Ailton Rocha: uma vida de futebol

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Barroso Guimarães Nos campos de futebol desde os 17 anos… Ailton Rocha conhece bem a vida de quem escolhe esse esporte para viver. Com os pés na bola, passou 15 anos. Médio volante dos bons que deixou sua marca na história do futebol sergipano. Ailton Rocha é pernambucano. “Sou de Abreu e Lima com muito orgulho”, fala com um sorriso carinhoso da sua terra natal. Rocha jogou no América, Sport e Santa Cruz, de Pernambuco. “No CSA, de Alagoas, fui campeão estadual. Depois passei pelo Bahia, onde também ajudei o time conquistar o estadual”, conta ele saudoso dos tempos de atleta. Em Aracaju, Ailton Rocha jogou no Sergipe. No mais querido, formou com Zé Pequeno e Naninho (que faleceu na semana passada), um trio imbatível. “Meu nome era Ailton e o sobrenome era Zé Pequeno e Naninho. Não dava para falar de um sem lembrar dos outros dois. Até hoje muita gente fala assim”, lembrou com alegria da época de glória. No Sergipe, Ailton também foi campeão estadual. Aqui, na terra dos coqueiros, acabou fincando as raízes. “Bebi da água de Sergipe e nunca mais consegui ir embora. No máximo, trabalhar fora por algum tempo”. Foi em Sergipe que encerrou a carreira dentro de campo e partiu para outros desafios onde quebrou algumas barreiras. “Eu fui o primeiro supervisor de futebol remunerado do Estado. Fui também o primeiro preparador de goleiro remunerado de Sergipe”, relatou com orgulho da conquista. O TÉCNICO AILTON ROCHA Aos trinta e dois anos, Ailton Rocha pendurou as chuteiras. Já técnico do Lagarto, hoje a Lagartense, teve que formar um time para um torneio regional. Na equipe, os famosos Lu e Dequinha. “Na falta de jogadores, tive que calçar de novo minhas chuteiras para completar a equipe”, conta Ailton. “E que time, conseguimos vencer o torneio”, completa entre risos. “Para completar, fomos vice-campeões do campeonato sergipano”, continua Rocha. E o trio, Ailton, Lu e Dequinha deu o que falar. “Um século de bom futebol, disse Adilson Cruz, cronista esportivo. Ele somou a nossa idade”, Ailton fala feliz da recordação, que virou história. “Essa lembrança não sai da minha cabeça. É uma das melhores da minha carreira. É mesmo especial”, conclui o técnico. No comando de times, foi bi-campeão com o Confiança em 1976/1977. “Era um time fantástico”, Rocha afirma animado. Houve também torneios e participações no Campeonato Brasileiro série C. Muita experiência na bagagem. A SAÍDA DO ITABAIANA Ailton Rocha decidiu deixar o Itabaiana depois do jogo de sábado, 5 de junho. O time da Serra empatou em 1 a 1 com Riachuelo, no Estádio Presidente Médice, em Itabaiana. O motivo: A convivência com a imprensa local. “O pessoal da imprensa de Itabaiana estava colocando a torcida contra mim. Eu fui sempre duramente criticado sem direito a defesa”, desabafou o técnico. “Tudo o que fazia era alvo de crítica por parte da imprensa, mas nunca ninguém me procurou para saber a causa, por que eu fazia essa ou aquela mudança”. E Ailton Rocha conta um episódio: “No jogo contra o Sergipe, fizemos uma boa partida, mas vacilamos e tomamos o gol. Entramos com 4 atacantes. Faltando 20 minutos para o fim da partida, tirei um atacante e coloquei um meio-campista. O jogador havia pedido para sair. Por causa da mudança fui crucificado”, relata Rocha, “e sem direito a explicações, não fui ouvido”. A história com a imprensa tem mais reclamações do técnico. “Na rádio local há um programa de esporte de uma hora. Nesse programa, se gastava bastante tempo para criticar meu trabalho, mas durante os 3 meses que estive à frente do tricolor nunca fui convidado para uma entrevista”, constata, “nunca me deram espaço para falar sobre as dificuldades que vinha enfrentando no time”. As dificuldades no Itabaiana passam pela questão financeira, algo que não depende do técnico para ser resolvida, mas que acaba chegando ao campo e comprometendo o trabalho do time. “Sem dinheiro, sem patrocínio e sem público. Assim está a situação do Tricolor”, descreve o ex-técnico do Itabaiana. “O Itabaiana é uma grande equipe, tem uma marca forte, mas atravessa uma fase ruim”. Ailton Rocha sai do Itabaiana, mas deixa as portas abertas. “Não estou magoado com o clube. Só não dava para trabalhar com a imprensa de Itabaiana trabalhando contra mim”, declara. “Não dava para agüentar a cobrança dos torcedores que viam o time sob a visão distorcida, passada pelos formadores de opinião”, diz Ailton. “Não tenho que conviver com isso. Não preciso passar por isso. Não havia outra opção. O jeito foi sair”, completa Rocha, afirmando que a diretoria entendeu a decisão que tomou. CANHOTO Canhoto e Ailton Rocha foram destaques nas notícias do esporte há poucos dias. Os dois partiram para briga depois de uma discussão. “O problema é que ele queria ser escalado, mas eu tinha um jogador que estava melhor na posição”, explica Ailton. Canhoto já estava no time, quando Rocha assumiu e foi aproveitado pelo técnico. “Ele era a minha única opção para a lateral direita. Depois contrataram um jogador que se adaptou bem e se tornou titular. É comum no futebol”, conta. Mas a questão não foi tão simples, Canhoto não aceitou bem o banco. “O Canhoto era criticado pela própria imprensa, pelo torcedor. Quando o descartei, todos foram em defesa dele, contra mim”, acrescenta. “Ele queria se escalar, em ofendeu. Parti para agressão. Não admito falta de respeito”. Rocha admite que perdeu a cabeça. “Não deveria ter deixado acontecer, mas não me arrependo. Repito. Não admito falta de respeito”, enfatizou. Depois do episódio, Canhoto sai do tricolor. FUTURO Férias. Ailton Rocha quer descanso. Vai aproveitar a parada para curtir a sua casa e a família, mas não vai ficar longe do futebol. “Vou acompanhar pelo rádio, pela televisão e, é claro, vou ao estádio acompanhar o campeonato”, confidenciou Rocha. “Estou precisando descansar. Tem um ano que não paro. Em 2003, no Confiança peguei o Brasileiro série C, depois comandei o juniores do Confiança na Copa em São Paulo. Na volta assumi o Itabaiana. Quero relaxar”, conclui o técnico. Por quanto tempo só Deus é quem sabe. Afinal, técnico dos bons não fica parado. Para terminar o Campeonato Sergipano. Qual vai ser a final? “Confiança e Sergipe”, responde sem dúvida. Ailton Rocha seguiu para casa sorridente e tranqüilo.

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