Prefeitura de São Cristóvão repassou mais de R$ 1 mi à Torre de forma irregular

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Prefeitura teve prejuízo com os repasses feitos à empresa (Fotos: Arquivo Infonet)
O juiz de São Cristóvão Manoel da Costa Neto determinou o bloqueio das contas do ex-prefeito de São Cristóvão Jadiel Campos, e do atual, Alexsander Oliveira de Andrade, conhecido como “Alex Rocha” por entender que a Prefeitura efetuou pagamentos de forma irregular à Torre Empreendimentos Rural e Construção LTDA, empresa que fazia a coleta de lixo no Município.

Segundo o processo, nos quatro meses em que ficou na Prefeitura, Campos e Wanderley Borges de Mendonça, na época secretário municipal, repassaram à Torre mais de R$ 900 mil de forma irregular: R$ R$ 407 mil em espécie e R$ 511 mil em uma única transferência das contas do município para a empresa. No caso do atual prefeito, houve o pagamento indevido de mais de

Manoel da Costa Neto, juiz de São Cristóvão responsável pela ação
R$ 132 mil e a quebra do contrato com a Torre de forma irregular.

A decisão atende a um pedido do Ministério Público do Estado (MP), que moveu uma Ação Civil Pública para averiguar as irregularidades. De acordo com Neto o processo já acumula 11 volumes e possui 2.200 páginas. No despacho ele também pede e a quebra do sigilo bancário e a indisponibilidade dos bens de todos os réus, incluindo a Torre. A decisão ainda cabe recurso.

O assessor de comunicação da Prefeitura de São Cristóvão, Pedro Rocha, disse que o prefeito vai recorrer da decisão. “O prefeito não pagou nem R$ 1 e nem autorizou que fosse feito qualquer pagamento”, disse.

O ex-prefeito Jadiel Campos disse que os pagamentos foram feitos dessa maneira porque na época em que ele assumiu o cargo as contas do município estavam bloqueadas. “Não tiramos nada de

Assessor diz que Alex Rocha não repassou “nem R$ 1”
forma idevida do Município. Estávamos em um momento turbulento. O TCE [Tribunal de Contas do Estado] apurou e nunca houve irregularidade. Podem ter constatado irregularidade na forma do pagamento”, explicou.

Campos acrescentou que o contrato com a Torre foi celebrado ainda na administração do prefeito já falecido Zezinho da Everest e assinado pelo irmão dele, o ex-deputado Wanderlê Correia, quando este ocupava o cargo de secretário municipal. O ex-prefeito disse que também vai recorrer da decisão.

O Portal Infonet entrou em contato com a Torre Empreendimentos ainda na manhã desta segunda. A assessoria jurídica da organização disse que apenas o gerente José Carlos Dias poderia falar sobre o assunto; quando a reportagem retornou o telefonema, à tarde, ele ainda não se encontrava na empresa. Wanderley Borges de Mendonça não foi encontrado pela reportagem. O Portal Infonet está à disposição para ouvi-lo sobre o caso.

Jadiel diz que na época o município vivia um momento turbulento
Empréstimos

Em outro processo, Jadiel Campos e Alexsander Oliveira de Andrade respondem por apropriação indébita de valores. De acordo com o juiz Manoel da Costa Neto a Prefeitura Municipal de São Cristóvão descontou dos servidores valores correspondentes a empréstimos consignados, mas não os repassou para a Caixa Econômica Federal, que diante da falta de pagamento inseriu o nome dos servidores no SPC/ Serasa.

O magistrado aponta que o montante desviado é de mais de R$ 3 milhões. “Ordenamos que o Município pague ao banco, pois os servidores correm o risco de serem executados. É necessário apurar, no entanto, de quem é a responsabilidade, pois a administração de Alex aponta a administração de Jadiel e Jadiel aponta a administração de Alex”, explicou Costa Neto.

Assim como dito pelo juiz, ambos negaram as irregularidades. Pedro Rocha, assessor da Prefeitura Municipal de São Cristóvão, disse que a Prefeitura repassou o dinheiro à Caixa Econômica Federal mensalmente, mas o banco cobriu a dívida dos meses correspondentes à administração anterior. “Também vamos entrar com uma defesa esse processo”, informou.

Jadiel Campos negou que a dívida é de responsabilidade da sua administração. Ele disse que a Prefeitura só não recolheu os valores dos funcionários que já tinham saído da Prefeitura. “Nós quatro meses em que ficamos houve o repasse. Só recolhemos de quem estava trabalhando na época. Os administradores anteriores permitiram que funcionários da Prefeitura sem qualquer estabilidade fizessem empréstimos desse tipo”, afirmou.

O Portal Infonet entrou em contato com a Caixa Econômica Federal, mas a assessoria de imprensa da instituição informou que só poderia enviar uma resposta nesta terça-feira, 22.

Por Diógenes de Souza

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