Sertanejos têm que decidir entre pagar dívidas e salvar o gado

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 Seca gera 70% de perda na produção do Alto Sertão sergipano

 Poço Redondo sofre com ‘Seca Verde’

 Povoado de Santa Rosa do Ermírio tem uma hora de água por semana

 Sertanejos têm que decidir entre pagar dívidas e salvar o gado

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Muitas cabeças de gado já morreram na região

Sertanejos têm que decidir entre pagar dívidas e salvar o gado

Cerca de 50 famílias que vivem no assentamento Flor da Serra, à 32km da sede de Poço Redondo, estão tendo que fazer uma difícil escolha nos últimos anos. Por causa da baixa produção agrícola os sertanejos não conseguiram quitar dívidas contraídas com empréstimos em bancos. Por estarem como devedores as famílias não conseguem acesso ao ‘custeio-agrícola’, incentivo dado à produção, e não tem capital de giro para retornar a produzir.

“Eu e minha mulher tivemos que decidir. Ou pegamos mil reais e compramos de palma pra salvar o gado da estiagem, ou pagamos ao banco. Mas o gado é a nossa única fonte de renda”, desabafa Evaldo Soares, ex-presidente da cooperativa do assentamento Flor da Serra. O pequeno produtor relata que a ‘tarefa’ de Palma hoje está custando R$1mil, e é basicamente o que eles estão dando para o gado se alimentar.

A barreira que serve de reservatório de água está quase seca, e Evaldo estima que o que ainda resta não dê nem para passar uma semana. A reportagem do Portal Infonet esteve no local no dia 6 de novembro, última terça-feira, quando chegou um caminhão pipa para abastecer a comunidade. O caminhão distribuiu água em todas as cisternas das casas para tentar amenizar os problemas das secas.

Veja o depoimento de Evaldo Soares


Cisternas não armazenaram água

Em todo o município de Poço redondo existem aproximadamente mil casas com cisternas, que são reservatórios que  abastecidos pela água das chuvas. “As cisternas ajudam muito quando o inverno é bom. Mas esse ano as chuvas foram muito fracas, e não deu pra encher”, explicou Evaldo.

 

Aprixamadamente mil casas em Poço Redondo tem cisterna
As cisternas do assentamento Flor da Serra foram construídas com a ajuda do programa Um milhão de Cisternas’, criado pela Articulação do Semi-árido.  Segundo José Adelmo Reis, coordenador do programa pela Ong Centro Dom José Brandão Cáspio, uma cisterna é capaz de abastecer uma família com oito pessoas durante todo o ano, prevendo o reabastecimento pelas chuvas.

Veja a Galeria de Imagens da série “Seca Verde” 

“Em casos de falta de água na cisterna, o que nós recomendamos para a população é que se juntem quatro ou cinco famílias para tentar comprar um caminhão de água. A gente recomenda por

As plantações de Palma para alimentar os animais tomam conta da paisagem
meio metro de água para a manutenção da cisterna”, diz Adelmo Reis. Um carregamento de carro pipa custa em média R$1.500.

“Nós estamos sofrendo mais com a falta de água do que com a falta de alimento. Porque além da gente estar preocupado com a nossa sede, estamos vendo a hora do nosso animal passar sede, e não temos condição de pagar água pros animais”, completou Evaldo.

Existem cerca de 120 cabeças de gado no assentamento, mas já houve baixas por causa da seca. Alguns animais morreram de sede ou de doenças derivadas da má alimentação. A venda de leite é a principal fonte de renda do vilarejo, e é feita para duas fábricas de leite e iogurte locais.

Programa de assentamento

Boa parte da barragem que abastece o assentamento já secou
O assentamento foi criado em 1996 e fica a 18km do povoado de Santa Rosa do Ermírio, bem perto da Serra da Guia, considerada a maior do estado. O Governo do Estado de Sergipe está formalizando convênio com o Incra, no valor de R$35 milhões de reais. O objetivo é obter terras para implantação de projetos de assentamento no Território do Alto Sertão Sergipano. A previsão é que cerca de 20.000 mil hectares de terra beneficiem aproximadamente mil famílias de trabalhadores rurais.

Por Ben-Hur Correia e Raquel Almeida

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