SES reforça diagnóstico e vacinação contra o câncer do colo uterino

Vacina contra o HPV e exames de rotina, como o Papanicolau, são as principais medidas para prevenir umas das neoplasias que mais acometem as mulheres brasileiras

Quando detectado precocemente e tratado da forma adequada, o câncer do colo do útero tem altas chances de cura. (Foto: Ascom SES)

Em continuação ao Março Lilás, campanha nacional de conscientização sobre a prevenção e o combate ao câncer do colo do útero, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) reforça a importância da vacinação contra o HPV (Papilomavírus Humano) e do diagnóstico precoce, que é obtido por meio de exames de rotina, como a colpocitologia oncótica (Papanicolau), enquanto medidas que previnem o desenvolvimento da neoplasia.

O câncer do colo do útero é a segunda neoplasia mais incidente entre as mulheres brasileiras, ficando atrás apenas do câncer de mama. Entre 2021 e 2025, em Sergipe, foram diagnosticados 934 casos de neoplasia maligna do colo do útero, um tipo de câncer invasivo e que já rompeu a camada epitelial. No mesmo período, também foram identificados, no estado, 681 casos de carcinoma in situ do colo do útero (cérvix), um tipo de lesão pré-cancerígena de alto grau, onde as células anormais não invadiram tecidos profundos. 

Quando detectado precocemente e tratado da forma adequada, o câncer do colo do útero tem altas chances de cura. Por isso, o Ministério da Saúde (MS) recomenda que mulheres e pessoas com útero, acima dos 25 anos, e que já iniciaram atividade sexual realizem a colpocitologia oncótica, mais conhecida como Papanicolau, um exame capaz de detectar, precocemente, lesões no colo do útero que podem evoluir para câncer. Inicialmente, o teste deve ser realizado uma vez por ano e, após dois exames normais consecutivos, pode ser feito a cada três anos.

A ginecologista do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism), Liani Patrícia Andrade, ressaltou a importância do Papanicolau no rastreio precoce de lesões que podem levar ao câncer do colo do útero. “O Papanicolau é um grande aliado na detecção precoce de lesões precursoras do câncer de colo de útero causadas pelo HPV. Na maioria das vezes, o câncer de colo de útero é silencioso e, por isso, os exames preventivos são importantes para o diagnóstico precoce, facilitando o tratamento. Em casos mais avançados, as pacientes podem relatar sintomas como: sangramento vaginal anormal, sangramento após a relação sexual, corrimento vaginal com odor fétido, dor pélvica e dor durante a relação sexual”, afirmou.

Vacina contra o HPV

A vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV) é uma das principais formas de prevenção do câncer do colo do útero. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza um imunizante quadrivalente, capaz de proteger contra quatro tipos do HPV: 6, 11, 16 e 18, sendo os dois últimos os principais causadores do câncer do colo do útero. A vacina é direcionada, em dose única, a crianças e adolescentes que possuam entre 9 e 14 anos, mas, recentemente, a faixa etária foi ampliada para o público de 15 a 19 anos até junho deste ano, com o objetivo de aumentar a cobertura vacinal contra o vírus. 

Além disso, no SUS, a vacina também está disponível para grupos de altíssima vulnerabilidade até os 45 anos, sendo eles: pessoas vivendo com HIV/Aids; vítimas de violência sexual; pacientes oncológicos e transplantados; usuários de profilaxia pré-exposição (PrEP) e pacientes com papilomatose respiratória recorrente (PRR). 

Segundo o infectologista e diretor de Vigilância em Saúde da SES, Marco Aurélio, a vacina contra o HPV é considerada uma das intervenções mais eficazes da saúde pública na prevenção do câncer do colo do útero. “A vacina possibilita que o sistema imunológico produza anticorpos específicos contra o vírus e, desta forma, quando a pessoa passa a ter contato com o vírus esses anticorpos neutralizam o vírus antes que ele consiga penetrar nas nossas células”, ressaltou.

Ainda de acordo com o profissional, o público-alvo da vacinação contra o HPV foi escolhido de maneira estratégica.  “A principal forma de transmissão do HPV é o contato sexual e, como a vacina é preventiva, sua eficácia é máxima quando administrada em pessoas que ainda não tenham sido expostas ao vírus, garantindo que os anticorpos já estejam presentes antes de qualquer contato possível”, destacou.

