Grupo apresentará proposta para permanência da Fafen

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O grupo tem 180 dias para apresentar a conclusão dos trabalhos (Foto: Victor Ribeiro/ASN)

Com o propósito de buscar alternativas para evitar o encerramento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) em Sergipe, o governador Belivaldo Chagas criou, na tarde desta terça-feira, 19, um Grupo Executivo formado por técnicos e empresários sergipanos, que apresentará em 180 dias, alternativas para evitar o fechamento ou hibernação das atividades da unidade no estado.

O ato de assinatura do decreto ocorreu no Palácio de Despachos e foi acompanhado pelos prefeitos e vereadores dos municípios de Laranjeiras, Rosário do Catete, Santo Amaro e Maruim. Também participaram os vereadores de Riachuelo e Divina Pastora. Todos os municípios estão situados na região do Vale do Cotinguiba, localidade em que a fábrica de fertilizantes está instalada.

O decreto estabelece que o Grupo Executivo promova uma interlocução direta com os órgãos e entidades da administração pública, incluindo as concessionárias e permissionárias de serviços públicos estadual e federal, em especial a Petrobras, a Sergás, Deso e Energisa, como também a Prefeitura de Laranjeiras, na busca de alternativas para manutenção da indústria no estado.

Esse grupo tem um prazo de 180 dias, contatos da data da sua instalação, para apresentar o relatório de conclusão dos trabalhos. Esse prazo poderá ser prorrogado, caso necessário, por igual período.

O Grupo Executivo é composto de 11 membros representantes de entidades da administração pública e do setor produtivo. O Poder Executivo será representado no grupo pelo secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec), José Augusto Carvalho; o secretário da Fazenda (Sefaz), Ademário Alves de Jesus; a procuradora Geral do Estado (PGE), Aparecida Gama; o presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Sergipe (Codise), José Matos Lima Filho; e o presidente da Sergipe Gás S.A. (Sergas), Eugênio Dezem. O setor produtivo será representado pelos empresários Albano Franco e Eduardo Prado de Oliveira; os economistas Ricardo Lacerda e José de Oliveira Júnior; Marcelo dos Santos Menezes e Rosildo Silva. Também terão assento ao grupo os representantes dos vereadores e prefeitos dos municípios do Vale do Cotinguiba.

Na reunião, que contou também com a participação do ex-governador Jackson Barreto, ficou definido que as forças políticas e empresariais do Estado atuarão para manter a fábrica funcionando, mesmo que seja nas mãos de outros donos e não mais da Petrobras.

No dia 20 de março de 2018, a Petrobras emitiu comunicado oficial informando a decisão de hibernar as fábricas de Fertilizantes situadas em Sergipe e Bahia. A decisão de encerrar a operacionalização das unidades está alinhada ao Plano de Negócios e Gestão da empresa de abandonar a atividade de produção de fertilizantes. A empresa também deu um prazo de 120 dias, a contar do dia 30 de junho, para que os estados apresentem uma alternativa para a fábrica de fertilizantes que não seja a sua hibernação ou fechamento.

Compromisso do Estado

O governador Belivaldo Chagas afirmou que a manutenção da fábrica de fertilizantes é um compromisso e uma bandeira do seu governo e do povo sergipano. "É uma bandeira suprapartidária e apartidária. Trata-se de uma empresa estratégica que serve ao país e não somente a Sergipe", enfatizou.

Ele destacou que é importante conseguir a prorrogação do prazo de fechamento da empresa até a eleição do novo presidente da República. "As bancadas federais de Sergipe e da Bahia precisam se unir e lutar pela Fafen", ressaltou o governador ao dizer que vai entrar em contato com o governador da Bahia, Rui Costa, para provocar uma reunião com o novo presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, para discutir o destino da fábrica de fertilizantes.

O governador disse, ainda, que não vai medir esforços para defender a unidade de fertilizantes em solo sergipano. "A Fafen é uma empresa estratégica para o País. Não podemos ficar dependentes das indústrias de fertilizantes internacionais. O fechamento dessa fábrica representa um prejuízo enorme para a economia do estado com a queda da arrecadação, o aumento do desemprego e a redução da renda da população ", enfatizou.

