Sergipe desperdiça potencial para Turismo Rural

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Fazendas resistiram ao tempo e são parte da História de Sergipe (Foto: Arquivo Pessoal)

Sergipe poderia estar inserido em segmento turístico que movimenta mais de R$ 3 bilhões por ano e cresce em um ritmo superior a 30% em todo o país. Isso se o Turismo Rural estivesse entre as atividades exploradas no Estado. Potencialidade há. Grande, aliás, conforme pesquisa desenvolvida por estudantes da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Falta apenas iniciativa, é o que constatou o estudo.

Desenvolvida no período de um ano, a pesquisa ‘Turismo Rural – Criação de um Novo Segmento para Sergipe’ levantou 13 propriedades rurais que, antes de mais nada, têm muita história pra contar. “Muitos desses lugares foram antigos engenhos e têm um importante papel na história sergipana. É um filão pouco explorado, que poderia desempenhar um importante papel na nossa economia, inclusive”, explica a estudante de Turismo Klazia Kate Salomão, que tocou o projeto junto ao estudante de Zootecnia Ariolino Moura, sob orientação da professora Debora Eleonora Pereira.

Klazia destaca, no entanto, que o estímulo esbarra tanto no poder público quanto na iniciativa privada. De um lado estão os municípios, que muitas vezes não demonstram interesse; do outro estão os proprietários das fazendas, que temem uma deterioração do patrimônio secular. “Potencial existe, principalmente porque Sergipe está carente de atrativos. Hoje o Estado é vendido como destino de Negócios e Eventos, ‘Sol e Praia’ e Ecoturismo. Mas o turista vem e só fica de 2 a 3 dias e em Aracaju. No máximo ele visita as históricas Laranjeiras e São Cristóvão e vai a Xingó”, comenta a estudante.

Proprietários resistem por medo de deteriorização

 
 
A coleta de dados começou com 24 fazendas, mas devido a dificuldades com os proprietários e com os municípios, o levantamento acabou sendo realizado com apenas 13 propriedades. “Fizemos um inventário dos municípios onde elas se encontram, porque é preciso saber se a região suportaria receber o público visitante e se os investimentos dariam retorno. Utilizamos um questionário do Ministério do Turismo verificando, junto à comunidade e associações, quais seriam os interesses. Mas muitos nem sabem o que é ‘Turismo Rural’”, destaca Klazia.

Todas as informações sobre os locais, acompanhadas de registros fotográficos, estão descritos no relatório final da pesquisa. Foram listadas três propriedades em Santa Luzia do Itanhy – uma delas produz cachaça artesanalmente -, uma em Estância, três em Itaporanga D’Ajuda, uma em São Cristóvão, duas em Maruim, uma em Divina Pastora, Santa Rosa de Lima e Riachuelo. “Se esses destinos fossem trabalhados, certamente haveria público, porque é um segmento que procura demanda”, avisa a estudante.

Turismo Rural

Mas o quê, afinal, torna o Turismo Rural tão atrativo? Klazia faz questão de ressaltar que a função é muito mais pedagógica do que antropológica. O turista rural vai se envolver em atividades como cavalgada, oficinas de doces, agroturismo, pesque-pague etc.

“Na prática há uma integração das atividades do campo com o turista. Quem procura esse tipo de diversão quer, na verdade, compreender o estilo de vida no campo”, descreve a estudante.

A promoção desse segmento, aponta Klazia, seria a solução para que Sergipe despontasse ainda mais no cenário turístico nacional. “Quanto maior for a oferta de atrativos, mais tempo o turista permanece, o que é bom, em todos os sentidos”, reforça. Os resultados do trabalho estão sendo apresentados em congresso, mas ainda não há respostas por parte do Poder Público sobre uma possível ‘venda’ desses destinos.

No Brasil acredita-se que o Turismo Rural começou a se desenvolver em 1986, na região Sul. O crescimento dessa modalidade de turismo é atribuída a uma valorização cada vez maior da cultura tradicional. Destacam-se, hoje, nesse segmento, O Vale do café (RJ) e Lajes (SC). O Nodeste só agora descobre o potencial, tendo nos estados de Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte os principais destinos.

Por Diógenes de Souza

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