Sergipe termina 2018 com 143 mil trabalhadores na informalidade

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Sergipe termina 2018 com 143 mil trabalhadores na informalidade (Foto: Arquivo Infonet)

Sergipe terminou o ano de 2018 com 143 mil trabalhadores na informalidade, ou seja, trabalhando sem carteira assinada. O índice é relativo ao trimestre setembro-outubro-novembro e, se comparado ao mesmo período de 2017, é constatado um aumento de 13 mil neste índice.

Os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não são nada bons: enquanto a taxa de desocupação cresceu de 13,6% para 17,5%, o numero de trabalhadores procurando emprego subiu de 139 mil para 182 mil e o índice de trabalhos informais também elevou, a quantidade de pessoas trabalhando com carteira assinada diminuiu de 235 mil para 215 mil.

Então, no intervalo de um ano, 43 mil pessoas ficaram sem trabalho e pelo menos 20 mil deixaram o emprego formal. De acordo com Luís Moura, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos de Sergipe (Dieese/SE), isso é reflexo de uma recuperação lenta do fator econômico. “Não cresce em taxa suficiente para gerar emprego com carteira assinada. Pelo contrário, temos aumento de desempregados. Proporcionalmente, temos um maior número de desempregados em Sergipe que no Brasil, que é de 12%. A economia brasileira cresce a 1,5% ao ano, e o Estado tem uma taxa próxima. 2018 foi um ano difícil para o pleno emprego e também para os empresários, porque a estagnação da economia representa desconfiança para investir, comprar estoque e fazer negócios”.

Para os estados brasileiros, a promoção de políticas de emprego é limitada. A prática mais comum era a de conceder incentivos fiscais para atrair empresas, mas com as novas determinações do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).

Trabalho informal

Economista Luís Moura explica causas e consequências do desemprego no Estado (Foto: Arquivo Infonet)

Entre as causas que provam a ida dos trabalhadores de carteira assinada para a informalidade, as principais são as demissões provocadas pela recessão. “Na hora de demitir, as empresas estão sendo racionais. Tiram quem ganha mais para colocar quem ganha menos. Se puderem contratar de forma precarizada, irão fazer isso, porque a Reforma Trabalhista veio e deu legitimidade. Neste caso, ou o sujeito vai para a informalidade ou vai trabalhar por conta própria. As pessoas buscam o sustento de forma precária, porque este tipo de atividade cresceu assustadoramente, então um concorre com o outro, às vezes com preços baixos e poucos ganhos . Isso traz impacto nos setores formalizados, que recebem a concorrência da informalidade. Neste caso, provocam um tipo de ajuste, que é a demissão nas empresas”, disse o economista.

Expectativa de melhora

Para o Governo Federal, a expectativa é de que, com a Reforma da Previdência, empregos voltem a ser gerados. O ministro Paulo Guedes espera que, com a aprovação, nos próximos anos sejam gerados 10 milhões de empregos em todo o país.

Luís Moura, porém, alerta a população para a promessa. “Não costumo acreditar. Disseram que com a Reforma Trabalhista teríamos 6 milhões de empregos, então não há garantias. Se houver impacto no emprego, vai ser no bolso do trabalhador. Este tipo de Reforma da Previdência não deu certo no Chile. A população não vai querer ter seu direito retirado. As promessas foram feitas, o bolo cresceu e ninguém dividiu. O governo eleito vai ter que apresentar propostas”, cobrou Luís Moura.

“O problema é que o Governo Federal, nos próximos seis meses, vai passar por momentos de arrumação, com a priorização da Reforma da Previdência pelo ministro Paulo Guedes. Só deve haver alguma retomada de emprego no segundo semestre. 2019 tende a repetir 2018, mas com uma leve melhora”, estimou Luís.

Por Victor Siqueira

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