Aventuras de Aécio e Serra em terras de Sergipe D”El Rey

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Aécio Neves não deixou pergunta sem resposta/ Fotos: André Moreira
Os dois postulantes a candidato a Presidente da República, pelo PSDB – os Governadores José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais – estiveram no final de semana em Aracaju. Neves adiantou-se, veio logo na sexta, “mas não foi – esclareceu – para não encontrar com Serra, meu dileto amigo, mas é que tenho um compromisso marcado já há tempos para amanhã, sábado” (ah, sim, a gente finge que acredita). O visitante do sábado, Serra, passou poucas horas por aqui mas deu para conhecer um monte de correligionários. Eis alguns fatos curiosos da visita dos dois:

*** Em ambas as visitas, o pré-candidato a governador de Sergipe pelo PPS, Sr. Nilson Lima, estava presente. Mas, no sábado, praticamente não assistiu o seminário sobre “Desenvolvimento Urbano e Inclusão Social”, o principal motivo da visita de ambos. Preferiu ficar no salão de entrada do grande auditório do Hotel Parque dos Coqueiros concedendo entrevistas a radialistas e conversando com amigos.

José Serra teve que atravessar uma muralha humana
*** O mais amável dos dois? Aécio Neves, certamente. Talvez porque não tivesse uma multidão a lhe cercar, atendeu a Imprensa com gentileza, sem negar uma resposta. Serra limitou-se a atender a Imprensa em pé, e por durante dez minutos apenas. Havia cadeiras para ele sentar, mas preferiu não fazê-lo.

*** Algumas presenças misteriosas: na sexta, a do Presidente da Câmara, sr. Emanoel Nascimento. Quando ouviu o primeiro discurso, de criticas ao governo do PT, retirou-se de fininho. No sábado, como que escondida na platéia, lá estava  Susana Azevedo, que é da base aliada do governo. Resta saber até quando, evidentemente… Nem tão fininho assim – só pela magreza que o acompanha – lá estava o ex-deputado federal e o ex-Secretário de Cultura, sr. José Carlos Teixeira, que, como se sabe, é do PMDB, que é da base aliada do PT e não tem nada a ver com o PSDB. Cumprimentava uns e outros mas não se detinha em conversar demoradamente com ninguém. Também estava por lá, o sr. Alexandre Porto, que foi Secretário Adjunto de Desenvolvimento Econômico e hoje responde pela Associação Comercial, já que o titular, Sadi Gitz, está de licença.

*** Parecia, no sábado, uma festa montada para o ex-governador João Alves Filho. E ele aproveitou-se disso. Na saudação a José Serra – quase que o chama de Marcelo Deda, o homem tem uma obsessão por Sua Excelência, o dr. Deda – ele inventou o palanque de rua. Semelhante ao teatro de rua, foi para a frente da platéia – e ia e vinha e dizia coisas, as vezes até sem nexo – e ainda xingou os petista. “Vamos derrotar estas pestes do PT”, disse, e repetiu mais uma vez.

*** Constatação do escriba: o ex-governador não foi tão aplaudido como queria e imaginava. Explosão de palmas deu-se mesmo com José Serra. Não se pode medir se Serra foi mais aplaudida que Aécio, porque este praticamente não teve publico na sua visita. Em compensação, o almoço – preparado para 50 pessoas – contou com a presença de 120 comensais. No sábado, o almoço era para 500 pessoas, mas a administração do Hotel Parque dos Coqueiros preveniu-se: preparou almoço para 800 pessoas.

*** A platéia deu gostosas gargalhadas com a história que José Serra contou a respeito da lealdade de Albano. É que ele, um dia, já há algum tempo, viajou de avião ao lado de minha filha, sem saber deste dado. “E ela é bonita, muito bonita”, aí a platéia estourou na risada. Quando ela perguntou o que achava de Serra, ele se derramou em elogios a ele. Só depois se identificou. “Mas, ele se comportou bem”, garantiu Serra. E tome mais risadas.

*** No seu discurso, Serra lembrou que talvez seja um dos raros exemplos de político exilado de dois países. Passou no Chile exilado por 14 anos. Depois da queda de Salvador Allende foi exilado de lá. Quando retornou ao Brasil, deu a volta por acima…

*** A entrevista à Imprensa de Aécio Neves foi um exemplo de paciência. Demorou quase uma hora e não deixou pergunta sem resposta.

*** Presidente licenciado da Associação Comercial, o sr. Sadi Gitz estava na visita do sr. Aécio Neves, na 6ª feira. Procurava um dos seus assessores na tentativa de convidá-lo para um almoço com empresários da entidade, possivelmente em outubro próximo. Ficou agendado – mas o governador confirma depois.

*** Depois de uma semana ausente da seara legislativa, por conta de uma operação de hérnia, o deputado Venâncio Fonseca foi aos dois eventos, o de Aécio e o de Serra.

*** O deputado federal Albano Franco é um admirador fiel da cor azul. Todas as suas camisas são dessa cor. Mas, no sábado, o azul não predominava, e sim umas listas brancas.

*** O Presidente do PSDC, o conhecido Meu Guerreiro, estava na festa a José Serra e anunciava que convidou a Sra. Leonor Franco, ex-mulher de Albano, para ser candidata a Senadora pelo seu partido. “Se ela aceitar o convite, ninguém segura o PSDC. Vamos fazer Barbosa, cabelo e bigode”, garantia.

*** Já o Secretário de Cultura de São Cristóvão, Antônio Leite, anunciava que está de retorno ao PV. “Vou voltar, meu lugar é lá, principalmente agora que tem uma candidata competitiva”, assegurava.

*** No almoço a Aécio Neves, o ágape foi encerrada com a cantora Amorosa entoando o Hino Nacional, sem background musical. Só no gagá. Foi aplaudida com vigor.

*** O ex-governador João Alves parecia ser o dono do pedaço, nas duas festas. E era só sorrisos quando Aécio Neves disse que, se for presidente da República, vai investir na revitalização do Rio São Francisco, não na sua transposição.

*** O Governador José Serra desembarcou em Aracaju as duas horas da manhã. É bem provável que tenha mantido sua tradição de só se acordar as 11 da manhã. Ele chegou ao Hotel Parque dos Coqueiros quase as 12h30. Teve que atravessar uma muralha humana para conseguir chegar ao palco do auditório do Parque dos Coqueiros. 

Por Ivan Valença


 

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