Pediatras temem retorno de doenças já erradicadas

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Mães devem ficar atentas ao cartão de vacinação (Foto: Ascom/SES)

A cobertura vacinal em todo o país vem caindo, e isso preocupa a classe médica. Com essa redução, crescem ainda mais a vulnerabilidade dos brasileiros em relação a diversas doenças, e patologias já erradicadas podem voltar a atormentar a saúde pública, como a poliomielite e o sarampo.

Vários fatores influenciam na redução do número de vacinas aplicadas. A presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Luciana Silva, explicou que alguns deles são o tempo de funcionamento de postos de saúde e baixo acompanhamento pediátrico. “Penso que é importante pontuar que os postos de saúde deveriam estar abertos nos fins de semana e durante a semana até mais tarde, para que os pais que trabalham possam levar seus filhos. Outro ponto é que as crianças geralmente não têm um pediatra que as acompanhe, vendo todo mês. Mais importante seria informar de maneira correta a população”.

Luciana Silva é presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (Foto: Portal Infonet)

O tema foi discutido nesta sexta-feira, 27, em congresso da Sociedade Sergipana de Pediatria. “As autoridades públicas deixam a desejar. Precisamos de unidades básicas funcionando de forma adequada, que cobertura vacinal seja um compromisso de governo municipal e estadual, porque quem sofre as consequências dessa baixa cobertura são as crianças, que vão adoecer”, disse a presidente Glória Tereza Lopes.

Ana Jovina Bispo, presidente do Congresso de Especialidades Pediátricas, lamentou a iminência de retorno de algumas doenças. “Estamos tomando um caminho que não esperava. Nossos estudantes verão doenças que eu não vi. Infelizmente os pediatras de hoje tratarão doenças que são preveníveis e voltaram a acontecer”.

Parte da baixa adesão a vacinas acontece por causa dos movimentos antivacinas também. Apesar de o número de pessoas que participam serem relativamente baixos, os prejuízos das informações falsas podem ser imensuráveis. “ É um desastre absoluto. Existe uma série de mitos errados, notícias mentirosas, e permitem a volta de muitas doenças. O movimento é mais forte fora do país, mas tem alguns núcleos no Brasil. Crianças estão voltando a ser ameaçadas”, finalizou Luciana.

Por Victor Siqueira

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