Atualmente, em Sergipe, a cobertura vacinal para a faixa estipulada (9 a 14 anos) é de 66,14%, mas o número varia, dependendo de cada grupo etário. Por exemplo, no grupo de adolescentes com 12 anos, o percentual chega a 85,84%. Porém, desde a implantação do imunizante, muita desinformação e preconceito surgiram, o que contribui para que os pais e responsáveis não levem as crianças e adolescentes para receber a vacina. “Um dos maiores estigmas é o medo de que a vacina ‘estimule’ o início precoce da vida sexual, porém vários estudos internacionais compararam jovens vacinados e não vacinados, e não encontraram nenhuma diferença na idade de início das relações sexuais ou no comportamento de risco. Vacinamos contra o HPV da mesma forma que vacinamos contra a Hepatite B ou o Tétano: para criar anticorpos antes que o corpo encontre o agente invasor. O foco é estritamente preventivo e oncológico”, reforçou o infectologista.

A vacina contra o HPV é recomendada tanto para o público feminino como para o masculino. A vacinação protege o homem diretamente e age como uma barreira na prevenção do câncer do colo do útero, pois evita a transmissão do vírus. Na população masculina, o HPV pode causar doenças graves que, muitas vezes, são negligenciadas, como o câncer de pênis, ânus e orofaringe (boca e garganta), além de verrugas genitais.

“Ao vacinar o adolescente, estamos o protegendo do câncer do colo do útero, mas, também, de cânceres de pênis, ânus e garganta, que poderiam surgir daqui a 20 ou 30 anos. É um presente de saúde para o futuro deles. Não podemos deixar o estigma ser maior que a prevenção. A vacina é segura, é gratuita no SUS e é o ato de cuidado mais concreto que podemos oferecer, hoje, para garantir que nossos filhos e filhas tenham uma vida adulta livre de lesões graves e tumores evitáveis”, pontuou Marco Aurélio. 

Diagnóstico precoce 

O Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism), gerenciado pela SES, atua de forma abrangente na prevenção e diagnóstico do câncer do colo do útero por meio de métodos de rastreamento avançados, diagnóstico precoce e seguimento especializado. Quando a mulher realiza o exame preventivo inicial (Papanicolau) na Unidade Básica de Saúde (UBS) e o resultado apresenta alterações, ela é encaminhada ao serviço de Atenção Especializada. Na unidade, são realizados os exames de colposcopia e biópsia para confirmar ou excluir a presença de lesões precursoras de câncer. 

De 2025 até fevereiro deste ano, o Caism já realizou 9.128 consultas ginecológicas especializadas em patologia do trato genital inferior (PTGI) e diagnosticou 87 casos de câncer do colo do útero. Além disso, somente em 2025, na unidade, foram realizadas 890 biópsias do colo do útero, um exame importante capaz de identificar a neoplasia. 

No Caism, também é realizado o tratamento para lesões pré-cancerígenas, contribuindo na prevenção do desenvolvimento da neoplasia, como destacou a gerente assistencial do Centro, Zaira Freitas. “O serviço de patologia do trato genital inferior (PTGI) do Caism realiza a remoção de lesões pré-cancerígenas no colo do útero, chamadas de NIC I, II ou III e causadas pelo HPV. No serviço, utilizamos técnicas como a cirurgia de alta frequência [CAF], conização [biópsia em cone] ou laser [vaporização]. Esses procedimentos visam tratar alterações de alto grau para prevenir a progressão para o câncer, com alta eficácia e rápida recuperação”, explicou.

Quando um câncer do colo do útero é detectado na unidade, os profissionais seguem protocolos rígidos. Para que a paciente inicie o tratamento especializado rapidamente, ela é encaminhada ao serviço de alta complexidade, disponibilizado em uma Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon). Em Sergipe, as pacientes do SUS são direcionadas às Unacons do Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU/UFS) e Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (FBHC). O Caism também oferece, quando necessário, suporte para o seguimento ambulatorial durante o tratamento e pós-alta clínica da Unacon.

F0nte:SES

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