Lúcio Góis lança livro Governança para Contratações Públicas Estratégicas

O lançamento acontece na próxima terça-feira, dia 28 de julho, no Museu da Gente Sergipana das 17h às 20h.

O lançamento do livro de Lúcio Góis acontece no dia 28 de julho no Museu da Gente Sergipana (Foto: Arquivo Pessoal)

O mestre em administração pública, Lúcio Góis, lança em Aracaju o livro “Governança para Contratações Públicas Estratégicas: Origem, Razões e Passo a Passo para Implantação” da Editora Dialética. A solenidade acontece na próxima terça-feira, dia 28 de julho, no Museu da Gente Sergipana das 17h às 20h e pretende reunir familiares, amigos, pesquisadores e profissionais da administração pública de Sergipe..

De acordo com o especialista Lúcio Góis, a obra nasce para demonstrar como transformar a compra pública de um rito burocrático em um vetor de resultados sociais.

Confira a entrevista com Lúcio Góis concedida ao Portal Infonet

Portal Infonet- O que motivou o senhor a escrever o livro Governança para Contratações Públicas Estratégicas e qual lacuna ele busca preencher na administração pública?

Lúcio Góis– O livro nasce da necessidade de preencher a lacuna entre a teoria administrativa e a prática cotidiana nos órgãos públicos brasileiros. Após mais de 30 anos de experiência no serviço público, entendi que era necessário transformar a pesquisa acadêmica desenvolvida no mestrado em uma ferramenta que conectasse a evolução histórica da gestão pública às mais modernas ferramentas de inteligência estratégica em contratações. O objetivo foi oferecer um caminho para que a contratação pública deixe de ser um fim em si mesma e passe a gerar valor público real para a sociedade.

Portal Infonet- Na sua avaliação, quais são os principais desafios que os órgãos públicos ainda enfrentam para implementar uma governança eficiente nas contratações?

L.G– O principal desafio reside em romper com uma visão estritamente cartorial e reativa, que, por décadas, focou apenas no cumprimento de ritos burocráticos, ignorando se a compra efetivamente resolvia o problema público. Além disso, persistem falhas críticas de direcionamento da alta gestão e um déficit de institucionalização da governança. Nesse contexto, muitas patologias detectadas nas contratações nascem acima do processo licitatório, na ausência de estruturas estáveis de priorização.

Portal Infonet- Por que uma contratação estratégica começa muito antes da licitação, segundo o livro?

L.G– Porque contratar é, antes de tudo, escolher prioridades e organizar a escassez de recursos orçamentários e humanos. Por trás de cada processo licitatório existe uma camada decisória onde se distribuem competências, se harmonizam planejamento e orçamento e se mede o risco. O planejamento de uma contratação, através de artefatos como o Estudo Técnico Preliminar (ETP), é o que permite identificar a melhor solução para o problema público antes mesmo de se pensar no Termo de Referência ou no Edital, evitando que o rito burocrático se torne um fim em si mesmo.

Portal Infonet- Como a Nova Lei de Licitações e Contratos (Lei nº 14.133/2021) reforça a importância da governança nas compras públicas?

L.G– A Lei nº 14.133/2021 consolidou a governança como um dever legal da alta administração, superando o enfoque meramente procedimental das normas anteriores. O parágrafo único do artigo 11 da Lei nº 14.133/2021 estabelece que a cúpula do órgão é a responsável direta por implementar mecanismos de liderança, estratégia e controle com o objetivo de avaliar, direcionar e monitorar a gestão, garantido resultados que atendam aos anseios reais da sociedade.

Portal Infonet- De que forma uma boa governança nas contratações pode gerar economia de recursos e melhorar a qualidade dos serviços prestados à população?

