Marcha pela implantação da UFS no Sertão

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Evento acontece no próximo dia 11 em Poço Redondo (Foto: Arquivo Portal Infonet)

Sob o slogan, “Universidade no Sertão um sonho que se aproxima”, acontecerá no próximo dia 11 de agosto, quinta-feira, a Marcha pela implantação do Campus da Universidade Federal de Sergipe – UFS, no Alto Sertão. O local da concentração será no Assentamento Queimada Grande, às 08:00h, com destino a cidade de Poço Redondo, onde haverá uma audiência pública.

Conforme explica o articulador do Alto Sertão, Marcos César Oliveira, o território é o maior do Estado, ocupando 23% de toda superfície.

Segundo dados oficiais do IBGE, sua população é de 137.926 habitantes. Tem o menor índice de desenvolvimento humano do estado (0.575). É ainda o território que possui o 2º maior PIB (Produto Interno Bruto) do estado que corresponde a 11%. Este território é possuidor do maior rebanho bovino, sendo responsável por 46% da produção de leite do estado. “Aqui se encontra a 2ª maior produção de milho e feijão do estado. O Território possui ainda um grandioso e diversificado acervo cultural e turístico”, justifica.

Marcos salienta que há no Alto Sertão sergipano uma forte atuação de sujeitos sociais: existência de comunidades quilombolas e indígena; grupos produtivos de mulheres; agricultura camponesa; atuação do coletivo de juventude do campo e da cidade; forte presença organizações e movimentos sociais; grupos culturais; Colegiado Territorial consolidado.

Educação Pública

“É neste chão e neste contexto que nasce em 2003 a luta pela implantação imediata do campus da UFS que se fundamenta na realidade do sertão e na necessidade de cada vez mais assegurarmos o direito ao acesso a uma educação publica e de qualidade, baseada no ensino, na pesquisa e na extensão, que objetive o  desenvolvimento local na perspectiva cultural, política, social, ambiental e econômica”, disse.

“Para nós, olhar a juventude do Alto Sertão Sergipano é também olhar para os desafios e sonhos que estão presentes na história e na vida do povo sergipano. Assim como em outras regiões o alto sertão sergipano possui diversas características que o diferencia dos demais territórios”.

Segundo Marcos, fatores como a escassez de chuvas, a falta da efetivação de políticas públicas e a desigualdade social, apresentam-se como desafios que condenam à juventude a ociosidade, ao subemprego e a não continuidade dos estudos. Poucos ainda conseguem se deslocar para a capital para continuar os estudos, porém com alto custo de sacrifício, principalmente financeiro por parte de suas famílias. Agregado a este, diversos outros, entre eles o distanciamento de suas origens.

É este contexto que faz com que o território do Alto Sertão (seus sujeitos sociais) se mobilizassem mais uma vez lutando pela implantação imediata de um campus da UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE em terras sertanejas tendo em vista que a mesmo vai contribuir significativamente para seu o desenvolvimento.

Expansão

Apesar do Sertão está incluído no projeto de expansão da Universidade, este ainda não nos contemplou, assim percebemos a necessidade de reforçar a nossa luta, por isso muitos momentos foram realizados: abaixo assinados; ato na UFS/São Cristovão; audiências publica, inclusive com Assembléia Legislativa; entre outros, logos processos de sensibilização e de debates sobre esta luta com a juventude do Sertão.

“Assim, buscamos dar continuidade ao processo de luta, para tanto, estamos mobilizados para  realizar uma Grande Marcha no dia 11 de Agosto no Sertão em Poço Redondo (saída do Assentamento Queimada Grande com destino a cidade de Poço Redondo). Esta precisa representar nosso desejo e reivindicação pela UFS no Sertão já!”, explica ele.   

 O território do alto sertão sergipano é marcado por profundas contradições. Se por um lado temos o menor índice de desenvolvimento humano, por outro, somos o maior produtor de leite do estado e o segundo maior produtor de grãos. Possuímos ainda a maior área territorial e o segundo maior PIB. Aliados a isso, temos características físicas e biológicas específicas, como a vegetação de caatinga, o clima semi-árido e a presença de espécies endêmicas, o que faz o sertão se diferenciar de qualquer outra região do estado de Sergipe.

“Infelizmente, fomos historicamente apresentados pelos livros de história como a região da pobreza, da sede e do êxodo rural. Tudo isso é explicado pela marca deixada pelo latifúndio, pelos “coronéis” e pela ausência de políticas publicas comprometidas com a qualidade de vida da população”, ressalta.

“Sendo assim, defendemos e estamos em luta permanente pela instalação urgente de um Campus da Universidade Federal de Sergipe em terras sertanejas. Acreditamos que isso possibilitará a nossos filhos a oportunidade de continuar os estudos e melhorar de vida. Tão importante quanto, é a necessidade que nossa terra tem de ter uma instituição publica e de qualidade que possa colocar suas pesquisas e estudos a serviço da melhoria de vida de nossa população, desenvolvendo e socializando tecnologias apropriadas a nossa realidade e dialogando com os sonhos de nossa gente”.

A implantação do Campus da UFS no Alto Sertão já é um projeto previsto no plano de expansão da UFS, que tem crescido, mas com dificuldade de interiorização. Portanto temos a reitoria da universidade como aliada do povo, que já se mobiliza.

Mobilização

Esta mobilização teve início em 2005/2006, que numa demonstração de compromisso da população foi coletada mais de 40.000 (quarenta mil) assinaturas em todo médio e alto sertão e as entregou nas mãos do então presidente Lula, demonstrando o anseio de todo o povo sertanejo em prol da extensão do referido Campus.

“Lembramos ainda, que a presidenta Dilma fez compromisso com o povo sertanejo, afirmando que, se eleita fosse, o sertão sergipano teria a bacia leiteira revitalizada, bem como, implantaria o Campus da UFS no sertão. Já em fevereiro de 2011, fomos até a Tribuna da Assembléia Legislativa do Estado e apresentamos aos deputados o nosso desejo, conseguido de todos os presentes o compromisso com essa luta”, lembra Marcos, que convoca toda a sociedade sergipana a se empenhar nessa luta.

“Apenas com o povo organizado e com a classe política convencida e determinada, conseguiremos corrigir o erro histórico da condenação do povo sertanejo ao esquecimento”, finaliza.

Fonte: Assessoria

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