Xadrez ganha novos adeptos e cresce no Estado

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Meninas ganham espaço no xadrez
São 32 peças, 16 para cada jogador, um tabuleiro e um relógio. Movendo as peças de acordo com as regras do jogo e estratégias próprias, cada jogador tem por objetivo, proteger o seu rei e dar o xeque-mate. Ou seja: fazer com que o rei do adversário fique sem saída. Esse é o xadrez, um esporte emocionante, que traz inúmeros benefícios aos seus praticantes, tem baixo custo e é um dos jogos mais democráticos. É o que afirmam os enxadristas, quase sempre apaixonados pelo esporte, primo nobre do jogo de damas. O número de adeptos do xadrez vem aumentando em Sergipe nos últimos anos. “É um esporte altamente inclusivo. Não há limite de idade, sexo, grau de instrução ou tipo físico. Todo mundo pode praticar”, garante Ney Lúcio dos Santos, presidente da Federação Sergipana de Xadrez. Entusiasta do esporte, ele vem trabalhando na reorganização das competições estaduais. Mais ainda: Ney pretende colocar Sergipe de volta nas disputas nacionais.

Recentemente, em duas semanas foram dois campeonatos: a Taça Alvarim Mangueira de Xadrez, no Cotinguiba Esporte Clube e ao Campeonato Sergipano de Xadrez Rápido, no Colégio Purificação. Entre os participantes estão profissionais liberais, empresários e muitos jovens estudantes, quase sempre acompanhados dos pais ou amigos. O resultado é uma manhã ou tarde bastante animada que culmina com a entrega de medalhas e troféus. E o que também é importante: essas competições contam para o rating- pontuação oficial da federação.

      Vanderlei grande campeão

Jogadores adultos se misturam aos mais jovens sem nenhum constrangimento. O vencedor do mais recente Campeonato Sergipano de Xadrez Rápido na categoria absoluta foi o empresário Vanderley Oliveira, que festejou a conquista com uma legião de pequenos fãns. O pediatra Marcos Barros sempre marca presença nos campeonatos. “A gente gosta é de jogar. O nível do enxadrista não é medido pela idade. Xadrez é treino, estudo, disciplina e concentração. O xadrez só traz benefícios pra o praticante”, revela o médico com uma animação de fazer inveja a muito adolescente.

A base do xadrez em Sergipe são as escolas particulares, que em geral, sob a orientação de professores, oferecem aulas e treinamentos duas vezes por semana. A realização da Olimpíada da TV Sergipe, dos jogos das escolas particulares (JEPs) e o projeto Xadrez nas Escolas, do governo federal, implementado desde 2005, deram uma sacudida e incrementada no esporte no Estado. Hoje, qualquer estudante em Sergipe pode ter acesso ao esporte. Em função desse trabalho novos talentos estão despontando.

Professores apontam vários benefícios da prática do xadrez. Entre eles o aumento da capacidade de concentração, do aprendizado e a redução da hiperatividade. “Muitos alunos e pais relatam, e a gente pode constatar, que  há melhora do  rendimento escolar e até das notas,” conta a professora de xadrez (e de inglês) Clara Angélica Paixão. As meninas ainda são minoria nas competições. “Talvez falte mais incentivo ou interesse. Não sei exatamente o motivo, mas sei que elas podem jogar tão bem quanto os meninos”, assegura a professora Clara que também é campeã sergipana de xadrez. Entre os destaques femininos Leni Tabac, 13 anos, que dificilmente sai de um campeonato sem premiação. “Aprendi a jogar com meu pai e gosto de xadrez porque a gente precisa pensar muito e pelas diversas possibilidades de jogadas. Isso termina ajudando na vida da gente”, conta.

               Novos adeptos

 Atenta aos benefícios do esporte, a professora Silvia Menezes, que realiza um trabalho voluntário com jovens carentes do conjunto Fernando Collor, incluiu o xadrez no projeto de reforço escolar que oferece gratuitamente. Além de português, matemática, inglês e música os jovens do Projeto Despertar têm aulas de xadrez. “Eles melhoram na escola e nos campeonatos conseguem sempre bons resultados. O xadrez é um esporte barato, fácil de treinar e que ajuda também na inclusão dos jovens,” conta a professora.

 Incansável na promoção do esporte, o presidente da Federação Sergipana de Xadrez, Ney Lúcio, conta também com o apoio de outros enxadristas dedicados  como o  treinador José Dias, professor nos colégios  Módulo e Purificação. Nos campeonatos, ele  faz questão de acompanhar e incentivar o desempenho dos seus atletas.

Reconhecido como esporte, pelo Comitê Olímpico Internacional em 2001, o xadrez não chega a ser uma modalidade, por isso fica fora do Pan, por exemplo, mas tem sua olimpíada específica e campeonatos mundiais em todas as suas categorias. Sergipe já teve enxadristas classificados pra disputas internacionais. Carlos Alberto Viana Júnior, hoje advogado da Federação, campeão brasileiro universitário, chegou a se classificar para o campeonato universitário na Rússia.. “O patrocínio demorou a chegar e ele terminou perdendo o prazo para participar do jogo”, conta Ney Lúcio, que se empenha para que o xadrez em Sergipe tome outro rumo.

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