L.G– A administração pública contemporânea enfrenta um desafio sem precedentes: entregar resultados de alto valor social em um cenário de escassez de recursos, vigilância social crescente e complexidade normativa. Nesse contexto, a contratação pública deixou de ser uma atividade meramente acessória para se tornar o eixo crucial da implementação de políticas públicas. No entanto, para que a compra deixe de ser um fim em si mesma e passe a gerar valor, é imprescindível falar em Governança. O Estado é o maior comprador de uma nação. No Brasil, o volume de recursos movimentado pelas contratações públicas representa uma parcela significativa do PIB – R$ 1,10 trilhão em contratações homologadas cadastradas no Portal Nacional de Compras Públicas em 2025 –, o que coloca o processo de aquisição no centro da eficiência governamental. No entanto, por décadas, a visão sobre as compras públicas foi limitada a uma perspectiva estritamente cartorial e reativa: o foco era o cumprimento de ritos burocráticos, muitas vezes ignorando se o objeto contratado efetivamente resolvia o problema público ou se o preço pago refletia o melhor valor para a sociedade. Este cenário mudou. Com a transição da era burocrática para a gerencial, saímos da rigidez da norma pela norma para uma administração voltada a resultados. Contudo, resultados não surgem por acaso; eles são frutos de uma estrutura sólida que garanta que a decisão de compra seja tecnicamente amparada, eticamente conduzida e estrategicamente planejada. A boa governança substitui o foco no menor preço imediato pela análise do custo de todo o ciclo de vida do objeto, incluindo manutenção e descarte, o que evita custos ocultos elevados no futuro. Em outra frente, a visão de longo prazo colabora com a adoção das compras centralizadas, em que o Estado ganha poder de escala e pode fomentar a inovação, a padronização, o ganho de qualidade e a redução de custos.

Portal Infonet- Quais práticas ou ferramentas o senhor considera essenciais para que gestores públicos tornem as contratações mais estratégicas, transparentes e eficientes?

L.G– A criação de um Comitê de Contratações Estratégicas e de um Plano Estratégico de Contratações plurianual permite harmonizar as compras com os objetivos estratégicos institucionais e com o planejamento orçamentário, reduzindo desperdícios (financeiros e humanos) e garantindo que os recursos orçamentários sejam aplicados onde o retorno social é maximizado. O Comitê de Contratações Estratégicas é concebido como uma instância colegiada de apoio à alta administração, funcionando como um elo entre a alta gestão e as áreas de contratação. Sua missão é municiar a alta gestão com informações qualificadas e facilitar o alinhamento de gestores de diversas áreas para evitar conflitos e obter decisões que maximizem os resultados da organização como um todo. Por sua vez, o Plano Estratégico de Contratações, diferente do Plano de Contratações Anual tradicional, possui caráter plurianual, projetando a governança para além da urgência do calendário fiscal de 12 meses, organizando as decisões em um horizonte mais largo e estável, alinhando-se ao Planejamento Estratégico Institucional e ao Plano Plurianual (PPA). Ele serve ainda para identificar e sustentar contratações de grande vulto e alta complexidade (como tecnologia e infraestrutura), que frequentemente ultrapassam um único exercício financeiro, garantindo continuidade institucional, eficiência orçamentária, previsibilidade e segurança ao mercado fornecedor.

Portal Infonet- Que mensagem o senhor deixaria para gestores e servidores públicos que desejam transformar as contratações em um instrumento de desenvolvimento e geração de valor para a sociedade?

L.G– A boa governança não é um acessório da gestão, mas o instrumento que torna a entrega de resultados possível e duradoura. Quero que o gestor compreenda que a governança das contratações é o caminho mais curto entre a arrecadação de tributos e a entrega de serviços de qualidade para a sociedade.

Outras informações:

Lançamento do livro em Aracaju:
Data: 28 de julho de 2026
Horário: Das 17 às 20h
Local: Museu da Gente Sergipana

Lançamento em Brasília
Data: 24 de agosto de 2026
Horário: Das 16 às 19h
Local: Memorial da Procuradoria-Geral da República

Currículo do autor:

LÚCIO GÓIS
Mestre em Administração Pública, Especialista em Gestão Pública e em Gestão de Pessoas, Engenheiro Civil. Servidor do Ministério Público Federal há 31 anos, com mais de 17 anos de experiência como ordenador de despesas. Atual Secretário Estadual em Sergipe e ex-Secretário Nacional de Administração da instituição. Autor de publicações sobre governança das contratações, compras públicas estratégicas e centralizadas.

por Aisla Vasconcelos

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