Aluna do Atheneu lança programa de combate à pobreza menstrual

(Foto: SEDUC)

A aluna Lenice Ramos, do Centro de Excelência Atheneu Sergipense, unidade que oferta o ensino médio em tempo integral, em Aracaju, lançou nesta segunda-feira, 13, o programa “Absorvente é Direito”, com a distribuição de absorventes higiênicos a 6 mil alunas de 17 escolas estaduais da capital. A iniciativa é fruto de projeto criado por ela, que teve destaque nacional ao levantar o debate sobre dignidade menstrual no ambiente escolar. A entrega simbólica aconteceu durante a terceira edição do Atheneu ONU, evento que simula a assembleia geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Ela falou da emoção e significado de dar voz a uma pauta tão representativa. “É uma sensação bem gratificante estar aqui hoje, tendo esse projeto sendo concretizado. Essa é uma doação simbólica, e a gente espera que possa ampliar para mais escolas da rede estadual, para que todo o estado possa ver o nosso esforço como estudantes e fazer com que isso realmente se torne um projeto de lei”, declarou a jovem Lenice Ramos. Para que essa ação fosse possível, o projeto do Atheneu Sergipense recebeu a doação de 192 mil absorventes da empresária Luiza Helena Trajano.

Representando o secretário de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura, professor Josué Modesto dos Passos Subrinho, a diretora do Departamento de Apoio ao Sistema Educacional (Dase), professora Eliane Passos, destacou que o programa “Absorvente é Direito” diz muito sobre a motivação que o Atheneu Sergipense proporciona aos jovens do ensino médio. “Quem aqui em Sergipe não ouviu falar em Lenice Ramos, que fala aos quatro cantos do Brasil, virtual e presencialmente, dando entrevistas sobre a importância de se combater e enfrentar a pobreza menstrual e de assegurar o absorvente como direito. Parabéns! Você faz toda a diferença nesse momento. Sua participação nessa pauta é carregada de significados”, disse ela, durante o discurso.

O Colégio Estadual 17 de Março, localizado no bairro Santo Antônio, em Aracaju, foi uma das escolas contempladas com o programa. A professora Shirley Ramalho, diretora da unidade, também teceu elogios à iniciativa. “A gente se sente feliz em fazer parte desse momento histórico. Ainda mais em um momento que estamos vivenciando, onde o mundo ainda se encontra de cabeça para baixo. E vivenciar essa ação desenvolvida por uma aluna de escola pública chega a me emocionar e arrepiar, com uma importância não somente pelo projeto, mas também pelo protagonismo juvenil”, disse.

Outra escola beneficiada será o Centro de Excelência Augusto Franco, localizado no bairro Santos Dumont, na capital. Segundo o diretor, Roque Hudson Ribeiro, garantir condições dignas de higiene menstrual às alunas também é uma preocupação da sua equipe, que já estava preparando uma ação semelhante, “e foi aí que tivemos a grata surpresa de sermos convidados a participar desse programa tão importante”, salientou ele, afirmando que ações como as do Atheneu “inspiram estudantes de outras escolas a quererem transformar suas comunidades e a trabalharem com pautas que realmente possam proporcionar bem-estar a todos”.

Atheneu ONU

O Atheneu ONU, organizado por alunos do Atheneu Sergipense, sob a orientação do professor Yuri Norberto, de Filosofia, é considerado a maior simulação da ONU no Brasil. “É com muita alegria que a gente vê um evento que em três anos se tornou referência nacional. Não somos a primeira simulação do país, mas nesse período a gente ocupou um espaço de maior simulação do Brasil, inclusive com a participação de grandes nomes. Para nós isso é importante porque traz a ideia do protagonismo. Todas essas pautas apresentadas aqui foram apresentadas por alunos. O evento é conduzido por alunos, então você mistura a ideia da educação com o protagonismo, que é uma das premissas deste projeto”, declarou.

A simulação da assembleia é a consolidação de um trabalho que começa bem antes na sala de aula. Para a aluna Renata Aragão, do segundo ano do ensino médio, a experiência de participar do Atheneu ONU tem sido única e incrível. “A gente aprende muita coisa. As noções de como viver em grupo, de como organizar ideias, adquirir um conhecimento que podemos levar para a vida”, pontuou a jovem, que no evento representou os Estados Unidos. “Sobre os EUA trarei a questão da pandemia, como o país tem enfrentado essa crise sanitária, quais as políticas em torno disso; apresentarei também a situação das guerras, e como pretendemos trabalhar com aliados e parceiros para construir um futuro melhor”.

O aluno do terceiro ano do ensino médio José Claudio dos Santos Junior, representando o Reino Unido, assegurou que a importância do Atheneu ONU ultrapassa a premissa de um projeto escolar feito por alunos. “Muitos estudantes não conhecem essas entidades que lutam por um propósito. Entrando em contato com esse sistema, como a simulação da ONU, eles podem conhecer mais sobre políticas de governo, como as ações educacionais, cuidados com meio ambiente, ações voltadas para a saúde, combate à fome, entre outros”, disse.

Segundo o diretor do Atheneu Sergipense, professor Daniel Lemos, o Atheneu ONU é resultado de um grande engajamento de toda a comunidade escolar. “Para a gente é uma satisfação estar mostrando nossa escola, baixando os muros da escola para que a comunidade se veja, para que Sergipe veja um evento de escala global. Essa é a força da educação pública no estado e da educação em tempo integral. Então nós estamos apresentando hoje o que foi construído em um ano de trabalho e de ação pedagógica”, finalizou.

Fonte: SEDUC

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