PSol: Boulos promete revogar atos do Governo Temer

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PSol: agenda política em Sergipe (Fotos: Portal Infonet)

Revogar todos os atos praticados pelo presidente Michel Temer (PMDB), revogar o reajuste e cortar privilégios concedidos aos magistrados brasileiros, transformar prédios abandonados nos centros urbanos em moradia popular, permitir que pequenos produtores coloquem diretamente a produção oriunda da agricultura familiar no mercado, sem a interferência de intermediários, suspender a cobrança da dívida dos estudantes universitários com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) por um prazo de um ano para incentivar o aluno a concluir o curso e fazer investimentos na ordem de R$ 180 bilhões para gerar 6 milhões de empregos em dois anos. Estes são os principais destaques feitos pelo candidato a presidente da república, Guilherme Boulos, que disputa o cargo com a indicação do PSol e aliança com o PCB, durante entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira, 23, em Aracaju.

Boulos promete revogar reajuste de salários de membros do Poder Judiciário

Boulos cumpre agenda política na capital sergipana e, especificamente para Sergipe, prometeu investimentos, com recursos federais, para concluir as obras do Hospital do Câncer. “Para acabar com essa novela”, disse, fazendo referência aos entraves existentes para esta obra iniciada e interrompida.

Para colocar o projeto de revogação dos atos do presidente Michel Temer em prática, Boulos promete fazer uma consulta popular através de plebiscito. “Um governo que só tomou medidas contra a maioria do povo por isso vamos dar a oportunidade para o povo decidir e revogar esta perda de conquistas”, ressaltou.

E fez críticas a alguns candidatos que disputam o mesmo posto. “Fiquei chocado no debate presidencial quando vi candidatos, o senhor Jair Bolsonaro (PSL) e Geraldo Alckmin (PSDB) dizerem que o trabalhador vai ter que escolher entre ter emprego e ter direitos. Isso é absurdo. O trabalhador brasileiro tem que ter emprego com dignidade e com direitos”, enalteceu.

Programa de governo

Boulos explica que criará o Programa Levanta Brasil com o objetivo de gerar 6 milhões de empregos em dois anos e concretizar investimentos públicos no patamar de R$ 180 bilhões. “Vamos matar dois coelhos com uma cajadada só. O nosso programa não vai investir em pontes, em portos. Vai investir prioritariamente em hospitais, escolas, creches, obras de saneamento e moradia popular, garantindo direitos para as pessoas e gerar emprego”, destacou o presidenciável.

Destaque para o combate ao crime organizado

E como concretizar a proposta? O próprio Boulos responde, sem poupar críticas aos benefícios concedidos aos membros do Poder Judiciário Brasileiro. “Com coragem e ousadia de enfrentar privilégios e é o que o nosso governo vai fazer”, diz. Está em sua agenda, conforme frisou, a revogação do reajuste concedido recentemente aos magistrados e tributação a grandes fortunas. “Hoje é uma esculhambação, quem tem carro paga IPVA e quem tem um jatinho, um helicóptero, não paga um real de imposto. Vamos taxar grandes fortunas, fazer com que o andar de cima pague a sua parte na conta”, enalteceu.

Só com a medida que implementará para garantir a tributação de lucro e dividendos, conforme Boulos, o Brasil arrecadará R$ 60 bilhões ao ano. “O que vai nos permitir criar um milhão de novas vagas na universidade pública no Brasil”, promete.

Em entrevista coletiva que concedeu na sede do Sindipetro, em Aracaju, Boulos fez um resumo do programa de governo do PSol, destacando medidas para ocupação dos prédios abandonados nos grandes centros para transformá-los em moradia popular através do Programa Meu Bairro Minha Vida, com equipamentos de lazer e estrutura para oferta de serviços públicos à população. “Temos seis milhões e trezentos mil famílias sem casa e temos mais de sete milhões de imóveis abandonados no Brasil. Tem mais casa sem gente do que gente sem casa. Por isso, vamos fazer cumprir o estatuto das cidades, que é uma Lei Federal de 2001, e desapropriar imóveis que estão abandonados e vazios, principalmente nas regiões centrais das cidades”, disse.

E defendeu a agricultura familiar em detrimento ao agronegócio de forma a possibilitar que os produtores coloquem a produção agrícola no mercado sem necessitar de intermediários, criando cooperativas de produção e comercialização dos pequenos produtores, além de adoção de medidas que possibilitem a conclusão de todas as obras públicas que estão paralisadas no país. E, por este caminho, rever a rota da transposição do rio São Francisco para beneficiar a agricultura familiar.

Quadrilhas ramificadas em Brasília

Boulos criticou a política de combate ao tráfico de drogas existente no Brasil, assegurando que a atual política só provocou a morte de jovens pobres e negros, sem efetivamente surtir o efeito desejado. “O comando do tráfico ou do crime organizado no Brasil não está no barraco de nenhuma favela, está muito mais perto da Praça dos Três Poderes em Brasília”, disse. “Vamos enfrentar isso não com porrada ou cercando favelas, isso é covardia. Vamos enfrentar com política de inteligência e investigação para combater os grandes comandantes do crime organizado no Brasil, não é derramando mais sangue da nossa juventude”, ressaltou.

Ele revelou que conta com apoio de um grupo de policiais antifascistas que está construindo o plano de segurança que será implantado no Brasil durante o governo do PSol para enfrentar quadrilhas organizadas que dominam o tráfico de armas e drogas. “Vamos enfrentar esta quadrilha que se alojou em Brasília, que se alojou no centro do poder, que tem ramificação no setor econômico no Brasil. Quando a gente mexer nesse vespeiro não tenha dúvida que será automática a redução da violência”.

Boulos também falou sobre os erros e acertos dos governos do PT na Presidência da República e criticou as alianças articuladas pelos petistas para alcançar o poder. “Nos governos de Lula e Dilma teve políticas públicas, aumento no salário mínimo, a vida dos mais pobres melhorou e o povo sabe disso”, considerou. “Agora, ao mesmo tempo, não se fez os enfrentamentos necessários e se optou por governar com os mesmos de sempre e continua. Aqui em Sergipe, por exemplo, está com a aliança com o PMDB e com o PSD, com a turma do golpe, e não aprendeu a lição. Não se fez reforma política para mudar perdeu a oportunidade de mudar o sistema político brasileiro, não fez reforma tributária para enfrentar os privilégios”, destacou.

Na ótica de Boulos, o ex-presidente Lula é vítima de injustiça. “O Lula está preso, neste momento, sem provas. Enquanto Temer com um monte de provas está governando o país em Brasília, enquanto Aécio (Neves, senador pelo PSDB), com um monte de provas, está fazendo lei no Senado Federal. Por isso, nossa posição é em defesa da liberdade do Lula”, explicou.

Boulos encerra sua agenda política em Aracaju em um comício a ser realizado no centro de Aracaju e, em seguida, segue para dar continuidade às atividades em Maceió.

Por Cassia Santana

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