Atletas destacam os desafios de ser mulher no esporte

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Alliny Karen, do jiu-jitsu, e Gabi Vieira, do futevôlei (Fotos: Arquivo Portal Infonet)

Elas não são meras representantes da “cota feminina” em esportes dominados pelos homens. Elas são campeãs, atletas de alto nível e detentoras de títulos nacionais em modalidades nas quais, hoje em dia, a ala masculina tem de respeitá-las. Sergipanas e donas de várias conquistas, a faixa-preta de jiu-jitsu Alinny Karen e a multicampeã jogadora de futevôlei Gabriela Vieira falam do alto de suas experiências para tentar definir o que é ser mulher no meio esportivo.

Uma das quatro mulheres do estado a ser dona de uma faixa-preta de jiu-jitsu, a atleta e professora Alliny Karen é a típica papa-medalhas: em cada competição que participa, volta com pelo menos uma – e só no último Open SP ela trouxe quatro. E é com a experiência de tantos anos dedicados à 'arte suave' que a atleta destaca que ser mulher no tatame não é nada fácil.

A faixa-preta Alliny Karen: vontade de ver mais mulheres competindo

“A maior dificuldade é a falta de apoio, de patrocinadores. Existem muitas meninas que gostariam de se tornar profissionais como os homens, mas não encontram apoio”. O problema, segundo Alliny, se estende ainda nos campeonatos. “Hoje em dia há torneios que premiam as atletas 50% ou 70% menos em relação aos homens. Gostaria de ver mais meninas nos campeonatos, pois assim poderíamos cobrar mais igualdade”.

A faixa-preta também reconhece o esforço de várias atletas para continuar no esporte. “Muitas são mães e ainda passam pela dificuldade de conciliar tarefas de lar, filhos, treinos. Mas mesmo assim elas não deixam de representar as mulheres nas competições”. Alliny explica ainda que a vida de uma praticante de jiu-jitsu traz várias vantagens. “Com o jiu-jitsu aprendemos a nos defender, definimos o corpo, aumentamos a autoconfiança e desenvolvemos o caráter”.

Gabi Vieira: torneios de futevôlei feminino ainda são escassos

Mulheres das areias

Não é possível falar no futevôlei sergipano sem citar Gabriela Vieira. Com várias parceiras, a jovem atleta de 20 anos já disputou praticamente tudo – e desde que começou a competir, há três anos, faturou campeonatos estaduais, regionais e até nacionais, como a última edição do Beach Games universitário realizado em Aracaju. Mas Gabi conta que, de dentro da modalidade, nem tudo são flores.

“É um pouco difícil ser mulher no meio do futevôlei. Primeiro porque poucas mulheres jogam. Segundo porque há alguns que sequer nos deixam jogar alegando que não sabemos nada do esporte”. Falta de apoio é outro problema apontado por Gabi. “Não temos tanto apoio quanto os atletas masculinos. E também não há muitos torneios femininos por aí, sejam de confederação, sejam de outros organizadores”.

Mas as vantagens da modalidade são claras – e não discriminam mulheres nem homens. “Dentro do esporte, além de conseguir manter o corpo saudável,  tive a oportunidade de viajar para outros estados e conhecer pessoas novas”.

Por Igor Matheus

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