Especialista alerta sobre como o coronavírus afeta os pulmões

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(Foto: AAN)

Mesmo se tratando de uma doença nova e ainda com muito a se descobrir, já se sabe que o pulmão é um dos órgãos mais atingidos pelo novo coronavírus. A pneumologista da Secretaria da Saúde de Aracaju (SMS), Ana Paula Argolo, que também atua no Programa de Controle do Tagabismo, destaca o que, até o momento, a ciência conseguiu observar sobre o impacto da infecção no órgão essencial para o sistema respiratório.

“O coronavírus pode comprometer o pulmão tanto por ação direta do vírus, que pode acometer a superfície alveolar, que é justamente uma parte do pulmão onde acontecem as trocas gasosas. Como também a reação inflamatória que é disparada pelo vírus no nosso organismo, fazendo a liberação de substâncias que chamamos de mediadores inflamatórios”, explica a médica.

Ainda de acordo com a especialista, estudos têm apontado que a ação desses mediadores inflamatórios nos pulmões pode resultar em micro trombose, ou seja, a formação de pequenos trombos [coágulos] na microcirculação pulmonar. “E ainda há uma outra possibilidade de, ao ser adoecido pelo coronavírus, o pulmão sofrer uma infecção bacteriana secundária. Alguns pacientes depois da infecção viral acabam desenvolvendo pneumonias bacterianas”, pontuou.

Sobre os cuidados que as pessoas podem ter para aumentar a saúde do pulmão e melhorar a capacidade respiratória, a pneumologista orienta que o primeiro deles é evitar a infecção, aplicando todas as medidas de higienização e distanciamento social. A prática de atividade física também continua sendo um recurso importante, principalmente no que se refere à capacidade cardiorrespiratória.

“Mesmo com academias fechadas e restrições de circulação, é importante que a pessoa tire, pelo menos de 15 a 20 minutos, para se movimentar em casa, mas que não fique sedentário. Na internet existem muitos profissionais orientando sobre exercícios. Aqueles que fumam devem pensar seriamente em parar de fumar, em tratar o tabagismo; e aqueles que tem doenças crônicas, continuar utilizando suas medicações, fazendo seus tratamentos e acompanhamentos médicos”, orienta Ana Paula Argolo.

Fumantes
Sendo o pulmão um dos principais órgãos afetados pela infecção do coronavírus, e o tabagismo, uma prática prejudicial à saúde, fumantes estão mais expostos às infecções respiratórias.

“As pessoas fumantes têm, reconhecidamente, os mecanismos de defesa do aparelho respiratório alterados e isso favorece a infecção, tanto de vírus quanto de bactérias. Então, por si só, a inalação daquela fumaça, diariamente, altera os mecanismos de defesa e inflama os pulmões. A pessoa que fuma já tem um pulmão com maior tendência a se inflamar, e ao desenvolver a covid-19, pode ter formas mais graves da doença”, aponta a pneumologista.

Além disso, pessoas fumantes e com doenças pulmonares como a DPOC – Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, têm sua capacidade respiratória reduzida, o que consequentemente também torna a reserva respiratória menor.

“Por isso, ao desenvolver pneumonia por covid ou por qualquer outro agente, o indivíduo com DPOC tem muito mais chance de se agravar e precisar de assistência ventilatória em UTI. É fundamental que todo paciente tabagista pondere, seriamente, parar de fumar. Também vale lembrar que a pessoa que fuma, ela tira a máscara em ambientes públicos para fumar e leva as mãos, que podem ser veículos de transmissão do vírus, ao cigarro e à boca. Então, muito provavelmente essas pessoas também se tornam mais suscetíveis a se infectarem com o vírus”, ressalta a especialista.

Doenças Respiratórias
Outro alerta importante se refere às pessoas com doenças respiratórias crônicas, as quais, pela diminuição da capacidade respiratória, em casos de infecção por covid-19, também tendem a desenvolver formas mais graves da doença.

“Vale lembrar que é necessário que essas pessoas façam seus acompanhamentos, que não parem de tomar as suas medicações. É importante que a gente consiga a estabilidade da doença crônica nesse período”, afirma Ana Paula Argolo.

Questionada sobre quais problemas respiratórios são considerados de maior risco, nesse cenário de pandemia, a pneumologista diz que não há uma classificação específica, e que de forma geral toda doença pode trazer maior ou menor risco, a depender do grau e fase de desenvolvimento.

“Aquelas pessoas que têm uma asma leve, tem menor risco do que uma pessoa que tem uma asma mais grave. As pessoas que tem uma DPOC incipiente, têm um risco menor do que quem já tem uma DPOC mais grave. Então, todas as doenças respiratórias crônicas, elas podem sim em algum momento e a depender do grau de severidade e da fase da doença, trazer maior ou menor risco diante da infecção pelo Sars-CoV-2 e do desenvolvimento da doença covid-19”, considera.

 

Fonte: AAN 

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