As regras do empreendimento tem que ser dada pela família.

Infonet – Como fazer essa transição?
EF – Cada história é uma história, cada família é uma família. Existe vocações. Tem um caso, onde os mais velhos da Bahia riam. Que é o caso do chamado Mário Cravos Júnior, herdeiro do maior patrimônio da Bahia, Mário Cravos. E ele dizia o seguinte ‘ Eu não quero ser herdeiro do Mário eu quero ser escultor’. Hoje Mário Cravos é uma referência como escultor. Ele abriu mão de todo patrimônio da família e disse: ‘Eu não vou cuidar disso’, terminou a família passando para outro e terminou acabando. Ser herdeiro é uma coisa ser gestor é outra, feliz de quem recebe um patrimônio.

“A questão da sucessão é séria”
Infonet – Qual é a diferença?
EF – O patrimônio ajuda a você a viver bem. Herdar é uma coisa gerir um empreendimento é outra, as pessoas tem que muita clareza nisso. Eu posso ter um pai que foi dono de uma loja de material de construção, muito empreendedor, mas eu não tenho nenhuma vocação para esse ramo, por que eu devo continuar? Tenho que ter honestidade comigo e ver uma maneira de encerrar o empreendimento. 

Infonet – Tem uma média de empresas que não deram certo após a sucessão familiar?
EF – Grupos na Bahia, como a rede de sapatarias Santana, chegou a ter mais de 100 lojas e acabou. Não precisa ir longe, você tem o grupo Paes Mendonça não posso dizer que faliu, mas acabou. A questão da sucessão é séria.

Infonet – Uma pessoa, que não faz parte da família, mas acompanha o patriarca desde o início do empreendimento, e sabe-se que é o ideal para assumir a empresa, enquanto o filho não leva jeito para o negócio. O que fazer?
EF – Eu não sou contra parente. Existe uma grande diferença entre proteger o parente e o empreendimento. Eu não deixaria um parente meu desamparado, agora não colocaria um parente meu num empreendimento apenas porque é de minha família. Parente é uma coisa negócio é outra.

Infonet – Quais os principais motivos para que as empresas familiares não tenham prosseguimento após a sucessão do comando?
EF – Falta de planeajmento… a falta de controle é outra questão essencial, a falta de valores do empresário. Por exemplo, o empresário muitas vezes não sabe discernir ele como pessoa ele como empreendedor. Você pega, como eu chamo dos vícios sociais do empresário: as bebedeiras, como trata as pessoas, começa a degradar o futuro da empresa. São fatores que são danosos.

Infonet – É melhor não trabalhar com a família, o senhor concorda com isso?
EF – Eu não concordo, a família deve estar na empresa. A família deve criar uma cultura de separar o inseparável. O fato de ser da família não significa que eu posso fazer abuso. A prioridade em determinados cargos deve ser da família. Ninguém deve ser excluído por ser da família. Eu não posso dizer o seguinte: ‘Eu sou da família eu tenho que está tomando conta do negócio’. Se eu não tenho preparo que respeito eu vou ter daquelas pessoas que trabalham comigo?

Infonet – Qual seria o caminho?
EF – Preparar o sucessor, educar o sucessor.

Infonet – Ele não querendo assumir os negócios?
EF – Ou vende o empreendimento ou até mesmo profissionalizar a administração. Cada caso é um caso, não existe uma resolução única.

Por Paulo Rolemberg

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