Banese afirma que não participará de licitação da PMA

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Presidente do Banese diz que instituição será penalizada com a retirada das contas da Prefeitura (Foto: Portal Infonet)

O Banco do Estado de Sergipe (Banese) não deverá disputar o edital para escolha de nova instituição financeira responsável por centralizar as contas do município de Aracaju. A informação foi confirmada pela presidente do Banese, Vera Lúcia de Oliveira. O banco estima uma perda de mais de 12 mil clientes com a retirada da conta da Prefeitura, segunda maior cliente da entidade.

De acordo com Vera Lúcia, a movimentação mensal da Prefeitura é da ordem de R$ 100 milhões – atrás apenas do valor movimentado pelo Estado, avaliado em R$ 300 milhões. Dentre a quantia que circula na conta única do município, R$ 37 milhões são destinados à folha de pagamento dos servidores. 74% entre os mais de 16 mil funcionários da Prefeitura de Aracaju recebem seu salário por meio do Banese. Diante destes números, a presidente afirma que o banco será fragilizado pela decisão da Prefeitura.

“Não é uma crise, e sim um momento de ‘retrabalho’. Cada cliente é para nós uma perda, e a retirada de mais de 12 mil contas é um número significativo. Vamos trabalhar e continuar oferecendo bons serviços para que os servidores possam optar por continuar no Banese”, afirma.

Para Vera Lúcia, o valor estabelecido pela Prefeitura no edital de licitação é alto em comparação com sua possibilidade de retorno. “O público do Banese se situa apenas no Estado de Sergipe, o que é uma clientela relativamente pequena. E o prazo de cinco anos colocado no edital é um espaço de tempo pequeno para que o banco recupere os R$ 40 milhões investidos. Por isso, o Banese não vai participar da licitação”, explica.

Sobre a possibilidade da retirada de patrocínios aos eventos promovidos pela Prefeitura, a presidente evidencia a troca de interesses existente na relação. “Todo patrocínio do banco é feito em contrato negocial. É um patrocínio dado em relação à reciprocidade, aos negócios mantidos com o banco. Então, a partir do momento em que não existe mais o lado negocial, não se justifica o patrocínio. A perda vai depender do que vai ficar de relação entre o banco e a prefeitura”, define.

Com relação às especulações sobre uma possível privatização futura do banco, Vera Lúcia admite a dificuldade em gerir uma instituição abalada pelas perdas. “De todos os bancos estatais do Brasil restaram apenas cinco: Banese, Banrisul [Banco do Estado do Rio Grande do Sul], BRB [Banco de Brasília], Banestes (Banco do Estado do Espírito Santo] e Banpará [Banco do Estado do Pará]. Em qualquer empresa só há como permanecer no mercado se estivermos fortalecidos. Se eu começo a ficar frágil, perdendo clientes e negócios, como se manter?”, questiona.

Entenda

Na última terça-feira, 11, os secretários de Finanças e de Planejamento do município de Aracaju anunciaram a abertura de um edital de licitação para escolha de uma nova empresa responsável por centralizar as operações bancárias da Prefeitura. O valor expresso para que as empresas concorram ao edital é de R$ 40 mil reais.

Segundo a prefeitura, o valor arrecadado com a operacionalização dos pagamentos será revertido em investimentos para o município e o pagamento de dívidas. Na ocasião de apresentação da medida, os secretários salientaram que a mudança não afetará o servidor em sua prática diária.

Por Nayara Arêdes e Raquel Almeida

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