Future-se: professores da UFS veem com desconfiança programa do MEC

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O programa ‘Future-se’, anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) no mês passado, ainda segue gerando desconfiança por parte de alguns professores universitários (Foto: Portal Infonet)

O programa ‘Future-se’, anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) no mês passado, ainda segue gerando desconfiança por parte de alguns professores universitários. Em reunião no auditório da Assembleia dos Docentes da Universidade Federal de Sergipe (Adufs), no campus São Cristóvão, na tarde tarde desta quinta-feira, 1º, professores da instituição relataram falta de aprofundamento do programa, além de pontos inconsistentes que podem deixar o ensino público refém dos interesses da iniciativa privada.

Segundo Sonia Meire, professora da UFS, o programa representa um risco à educação do setor público (Foto: Portal Infonet)

Segundo Sonia Meire, professora da UFS, o programa representa um risco à educação do setor público. “Esse programa é completamente nocivo porque põe fim à educação pública brasileira, às universidades e os institutos federais”, destaca. Meire afirma que o projeto vincula o orçamento da União à transferência para uma organização social. “Apesar dela ter na sua natureza a caridade, vive do lucro”, observa.

A professora destaca ainda que o objetivo do proposta é “mercantilizar” a educação pública. “No fundo o Governo [Federal] quer comercializar toda a função pública, no ensino, na pesquisa ou extensão, para que ela entre na lógica do mercado. Portanto, vários cursos deixarão de existir se não houver quem compre o produto da nossa formação e da nossa pesquisa”, resume. Um dos fatores preocupantes, na sua visão, é a perda da soberania nacional no tocante ao fomento à iniciação científica. “Nenhum país que se preze entrega sua produção científica ao setor privado. Os Estados Unidos, onde este ministro [Abraham Weintraub] se baseia para lançar esse programa, tem 60% da sua pesquisa mantida pelo setor público”, avalia.

O professor Roberto Rodrigues, por sua vez, vê com total inconsistência os pontos principais que formam o programa ‘Future-se’ (Foto: Portal Infonet)

O professor Roberto Rodrigues, por sua vez, vê com desconfiança os pontos principais que formam o programa ‘Future-se’. “Quem observa o projeto, por meio da consulta pública, vê que não há uma clareza. Tem trechos bonitos de ‘internacionalização’ e ‘inovação’, mas não deixa claro como isso será feito”, avalia. Ainda segundo o docente, assim como outros instituições públicas de ensino superior, a UFS pode captar recursos da iniciativa privada através das suas fundações. “Não precisa desmontar o que já tem. Apenas uma ou outra fundação não funciona, mas no geral, pelo país, várias funcionam”, destaca.

Future-se

O MEC quer criar um fundo de natureza privada cujas cotas serão negociadas na Bolsa de Valores, para financiar as universidades e institutos federais. A intenção é que esse esses recursos financiem pesquisa, inovação, empreendedorismo e internacionalização das instituições de ensino. De acordo com o MEC, a operacionalização do Future-se ocorrerá por meio de contratos de gestão firmados pela União e pela instituição de ensino com organizações sociais (OSs). As OSs são entidades de caráter privado que recebem o status “social” ao comprovar eficácia e fins sociais, entre outros requisitos.

por João Paulo Schneider  e Verlane Estácio

Com Informações da Agência Brasil

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