Estudo indica que coronavírus circula em Aracaju desde fevereiro

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Pesquisadores da UFS identificam 16 amostras com anticorpos entre fevereiro e março (Foto: Freepik)

Uma mulher, de 36 anos, moradora de Aracaju, que voltou de viagem da Espanha, foi o primeiro caso confirmado de contaminação por SARS-CoV-2, em Sergipe, no dia 14 de março deste ano. No entanto, o novo vírus respiratório possivelmente já circulava em Aracaju antes do primeiro diagnóstico. É o que indica um estudo publicado por pesquisadores do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de Sergipe, nesta segunda-feira, 30, no Journal of Infection.

Foram analisadas 987 amostras de soro, coletadas entre janeiro e abril deste ano para exames de rotina, sem causa relacionada à covid-19. Dezesseis amostras tiveram resultado positivo para imunoglobulinas SARS-CoV-2 (IgM e IgG). A análise foi feita no Laboratório de Bioquímica Clínica do Departamento de Farmácia da UFS (Labic), por meio de dois testes de diagnóstico in vitro: imunocromatografia e imunofluorescência.

A média de idade dos 987 pacientes analisados foi de 38,9 anos, variando do nascimento aos 90 anos. A maioria (683) eram mulheres. Nisso, 1,6% das amostras foram positivas para ambos os ensaios, 968 deram negativas e três indeterminadas. Treze casos positivos eram de mulheres e três homens. Sete amostras foram positivas para IgM, três positivas para IgG, e seis positivaram para ambos os anticorpos.

As amostras foram coletadas por um laboratório privado, mantidas congeladas no banco de sangue do laboratório a – 80°C, e testadas quanto à presença de anti-SARS-CoV-2 IgM e IgG. As amostras somente eram consideradas positivas se fossem positivas em ambos os ensaios. Aqueles com apenas um teste positivo foram repetidos.

Tabela com dados de amostras positivas: 

O professor do Departamento de Medicina da UFS, Ricardo Queiroz Gurgel, ressalta que “o estudo ratifica a necessidade de se estabelecer uma vigilância contínua em saúde diante da possibilidade de surtos. Já tínhamos notícia do novo vírus circulando na Europa antes das primeiras confirmações de contaminação no estado de Sergipe”.

O pesquisador ainda cita o exemplo de amostras de esgoto coletadas em Santa Catarina, no sul do país, sugerindo que o vírus já circulava há três meses e, possivelmente, entre infecções assintomáticas. Essa situação se assemelhou na Itália, onde o vírus foi descoberto em amostras de esgoto em Milão, em dezembro do ano passado, embora o primeiro caso da doença tenha sido notificado dois meses depois.

O estudo também sugere, segundo o professor do Departamento de Farmácia da UFS, Lysandro Borges, que “é possível que a maioria dessas infecções com resultado positivo para o novo coronavírus fosse de pessoas assintomáticas no momento da coleta, uma vez que as amostras de soro foram coletadas para triagem de rotina de procedimentos pré-operatórios ou para monitorar a presença de outras comorbidades”.

Fonte: UFS

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