Professores e alunos fazem ato pedindo segurança

Professoras Viviane Dantas e Cláudia Oliveira com alunos do Olga Barreto (Fotos: Portal Infonet)

Segurança. Essa foi a palavra de ordem durante o ato realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese), na manhã desta quinta-feira, 13 na frente do Palácio dos Despachos. Professores e estudantes protestaram contra a violência nas escolas das redes estadual e municipal de ensino, especialmente  por conta do episódio em que o professor da Escola Olga Barreto [no conjunto Eduardo Gomes] Carlos Cristian Almeida Gomes, 23, baleado por um aluno na última terça-feira, 12.

“É algo inexplicável que por conta de uma avaliação, um aluno atire no professor. Era a primeira avaliação e ele poderia recuperar, mas preferiu usar de tamanha violência”, lamenta a professora do Olga Barreto, Cláudia Oliveira acrescentando que o estudante cursava há dois anos, a quarta etapa do Eja [Educação de Jovens e Adultos].

Michele Santos: "Não queremos que isso se repita"

"É muito triste você ver um colega agonizando do lado e saber que foi um aluno que o alvejou dentro da escola", completa a professora Viviane Dantas.

A estudante Michele Conceição Santos também lamentou a violência. “A gente nem acredita que aconteceu mesmo isso com o professor Cristian e está aqui para pedir segurança aos governantes. A gente não quer que isso volte a acontecer nem na nossa escola, nem nas outras”, teme.

O presidente do Sindicato dos Vigilantes, João Lira também participou do ato e destacou que além da falta de segurança nas escolas, está faltando treinamento. “Falta segurança nas escolas e preparo para os vigilantes. Recentemente entraram em uma escola de Itabaiana, fizeram funcionários, professores e alunos de reféns e assaltaram. E no caso do Olga Barreto, como barrar um estudante fardado dentro da escola, como saber se ele está armado. Colocam a culpa nos vigilantes quando deveriam colocar detector de metais”, afirma.

Sintese

João Lira: "Falta de segurança e despreparo"

A presidente do Sintese, Ângela Melo disse que o sindicato está realizando um ato pela vida. “O Sintese chamou para um ato conjunto entre professores e alunos visando cobrar do poder público providências em relação a questão da violência. É um ato pela vida, pois não podemos admitir essa política de exclusão. Professores e estudantes são vítimas dessa educação excludente e queremos sabre como o nosso jovem estudante adquiriu uma arma? Como tem contato com as drogas? Precisamos ter uma política de segurança pública que coíba esse tipo de violência”, ressalta.

Ângela Melo disse ainda que após o ato, os participantes iriam até a Secretaria de Estado da Educação, protocolar um ofício pedindo segurança. “Há quem diga que a solução seria a instalação de detectores de metais. Discordo porque a escola não é banco que só tem uma porta de entrada e saída. A escola precisa ser aberta, o que não se está conseguindo por conta da violência e o que se vê são muros cada vez mais altos”, enfatiza.

Adelmo Meneses e demais integrantes do Sindipema

Ângela Melo: "Vítimas de uma educação excludente"

Professores e alunos fazem oração pela recuperação de Carlos Cristian

Representantes do Sindicato dos Profissionais do Ensino do Município de Aracaju, Sindipema, também participaram do ato intitulado ‘Somos todos Carlos Cristian’. “Estamos solidários a esse movimento que trata da falta de segurança nas escolas e quero aqui lembrar do caso do professor Edilson Gomes que levou um tiro na sala de aula, em 2013 na Escola Augusto Ferraz, no bairro Industrial e continua com sérias seqüelas”, diz o presidente Adelmo Meneses.

A esposa de Carlos Cristian, Denise Nogueira também participou do ato, mas não quis falar com a imprensa, alegando que alguns setores estão divulgando inverdades, chegando ao ponto de afirmar que o professor tinha morrido, causando grande susto à mãe e á toda a família.

O professor foi operado e continua internado no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse).

SEED

Após o crime, a Secretaria de Estado da Educação (SEED) informou que: "na escola há sete vigilantes e que o foi atípico. Ainda segundo a assessoria, neste momento uma equipe da secretaria, incluindo dois psicólogos prestam assistência à família".

Por Aldaci de Souza

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