Enem: adiamento das provas traz novas expectativas e readaptações

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Coordenadora Geral do Programa Pré-Universitário/Seduc, Gisele Pádua (Foto: Arquivo Pessoal)

O cronograma do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2020 tem sido amplamente discutido durante a pandemia, considerando, principalmente, as novas datas anunciadas pelo Ministério da Educação (MEC). Para os professores envolvidos em novas metodologias de ensino, disciplina, readaptação e inclusão são as temáticas que fazem parte da rotina daqueles que se preparam para as provas.

De acordo com a coordenadora geral do Programa Pré-Universitário da Seduc, Gisele Pádua, o adiamento das provas causou expectativas e trouxe uma necessidade ainda maior de readaptação. “Ganhamos mais dez semanas para readaptar esse calendário, focar nos assuntos que mais caem nas provas e dar uma atenção mais especial ao estudante que, muitas vezes, não tem o acesso adequado para estudar”, diz ela.

A coordenadora reforça ainda a necessidade de priorizar não apenas as questões relacionadas aos conteúdos para os estudantes, mas também o incentivo a projetos paralelos que cuidem de aspectos sociais e psicológicos. “Eles precisaram se isolar dos amigos e entrar num ritmo que não era o ritmo deles’, afirma Gisele.

Para o professor Fabiano Oliveira, é comum que os desafios sejam crescentes, já que diante das mudanças precisamos lidar imediatamente com uma pandemia e suas consequências. “O mundo não estava preparado para passar pela pandemia, então temos desafios que são causados por fatores que vão desde o acesso à tecnologia à questões como a falta de costume”, afirma.

Questões tecnológicas

Professor Fabiano Oliveira, Mestre em Linguística (Foto: Arquivo Pessoal)

Fabiano explica que a problemática histórica da falta de costume sobre aulas remotas traz, inclusive, a necessidade de adaptação do próprio tempo e habilidades. “Nós estamos agora nos alfabetizando em tecnologia, tanto no ensino quanto na aprendizagem. Problemas tecnológicos surgem tanto para alunos que não possuem acesso quanto para aqueles que estão acostumados com a tecnologia, mas não se adaptaram ao sistema remoto de ensino”, diz ele.

O professor reforça, inclusive, que a necessidade de adaptação surge ‘dos dois lados’. “O professor não é um jornalista nem um apresentador e também está se adaptando ao uso da tecnologia, principalmente quanto ao uso das aulas gravadas. Estamos engatinhando na incerteza da pandemia, por meio de experimentos realizados nas redes de ensino para aprender a trabalhar nessa nova forma”, explica.

Como forma de incentivo aos estudantes que enfrentam diversas mudanças enquanto caminham em direção aos seus sonhos, os professores listam algumas orientações:

Nova rotina de estudos

Assim como era fundamental nas salas de aula, é de extrema importância reorganizar os estudos levando em consideração o tempo livre que em casa. Separe o tempo e mantenha a dedicação assim como ocorria nas escolas.

Organize um cronograma de estudos:

O cronograma é uma dica importante na organização do tempo. Separe os assuntos por categorias e prioridades, como uma forma de administrar as horas em que se dedicará ao estudo.

Dedique algumas horas para assuntos paralelos ao Enem:

Para manter a saúde mental e estar disposto aos estudos é preciso ocupar o tempo com questões que despertem interesse e que não estejam relacionadas ao Enem. Se permita ler, ouvir e assistir aquilo que te agrada, sem abrir mão da rotina de estudos.

Esteja em contato com seus professores e alunos:

O frequente contato com os professores e colegas de turma é fundamental para lidar com as dúvidas e até mesmo para acompanhar a metodologia.

Use o tempo ao seu favor:

Assim como dito por Gisele, é preciso usar o adiamento das provas como um tempo a ais para se organizar, com a esperança de que os prejuízos sejam minimizados. “Não podemos abandonar o estudo pela situação que estamos enfrentando, estamos juntos e seguiremos juntos até o final. Nesse momento o sacrifício vai além do que já estávamos nos preparando e precisamos trabalhar a questão das frustrações, porque a gente precisa continuar”.

por Juliana Melo e Raquel Almeida

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