Segundo ele, o fechamento da Fafen vai representar o desemprego de mais de dois mil trabalhadores diretos e indiretos. Também serão encerradas as atividades de diversas empresas como transportadoras e misturadoras que atuam em função da fábrica.

“Os impactos negativos da sua extinção vão refletir diretamente na economia do Estado, pondo em risco a sobrevivência da cadeia produtiva da economia sergipana, que são justamente a atividade de produção de fertilizantes, petróleo e gás”, enfatizou.

O governador relatou que o governo de Sergipe já está buscando alternativas a serem apresentadas e a própria Sedetec tem contatado com investidores do Brasil e do exterior para ver a possibilidade de que alguém manifeste interesse em adquirir a Fafen. “Enquanto isso não acontece, nosso foco agora é agir junto com a bancada federal de Sergipe e da Bahia, para que a gente possa deixar essa empresa em funcionamento pelo menos por mais um ano ou dois anos, até que possamos atrair investidores que queiram adquirir a empresa”, reforçou.

De acordo com Belivaldo Chagas, a Fafen é uma empresa que dá lucro e precisa apenas ser melhor gerida. “Infelizmente isso parece que não estava acontecendo, não sei se por iniciativa própria ou por algum propósito. O fato é que nós sergipanos não vamos permitir que aconteça o fechamento da Fafen em Sergipe sem lutarmos por ela”, acentuou.

Belivaldo disse que já existe um movimento de interesse da fábrica, mas o problema é que os investidores precisam voltar a acreditar no país, em especial o estrangeiro. “Recentemente o Grupo Celse, que está construindo a Termoelétrica na Barra dos Coqueiros, demonstrou interesse em ajudar ao Estado e estiveram contatando com investidores do Qatar”, revelou.

Ele destacou que o período eleitoral também não contribui muito, uma vez que os investidores não sabem que estará operando a política econômica em 2019 no Brasil. “As coisas estão acontecendo e nós estamos acompanhando, mas ninguém vai chegar aqui para investir altos volumes de recursos financeiros sem que acredite na política financeira do governo, principalmente num ano eleitoral, no qual o investidor fica sem saber como estará o comando do Brasil em 2019. Tudo isso o investidor internacional observa”, acentuou.

Belivaldo Chagas lembrou, ainda, que a Celse está investindo R$ 5 bilhões em Sergipe, e que pode, inclusive, manifestar interesse de fazer parceria com um grupo ou outro que venha se apresentar, não apenas para a Fafen, mas também para adquirir a área do Porto, para que se faça uma operação conjunta em relação a Fafen.

Mobilização

O ex-governador Jackson Barreto afirmou que a região está bem mobilizada e a questão tem que ser discutida de forma política. “Quando a Petrobras anunciou o fechamento da Fafen isso causou indignação porque é uma empresa importante para a nossa economia. A Petrobras é uma empresa que tem compromisso social e não podemos aceitar esse fechamento assim. O País vivendo a crise que está vivendo, não se pode aceitar fechar a fábrica de fertilizantes, como se não tivesse responsabilidade com os agricultores desse país, só com a importação", destacou.

Os presidentes das Câmaras de Vereadores de Laranjeiras, Luciano da Várzea; de Rosário do Catete, Amélia Resende; de Maruim, Maria Angélica; de Divina Pastora, José Heraldo; de Riachuelo, Petterson Araújo; e o vice-presidente da Câmara de Santo Amaro das Brotas, João Bosco Rosa Cruz, fizeram um breve pronunciamento demonstrando a preocupação da população e das bancadas de seus respectivos municípios com o fechamento da fábrica. Todos se comprometeram em mobilizar suas bases para lutar pela manutenção da Fafen.

O prefeito de Rosário do Catete, Etelvino Barreto, falou em nome dos colegas da região, demonstrando preocupação e determinação em lutar pela manutenção da empresa.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, José Augusto Carvalho, explicou que toda a crise da fábrica de fertilizantes é o custo do gás vendido pela Petrobras, que é bastante caro. “O preço do gás inviabilizou a produção de ureia no país”, ressaltou ao acrescentar que o preço do gás vindo do exterior é duas vezes mais barato que o praticado pela Petrobras.

Fonte: ASN

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