
A entrega de 20 kits tecnológicos para escolas das redes estadual e municipal de Sergipe marca uma nova etapa da transformação digital da educação no estado. Realizada por meio do projeto Comunidades Digitais, a iniciativa amplia o acesso à conectividade e às ferramentas digitais em sala de aula, ao mesmo tempo em que fortalece a formação de professores para o uso pedagógico da tecnologia.
A ação é fruto de uma parceria entre a Secretaria de Estado da Educação (Seed), a American Tower e o ProFuturo, programa global de educação da Fundação Telefônica Vivo e da Fundação “La Caixa”, que atua em Sergipe desde 2017 promovendo a integração da tecnologia ao processo de ensino e aprendizagem. Os kits contam com tablets, notebooks, roteadores, fones de ouvido e modem com acesso à internet, beneficiando escolas das redes estadual e municipal de ensino.
Em entrevista ao Portal Infonet, Lia Roitburd, gerente sênior de Programas e Estratégias Pedagógicas da Fundação Telefônica Vivo, explica por que a transformação digital vai além da distribuição de equipamentos, quais desafios ainda existem para integrar a tecnologia ao ensino e como esse processo tem impactado escolas atendidas pelo programa. Confira:
Portal Infonet: Muitas iniciativas de tecnologia chegam às escolas por meio da doação de equipamentos. O que diferencia o projeto Comunidades Digitais e o ProFuturo de outras ações de inclusão digital?
Lia Roitburd: O grande diferencial é ir além da entrega de equipamentos. A tecnologia chega às escolas acompanhada de uma proposta pedagógica estruturada, com formação continuada de professores, suporte técnico e acompanhamento ao longo do tempo, garantindo que seja usada, de fato, para melhorar a aprendizagem. Nesse processo, a plataforma Matemática ProFuturo tem papel fundamental, ao apoiar o ensino com conteúdos organizados, atividades interativas e acompanhamento do progresso dos estudantes. Ela torna o aprendizado mais engajador e, ao mesmo tempo, oferece ao professor dados e ferramentas que qualificam sua prática pedagógica. Além disso, o projeto inclui mentoria e monitoramento de resultados, contribuindo para consolidar o uso da tecnologia no dia a dia da escola. Na prática, mais do que ampliar o acesso digital, o programa promove uma transformação consistente na forma de ensinar e aprender matemática, com impacto real no desenvolvimento dos estudantes.
Infonet: Na experiência da Fundação Telefônica Vivo, quais são os principais desafios para transformar a tecnologia em uma ferramenta efetiva de aprendizagem, e não apenas em um recurso disponível na escola?
Lia: O principal desafio é sair do uso pontual e fazer com que a tecnologia esteja integrada ao processo pedagógico. Não basta ter o equipamento disponível, é preciso saber como usá-lo com intencionalidade. Para isso, a formação dos professores é um ponto central, porque muitos não tiveram esse repertório na formação inicial. Também existe o desafio de conectar o uso da tecnologia ao currículo e garantir que ela realmente contribua para o desenvolvimento de habilidades. Na nossa experiência, isso só acontece quando há apoio contínuo, acompanhamento e uso de dados. Quando o professor se sente preparado, a tecnologia deixa de ser um recurso acessório e passa a fazer parte da aprendizagem.
Infonet: A formação dos professores é um dos pilares do programa. Como esse processo acontece e quais mudanças vocês costumam observar na prática pedagógica dos educadores que participam da iniciativa?
Lia: A formação acontece de maneira contínua, combinando atividades presenciais e online, sempre com foco no uso pedagógico da tecnologia, desenvolvimento de competências digitais e análise de dados. O que a gente observa na prática é uma mudança importante na atuação do professor. Ele ganha mais segurança, passa a usar as ferramentas com mais intencionalidade e começa a explorar estratégias mais interativas e centradas no aluno. Também é muito comum ver o uso de dados da plataforma para personalizar o ensino e melhorar o acompanhamento dos estudantes. Em muitas escolas, isso vem acompanhado de um aumento no engajamento dos alunos e de uma dinâmica mais colaborativa.
Infonet: O debate sobre inteligência artificial e novas tecnologias está cada vez mais presente na educação. Como a Fundação Telefônica enxerga o papel dessas ferramentas no ambiente escolar?
Lia: A gente entende que essas tecnologias têm um papel importante como apoio ao professor e como ferramentas para personalizar a aprendizagem. Elas ajudam, por exemplo, a identificar lacunas e a adaptar o ensino às necessidades dos alunos. Ao mesmo tempo, assim como outras ferramentas tecnológicas, o uso precisa ser intencional e responsável. A tecnologia não substitui o professor, ela potencializa o trabalho pedagógico. Por isso, a formação continua sendo um fator essencial. O foco é usar essas ferramentas para desenvolver não só conteúdo, mas também competências como pensamento crítico, autonomia e resolução de problemas.
Infonet: Após anos de atuação do ProFuturo em Sergipe e em outros países, quais transformações mais chamam a atenção de vocês no comportamento dos alunos, no engajamento dos professores e na cultura das escolas participantes?
Lia: O que mais chama atenção é a mudança consistente no ambiente escolar. Os alunos ficam mais engajados, participam mais e desenvolvem maior autonomia no aprendizado. Entre os professores, há um aumento claro na confiança para usar tecnologia e uma mudança na forma de conduzir as aulas, com práticas mais interativas e baseadas em dados. E, talvez o mais importante, a escola como um todo passa a incorporar a tecnologia de forma mais estruturada. Cria-se uma cultura digital que vai além de ações pontuais e se mantém ao longo do tempo – como uso de plataformas digitais no planejamento das aulas, personalização do ensino, integração da tecnologia ao currículo de forma regular, por exemplo – o que impacta a qualidade da educação de forma mais sustentável.
Por Verlane Estácio

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