Pesquisadores veem desmonte da ciência com cortes em bolsas do CNPq

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Pesquisadores preveem um desmonte nas bolsas do CNPq e um futuro incerto para a ciência no Brasil (Foto: divulgação/MCTIC)

Com um dos menores orçamentos do país, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), não vê outra saída a não ser frear investimentos em pesquisas científicas. Para piorar a situação, o governo anunciou no início deste mês um corte de 42% na pasta. A redução de recursos chegou a R$ 2,1 bilhões de um orçamento anual de R$ 5,07 bilhões. O ministério agora conta com um orçamento final de R$ 2,9 bilhões. Diante desse panorama, pesquisadores preveem um desmonte nas bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e um futuro incerto para a ciência no Brasil.

“O MCTIC talvez seja o ministério mais sacrificado em termos de orçamento”, reitera Quintans (Foto: Portal Infonet)

Segundo o Pró-Reitor de pós-Graduação e Pesquisa da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Lucindo Quintans, as universidades são importantes recintos de pesquisa científica. Ele destaca que as instituições de ensino superior são movidas por uma combinação harmônica de Ensino, Pesquisa e Extensão. “O CNPq é o braço direito que faz com que essa relação entre esses diferentes campos possam continuar”, diz. Sem um aporte seguro do MCTIC, ela acredita que as pesquisas que estão em andamento podem vir a ser paralisadas ou negligenciadas.

Ainda segundo Lucindo, não é possível entender a lógica que leva o governo a priorizar constantes cortes nas áreas de Ciência e Tecnologia. “A pesquisa cientifica ou tecnológica precisa existir constantemente se não o país não desenvolve”, afirma. “Mas infelizmente não tem como o ministério funcionar com um corte de quase 50% do seu orçamento”, avalia.

A Pró-Reitora de Pesquisa e Extensão da Universidade Tiradentes (Unit), Juliana Cordeiro Cardoso, também concorda com os argumentos apresentados pelo professor Lucindo. Segundo Juliana, as bolsas são imprescindíveis porque embora o professor ‘pense’ a pesquisa, quem a desenvolve são os discentes. “Há professores que já disseram para mim que sem alunos é praticamente impossível levar projetos científicos adiante”, lamenta.

“Nós não temos oportunidades para reter talentos porque os recursos estão cada vez mais escassos”, lamenta Juliana (Foto: Portal Infonet)

Juliana explica que se ocorrem cortes nas bolsas do país haverá também cortes na operação dos projetos que estão em andamento. “A bolsa é a mola propulsora da operação-pesquisa”, resume. Ela cita como um dos exemplos bem sucedidos as bolsas destinas à iniciação científica ofertada para alunos de cursos de graduação. “O aluno de iniciação científica, por exemplo, ganha uma bolsa de R$ 400 reais mensais para se dedicar 20h semanais a um projeto. Muitos deles são premiados nacionalmente pela contribuição em inúmeras pesquisas”, afirma.

Como as bolsas funcionam

Os pesquisadores explicam que o CNPq está ligado ao MCTIC. Com os cortes anunciados, o ministério fica praticamente obrigado a reduzir investimentos e, com isso, a manutenção das bolsas passa a figurar no campo da incerteza. “Nós temos 238 projetos bolsas de iniciação científicas pagas pelo CNPq que não há garantia que continuarão a ser pagas até o final do ano”, lamenta Quintans.

Ainda segundo o professor, há mais de quatro anos que a Ciência e Tecnologia vem sofrendo duros golpes devido aos cortes no orçamento.  “Segundo alguns dados relacionados a questão de cortes, com as reduções que vêm desde 2016 já houve um prejuízo de quase 20 anos na ciência e tecnologia brasileira em apenas três anos”, lamenta.

Juliana Cardoso, por sua vez, afirma que embora o processo de pesquisa seja demorado, os resultados são de extrema importância para a sociedade. “Se temos um grande e complexo sistema de vacinas foi porque alguém percebeu que havia um surto epidemiológico que precisaria ser combatido”, destaca. “Não se conta a história de cada produto lançado. Para qualquer medicamento que a pessoa toma, por exemplo, há por trás anos e anos de testes e pesquisas”, acrescenta.

Por João Paulo Schneider

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