Déda viveu para política de Sergipe

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Marcelo Déda em coletiva como governador (foto: Portal Infonet)

O governador Marcelo Déda nasceu em 11 de março de 1960, no município de Simão Dias, distante 182 quilômetros de Aracaju. É o mais novo de uma família de cinco irmãos, movido a vencer desafios e buscar conhecimento pelo estímulo dos pais e avós.

No primário, Déda frequentou uma das escolas mais tradicionais do interior de Sergipe, o Grupo Escolar Fausto Cardoso, que ficava na Praça Barão de Santa Rosa, em Simão Dias. Em 1973, ele deixou a cidade para estudar em Aracaju. A paixão pela literatura veio mais tarde quando, aos 15 anos de idade, teve contato com a biblioteca do avô, José de Carvalho Déda.

Durante o ginásio, Déda estudou no Colégio Atheneu e, depois, no Colégio 8 de Julho teve seu primeiro contato com a classe trabalhadora. Nesse período, começou a ler os livros de Jorge Amado, textos de esquerda publicados em mídias alternativas. As eleições de 1974 funcionaram como grande passo para Déda aprofundar a paixão política, sempre alimentada por jornais alternativos de circulação nacional na época.

Militância Política

No Colégio Atheneu Sergipense, Marcelo Déda participou do primeiro movimento reivindicatório. Déda mobilizou estudantes

Déda em campanha das Diretas Já (Fotos do Arquivo do PT)

do terceiro ano científico contra a compra da farda de gala do antigo 2º grau por considerar um desperdício aquele investimento, pois a farda seria utilizada só no desfile de 7 de setembro. A mobilização culminou numa suspensão e todos foram obrigados a desfilar no dia comemorativo, sem farda.

Em 1977, ele foi eleito presidente do cineclube do Atheneu Sergipense. Foi cineasta amador na BitolaSuper/ 8mm e, em 1979, recebeu a  condecoração com o Prêmio Especial do Júri do Festival de Cinema Amador de Sergipe. Na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Déda cursou Direito, entre os anos de 1980 e 1984. Ele também fundou, com os amigos, o Cine Diretório Central dos Estudantes (DCE) na UFS.

Em 1979, aconteceu um Congresso Histórico da militância estudantil em Salvador e a União Nacional dos Estudantes foi reconstruída. Com isso, Marcelo Déda começou a trabalhar com os companheiros e, no mesmo ano, surgiu o Partido dos Trabalhadores (PT) durante a reforma partidária, ocorrida no final do governo de João Figueiredo.

O primeiro emprego de Déda foi como professor da Organização Social Política Brasileira (OSPB) e Educação Moral Cívica (EMC) e, em seguida, estagiou no Banco do Estado de Sergipe (Banese). Déda conciliava os estudos com o trabalho e a militância do Movimento Estudantil e na Fundação do PT.

Como estudante, Déda estava engajado nos movimentos sociais da época. Ele foi à Ilha de São Pedro apoiar os índios
Xocós, em Santana dos Frades, apoiou os posseiros expulsos pela Serigy na Coroa do Meio, em Aracaju, durante combate contra a destruição das barracas dos pescadores.

Fundação do PT

Em 1981, Marcelo Déda filmou a segunda visita de Luiz Inácio Lula da Silva ao Estado de Sergipe e, no carnaval, ele também filmou toda a invasão em Santana dos Frades. Esses filmes foram usados para discussões sobre o novo partido, que já começa a surgir em Sergipe. Em 1981, houve a primeira reunião do PT no Estado. Um ano depois, o PT participa pela vez no processo eleitoral e Déda foi lançado candidato a deputado estadual e, nesta disputa, aos 22 anos, ele obteve apenas 300 votos. Estava ali plantada a primeira semente.

Entre 1980 e 1981, Déda foi convocado para trabalhar no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA). Nesse período, ele saiu do DCE e passou a representar o Conselho de Ensino e Pesquisa (Conep).
Na campanha por eleições diretas para escolha do presidente da república, movimento que se consagrou como “Diretas Já”, em 1984, Marcelo Déda ingressou no processo de mobilização e começou a participar de vários comícios em todo o Estado. Em 26 de fevereiro de 1984, um comício reuniu mais de 30 mil pessoas em Aracaju, contando com a presença de Lula e Ulisses Guimarães.

Prefeitura

Em sua campanha para deputado estadual

Em 1985, o PT quer realizar o sonho de administrar a Prefeitura de Aracaju e Marcelo Déda se tornou a opção para disputar as eleições. Devido às dificuldades financeiras, o programa eleitoral do partido era apresentado ao vivo, pelo próprio candidato e Déda se transformou em âncora do programa. Naquelas eleições, Marcelo Déda conquistou a segunda colocação nas urnas, com 19 mil votos.

Na eleição seguinte, Marcelo Déda conquista a primeira vaga de deputado estadual do Partido dos Trabalhadores, abocanhando a simpatia de 30 mil eleitores. No entanto, quatro anos mais tarde, em 1990, Déda amarga mais uma derrota, conquistando apenas 10% dos votos da eleição anterior. Mas o talento político o fez ressurgir como uma das grandes lideranças do partido no Estado e ele acabou eleito deputado federal, com 26 mil votos, tornando-se o parlamentar mais votado em Sergipe. A reeleição para a Câmara Federal veio em 1998, com 83 mil votos, sendo a maior votação proporcional do Brasil.

Em 2000, Déda entra no processo eleitoral como candidato a prefeito de Aracaju como um dos últimos colocados em pesquisas eleitorais. A campanha decolou e Déda começou a colecionar saltos nas pesquisas de intenção de voto, ganhando a eleição ainda no primeiro turno, com 52,80% dos votos válidos.

Em 2004, Déda foi reeleito prefeito de Aracaju com 71,38% dos votos válidos, o que lhe garantiu a vitória com ampla vantagem sobre a segunda colocada, a deputada estadual Susana Azevedo (PPS), que ficou com 18,05% dos votos válidos. A vitória ficou marcada, pois ele foi o prefeito eleito no primeiro turno com o maior número de votos proporcional no país.

No dia 31 de março de 2006, Déda renunciou ao mandato de prefeito da capital para enfrentar mais um desafio e acabou

Em campanha do presidente Lula em 1989

eleito, naquele ano, governador de Sergipe com 52,48% dos votos, tendo como vice, Belivaldo Chagas, que mais tarde, tornou-se secretário de Educação do segundo mandato de Déda no Governo do Estado.

Em 2010, Déda disputou novamente as eleições para governador do Estado, reelegendo-se com 52,08% dos votos válidos, derrotando João Alves Filho (DEM), um dos mais tradicionais políticos de Sergipe.
Saúde

Em 2009, o governador Marcelo Déda passou por uma cirurgia para retirar um nódulo no pâncreas e ficou cerca de 100 dias afastado do Governo de Sergipe. No ano passado, uma neoplasia gastrointestinal no paciente foi confirmada em Boletim Médico emitido pelo hospital Sírio Libanês no dia 1º de outubro. Desde então, Déda lutava contra a doença.

por Cássia Santana

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